O valtrato é um éster iridoide epoxídico lipofílico pertencente à classe dos valepotriatos, um grupo de metabolitos secundários que constituem os principais princípios ativos das raízes de plantas do género Valeriana, como a Valeriana officinalis e a Valeriana jatamansi. Quimicamente, apresenta uma estrutura bicíclica altamente reativa e termossensível, o que o torna um composto instável que se degrada rapidamente por ação do calor, humidade ou variações de pH no trato gastrointestinal, gerando subprodutos como o baldrinal (responsável pelo odor pungente da planta seca) e os valtrais. No plano farmacológico, atua como um modulador alostérico do sistema nervoso central, exercendo propriedades sedativas, ansiolíticas e relaxantes musculares homogéneas através da facilitação da atividade do ácido gama-aminobutírico (GABA), o principal neurotransmissor inibitório do cérebro. Embora ensaios in vitro revelem que o valtrato possui uma marcada citotoxicidade contra várias linhas de células cancerígenas (como o cancro gástrico, colorretal e do pulmão) devido à capacidade do seu anel epóxido alquilar o ADN, o seu risco mutagénico in vivo em humanos é considerado mínimo ou nulo; isto deve-se à sua rápida destruição hidrolítica antes da absorção sistémica, o que valida a segurança do consumo tradicional de fitoterápicos e extratos totais de valeriana, nos quais o valtrato serve essencialmente como um marcador analítico fundamental para o controlo de qualidade laboratorial.
Categoria:Ansiolíticos Categoria:Iridoides Categoria:Sedativos Categoria:Valeriana