Alonso Bernáldez de Quirós, também conhecido pelo cognome de Ojo de Plata, foi um jurista e administrador colonial espanhol. Exerceu funções de regedor de Santo Domingo e de advogado da Real Audiência de Santo Domingo. Foi governador interino da Província da Venezuela em dois períodos, entre 1561 e 1562 e entre 1564 e 1566, desempenhando também funções de juiz de residência.

Carreira em Santo Domingo

Natural de Medellín, na Estremadura, formou-se em Direito em Salamanca. Antes de exercer funções na Venezuela, Bernáldez de Quirós foi regedor da cidade de Santo Domingo e advogado da sua Real Audiência. Era conhecido como «Ojo de Plata», alcunha atribuída ao uso de um olho artificial de prata.

Comissão contra Pablo Collado e Lope de Aguirre

Em 1 de novembro de 1561, a Real Audiência de Santo Domingo nomeou Bernáldez de Quirós juiz de residência do governador Pablo Collado, comissão motivada pela actuação de Collado durante a invasão de Lope de Aguirre, que incluía a perseguição e punição dos membros dispersos da rebelião dos chamados marañones.

Bernáldez de Quirós desembarcou em Borburata em 24 de novembro de 1561, sendo recebido pelo cabildo de El Tocuyo em 19 de dezembro. A partir daí, conduziu o juízo de residência de Collado e dos seus tenentes em El Tocuyo, Borburata, Valência, Cuicas, Trujillo, Nirgua e Coro.

Collado foi considerado culpado de receber dádivas, participar em negócios mercantis, obstruir a administração da justiça, usurpar funções, cometer abusos contra indígenas e negligenciar a perseguição de Aguirre. Bernáldez de Quirós condenou-o à morte, decidindo antes por remetê-lo preso para Espanha após recurso.

O processo teve igualmente uma dimensão simbólica e póstuma no caso de Lope de Aguirre. Um estudo jurídico contemporâneo identifica Bernáldez de Quirós como o juiz que pronunciou sentença contra a fama e memória de Aguirre por crime de lesa-majestade, determinando a perda dos seus bens para a Câmara e Fisco reais e a infâmia dos descendentes masculinos, conforme a lógica penal do período.

Primeiro governo interino

Enquanto exercia a comissão judicial, Bernáldez de Quirós assumiu interinamente o governo da Província da Venezuela. Em janeiro de 1562, enviou uma expedição sob o comando de Luis de Narváez para socorrer Francisco Fajardo nas campanhas da região de Caracas. A força foi derrotada pelos arbacos na loma de Terepaima.

O seu primeiro período de governo terminou em 3 de fevereiro de 1562, quando entregou o cargo ao novo governador, Alonso Pérez de Manzanedo. Este submeteu Bernáldez de Quirós ao seu próprio juízo de residência, no qual foi considerado um bom juiz.

Regresso ao governo

Depois da morte de Alonso Pérez de Manzanedo, a Real Audiência de Santo Domingo voltou a nomear Bernáldez de Quirós governador interino, tendo este assumido novamente o cargo em 1 de janeiro de 1564.

A sua segunda administração ficou marcada pela tentativa de avançar a conquista castelhana sobre os territórios dos povos indígenas da região de Caracas, decorrente de uma cédula régia de 17 de junho de 1563, que ordenava a continuidade daquela campanha.

Bernáldez de Quirós encarregou inicialmente Gutierre de la Peña de organizar a expedição. Como a iniciativa não produziu os resultados esperados, o próprio governador reuniu homens em Coro, Borburata e Valência e avançou para a região de Terepaima. A força foi atacada pelos arbacos e acabou por retirar para Borburata.

Trujillo e a administração provincial

Durante o segundo mandato, Bernáldez de Quirós ratificou Francisco de la Bastida como seu tenente de governador em Trujillo, cargo que este exerceu entre 1564 e 1565 e que incluía a faculdade de conceder encomiendas de indígenas.

Em 1565, Bernáldez de Quirós acompanhou Francisco de la Bastida na transferência de Trujillo do seu assentamento em Motatán para Pampán. A medida enfrentou oposição de membros do cabildo local, mas foi concretizada.

Campanha contra os caracas e nomeação de Diego de Losada

Em 1565, Bernáldez de Quirós nomeou Diego de Losada para comandar uma nova campanha de sujeição dos caracas. A iniciativa seguia tentativas anteriores de Francisco Fajardo, Luis de Narváez, Juan Rodríguez Suárez, Gutierre de la Peña e do próprio Bernáldez de Quirós, que não tinham conseguido estabelecer um domínio castelhano duradouro na região.

A nomeação de Losada foi ratificada pelo sucessor de Bernáldez de Quirós, Pedro Ponce de León. Losada partiu de El Tocuyo no início de 1567, tendo a sua campanha culminado na fundação de Santiago de León de Caracas.

Corsários e juízo de residência

Em 1565, durante o segundo mandato, as costas da Província da Venezuela foram visitadas pelos corsários John Hawkins e Jean de Bontemps, tendo ambos forçado Bernáldez de Quirós a permitir o comércio com os moradores da província. Em 8 de maio de 1566, Bernáldez de Quirós entregou o governo a Pedro Ponce de León.

Depois da transferência do cargo, foi submetido a juízo de residência, sendo considerado culpado por ter consentido o comércio dos moradores com os corsários. Foi determinado que fosse enviado preso para Espanha, tendo contudo, permanecido em Santo Domingo durante a deslocação.

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