Siege (às vezes estilizado como SIEGE ), originalmente publicado como Siege: The Collected Writings of James Mason, é uma antologia de ensaios do neonazista James Mason. Após se decepcionar com a abordagem de movimento de massa dos grupos neonazistas, Mason passou a defender uma revolução branca por meio do terrorismo. Mason escreveu originalmente os ensaios entre 1980 e 1986 para o boletim Siege da Frente de Libertação Nacional Socialista, que era uma reedição de um periódico da década de 1970 criado por Joseph Tommasi. Os ensaios foram publicados e editados em um único volume por Michael J. Moynihan em 1992. Desde então, a obra foi republicada e reeditada várias vezes.

Embora o livro tenha sido avaliado em diversos periódicos após seu lançamento e elogiado e distribuído pelo influente supremacista branco Tom Metzger, a maioria dos neonazistas da época ignorou ou criticou o livro. Ele permaneceu com pouca influência por muitos anos, embora tenha sido ocasionalmente discutido na literatura acadêmica. Na década de 2010, o livro encontrou um novo público online entre neonazistas mais jovens graças à republicação pelo fórum neonazista Iron March. Além de promover o neonazismo, a obra tambem glorifica assassinos em série, assassinos em massa e Charles Manson. Siege defende o terrorismo neonazista de lobo solitário e tem sido associado a diversos grupos terroristas.

Origem alt=Black and white cover reading Siege - NSLF and "Now we're really rolling!"|esquerda|miniaturadaimagem|Capa da primeira edição do boletim informativo original de Tommasi, Siege. James Mason (nascido em 1952) era neonazista desde os 14 anos, tendo inicialmente ingressado no Partido Nazista Americano de George Lincoln Rockwell (na época renomeado Partido Nacional Socialista do Povo Branco, ou NSWPP), antes de se juntar a uma facção militante dissidente desse grupo, a Frente de Libertação Nacional Socialista (NSLF). Siege surgiu da facção do NSWPP que desejava violência revolucionária explícita. Outro ex-membro dessa ala do ANP foi William Luther Pierce, autor de The Turner Diaries.

A NSLF foi criada por Joseph Tommasi em 1974, depois de ele ter sido expulso do NSWPP. Embora James Mason inicialmente não tenha seguido Tommasi ao deixar o NSWPP, ele ficou cada vez mais insatisfeito com o própio partido e viu o grupo de Tommasi com interesse. Mais tarde, ele deixou o NSWPP algum tempo depois. A NSLF reivindicou a autoria de vários atentados a bomba, incêndios criminosos e tiroteios.

Uma das publicações periódicas da NSLF chamava-se Siege, criada por Tommasi. A origem do nome da publicação original Siege é controversa; Mason afirmou que Tommasi tirou o nome de um livro sobre o Weather Underground. No entanto, não existe nenhum livro com esse nome sobre o Weather Underground. Spencer Sunshine propôs que Tommasi na verdade tirou o título do livro Miami and the Siege of Chicago, de Norman Mailer, que discutia um conflito entre o grupo predecessor do Weather Underground e a polícia. Tommasi foi assassinado por um membro da NSWPP em 1975 e foi tratado como um mártir pela NSLF.

O boletim informativo Ao se juntar à NSLF, Mason tornou-se editor de uma nova versão do Siege original. O boletim Siege era publicado mensalmente de agosto de 1980 a junho de 1986. Cada edição tinha seis páginas e era quase sempre escrita pelo própio Mason. Seus textos frequentemente se baseavam nas ideias de George Lincoln Rockwell, Joseph Tommasi, Adolf Hitler e William Luther Pierce. O boletim também incluía, ocasionalmente, reimpressões e textos de Joseph Tommasi, Perry Warthan e Frank Spisak.

