A linfangiogénese é o processo biológico responsável pela formação de novos vasos linfáticos a partir de uma rede vascular pré-existente, desempenhando um papel crucial tanto no desenvolvimento embrionário como na regulação da homeostase dos fluidos tecidulares, na absorção de lípidos e na vigilância imunitária do organismo. Este mecanismo coordenado assenta na proliferação, migração e diferenciação de células endoteliais linfáticas (LECs), cujas principais vias de sinalização molecular dependem da ligação dos fatores de crescimento VEGF-C e VEGF-D ao recetor transmembranar VEGFR-3, com a cooperação essencial do fator de transcrição PROX1 e de proteínas moduladoras como a CCBE1. Embora permaneça maioritariamente silenciada no adulto saudável, a cascata linfangiogénica é temporariamente reativada em processos fisiológicos e reparadores, tais como a cicatrização de feridas, o ciclo reprodutivo feminino e a resolução da inflamação, onde atua na redução do edema e na facilitação do tráfego de células dendríticas e linfócitos até aos gânglios linfáticos. Contudo, a disfunção desta rede está diretamente associada a várias patologias humanas de elevada morbilidade: a sua subativação ou ausência por mutações genéticas resulta na acumulação crónica de fluido intersticial e no aparecimento de linfedema hereditário ou secundário, ao passo que a sua sobreativação patológica é um dos principais mecanismos de progressão tumoral, sendo frequentemente estimulada por células cancerígenas para criar canais de drenagem que servem de vias de transporte prioritárias para a disseminação metastática em direção aos nódulos linfáticos regionais e à circulação sistémica, facto que posiciona os inibidores moleculares da linfangiogénese como alvos terapêuticos de vanguarda na oncologia moderna.

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