A plataformização do trabalho de cuidado refere-se ao processo de mediação do trabalho de cuidado e de serviços domésticos por plataformas digitais, que conectam prestadores de serviços a usuários por meio de aplicativos ou sistemas online, envolvendo atividades como cuidado de crianças, idosos, pessoas dependentes e serviços domésticos associados.
Histórico A expansão da plataformização do trabalho de cuidado está associada ao crescimento das plataformas digitais a partir da década de 2010, impulsionado pelo avanço das tecnologias móveis, da internet e dos aplicativos de geolocalização e pelo aumento do desemprego estrutural. No campo do cuidado, o fenômeno se intensificou com a crescente demanda por serviços domiciliares e pela externalização do trabalho reprodutivo.
Funcionamento das plataformas As plataformas de cuidado operam como intermediárias digitais entre trabalhadores e contratantes. O acesso aos serviços ocorre por meio de aplicativos, nos quais os usuários solicitam tarefas e os trabalhadores aceitam ou são designados para a execução.
Entre os principais elementos de funcionamento estão a intermediação digital, como a conexão entre oferta e demanda de serviços por meio de aplicativos, sistemas de avaliação e reputação, ou seja, mecanismos de pontuação baseados na avaliação de usuários, que influenciam a visibilidade e a permanência dos trabalhadores nas plataformas, algoritmos de gestão do trabalho, a partir de sistemas automatizados que organizam tarefas, definem prioridades e distribuem demandas e novas formas de contratação e remuneração, geralmente baseadas em pagamento por tarefa ou por hora, sem garantias trabalhistas formais em muitos casos.
Impactos sobre o trabalho de cuidado A plataformização do cuidado tem sido associada a transformações significativas nas condições de trabalho, incluindo a precarização das relações de trabalho, ampliação da informalidade e ausência de direitos trabalhistas em diversos contextos, monitoramento e vigilância algorítmica das atividades realizadas e a transferência de riscos e custos operacionais para os trabalhadores. O trabalho de cuidado mediado por plataformas é marcado por desigualdades estruturais relacionadas a “raça”/etnia, classe e gênero. Em muitos contextos, as trabalhadoras são mulheres, frequentemente negras, migrantes ou pertencentes a grupos de baixa renda. Essa configuração reflete desigualdades históricas presentes na divisão sexual do trabalho e também racial, contribuindo para a segmentação do mercado de cuidados e para a reprodução de hierarquias sociais.
Referências