Durante esse período, a ideologia neonazista de Mason permaneceu fervorosa, mas oscilou bastante. Por exemplo, nos últimos anos do boletim ele passou a defender o cristianismo como um elemento importante do neonazismo. Outra oscilação foi sua posição em relação ao ativismo violento. No início, Mason escrevia com entusiasmo sobre táticas violentas de esquerdistas e nacionalistas negros. Mais tarde, porém, seu apoio a esse tipo de ativismo — e até mesmo de forma mais ampla — foi diminuindo. o longo de toda a publicação, Siege permaneceu radicalmente antissistema, rejeitando qualquer noção de conservadorismo ou direita moderada. Mason defendia uma "GUERRA TOTAL" e incentivava atos que culminassem em uma revolução total e completa contra o que ele chamava de "Sistema Judaico-Capitalista" Enquanto escrevia Siege, Mason foi se decepcionando cada vez mais com a organização de grupos neonazistas e passou a defender a ação autodirigida. Inicialmente, ele promoveu a guerra de guerrilha aberta, mas passou a considerá-la insuficiente.

Em relação ao ativismo violento, Mason interessava-se por confrontos entre o Estado e civis, como o assalto à Brink's em 1981 e o atentado do MOVE em 1985. No entanto, ele aconselhava que os neonazistas deixassem que nacionalistas negros e esquerdistas lutassem contra o Estado e que o movimento neonazista deveria desativar qualquer forma de ativismo violento. O boletim chegou ao fim quando Mason recebeu duras críticas de outros neonazistas por seu apoio a Charles Manson . Durante toda sua publicação, Siege teve uma circulação de menos de 100 exemplares.

O livro

Histórico de publicações Com o fim do boletim Siege, outras figuras do movimento neonazista americano, como Michael J. Moynihan, incentivaram Mason a compilar seus textos anteriores em forma de antologia.. A Fundação Abraxas, da qual Moynihan fazia parte, teve grande participação na popularização dos trabalhos de Mason e na publicação do livro. Após anos de dificuldade para encontrar uma editora, o livro foi finalmente publicado em 1992 com o título SIEGE: The Collected Writings of James Mason. Mason dedicou a obra a Charles Manson. A primeira edição foi publicada por Moynihan sob o selo Storm Books. Moynihan também editou o livro.

A primeira edição de Siege tem 434 páginas. A capa, baseada em sugestão do próprio Mason, é simples: fundo preto com título em vermelho, lombada e contracapa com um raio e um escudo (símbolo da editora). O projeto inicial da capa era mais elaborado e incluía imagens de Rockwell, Tommasi, Mason e Hitler. As notas iniciais do livro informam que "O Editor/Autor não assume qualquer responsabilidade pelo uso ou mau uso dos materiais aqui apresentados" e afirmam que o livro não representa necessariamente as opiniões de Charles Manson ou de seus associados. O conteúdo está organizado por temas, e não cronologicamente, reunindo materiais de diferentes períodos, além de ilustrações. Alguns textos foram ligeiramente alterados em relação ao boletim original, principalmente para correção gramatical ou tipográfica.

A segunda edição foi lançada em 2003 pela Black Sun Publications de Ryan Schuster. Schuster escreveu o prefácio, declarando que o livro deveria ser usado "como um livro de receitas e um guia". Essa edição foi digitalizada pelo site supremacista branco Solar General e disseminada online. Quando o fórum neonazista Iron March redescobriu o livro e republicou-o em uma terceira edição em 2015. John Cameron Denton, líder da Atomwaffen Division, publicou uma quarta edição em 2018. A quarta edição tinha 684 páginas. Uma quinta edição foi publicada em 2021, com um novo prefácio feito por Mason. Uma sexta edição foi lançada em 2023, publicada por um grupo dissidente da Atomwaffen e uma célula da Ordem dos Nove Ângulos ; esta, a "edição 666", foi a única edição a ser denunciada por Mason. Esta edição tem uma nova introdução que denuncia Mason por ter se tornado fraco demais para sua ideologia anterior. Mason, por sua vez, acusou os editores de serem uma fachada do FBI.

Siege foi traduzido para vários idiomas. As edições posteriores são substancialmente mais longas que as iniciais, com inclusão de imagens, prefácios, apêndices, discursos de figuras neonazistas influentes, artigos de revistas e cartazes de propaganda.

Conteúdo A primeira edição contém uma seção de agradecimentos da editora, que foi removida da segunda edição e não foi incluída em nenhuma edição posterior. Esta seção agradece a "James Mason por sua total cooperação, Jo pela hospitalidade em Ohio, Ed Reynolds, T. Thorn, Anton La Vey, Adam Parfrey, The Black Flame, US West Communications e R. Ward pela assistência na composição tipográfica". O próprio Moynihan acabou escrevendo a introdução, sob o pseudônimo de Michael M. Jenkins, do livro SIEGE . Ela começa: "James Mason é um extremista radical. Ele dedicou ativamente a maior parte de sua vida a princípios que o membro médio da sociedade consideraria aterrorizantes, violentos e cruéis, se não totalmente insanos." Moynihan relatou a trajetória e as origens de Mason. Além disso, Moynihan escreveu sobre o livro que: O livro SIEGE que você tem em mãos foi feito pra ser tanto um guia quanto uma ferramenta. Para o observador ou para quem tem curiosidade, ele serve como um guia pelo submundo do pensamento político extremista... este livro oferece um ponto de acesso único e direto para compreender a filosofia, as táticas e a propaganda de uma vertente cada vez mais militante e intransigente do nacional-socialismo. [...] Em segundo lugar, e mais importante ainda, este livro pretende servir como uma ferramenta prática. Esperamos que a maioria dos leitores não seja composta apenas por sociólogos ou pesquisadores, mas sim por aquele pequeno grupo de pessoas que talvez já esteja predisposto a essas ideias. Isso certamente não se refere apenas aos nacional-socialistas, mas a revolucionários e fanáticos de todos os tipos.Além dos materiais de Mason, o livro inclui obras de Rockwell, Tommasi e Perry Warthan. A primeira edição contém 8 seções e cinco apêndices com vários outros tópicos e documentos. A seção de apêndices totaliza cerca de 60 páginas. O livro contém diversas imagens. Tommasi é mencionado repetidamente em Siege ; a primeira edição incluía cerca de 20 fotos dele ou da NSLF, o maior número de fotos de qualquer pessoa no livro. O livro podia ser encomendado na Storm Books por 22 dólares .

Recepção inicial Após seu lançamento, ele recebeu uma resenha na revista de música direitista The Fifth Path, uma resenha no fanzine Ohm Clock, uma resenha mais curta no Welcomat, um semanário alternativo com sede na Filadélfia, e na revista da Igreja de Satã , The Black Flame. Também recebeu resenhas ou promoções nos periódicos explicitamente racistas Plexus, Heretic, Revolutionary Nationalist, Greystorm e Resistance. O livro foi fortemente promovido por duas pessoas: o influente supremacista branco Tom Metzger e Peter H. Gilmore, da Igreja de Satã. Metzger elogiou o livro e foi em grande parte responsável pela disseminação da primeira edição, promovendo-o em seus periódicos e vendendo-o diretamente. Mais tarde, Mason creditou a Metzger grande parte da distribuição do livro. Gilmore elogiou Siege e o recomendou aos satanistas. Ele chamou-lhe uma "conquista monumental" e disse que a escrita de Mason era "repleta de clareza", "o pensamento sem retoques de um radical americano".

A primeira publicação do livro foi, em grande parte, bem-sucedida. Apesar disso, não recebeu muita atenção e foi alvo de críticas de outros neonazistas, ou simplesmente ignorado. Tanto Moynihan quanto Mason passaram a considerá-lo como tendo sido "colocado na lista negra" pela maioria dos neonazistas, embora tenham subestimado a atenção que de fato recebeu. Mason atribuiu isso ao ciúme da qualidade do livro e à relutância em aceitar sua "verdade". Spencer Sunshine afirmou que provavelmente foram os elogios de Mason a assassinos, sua obsessão por Manson e seu "distanciamento pessoal" da maioria dos líderes neonazistas da época que contribuíram para a obscuridade inicial do livro. Siege não teve grande influência até muitos anos depois.