Café-concerto — também conhecido como café-chantant (nas tradições de língua inglesa), café-concert (em francês e italiano) ou café cantante (em espanhol) — foi um tipo de estabelecimento de entretenimento musical popular associado à Belle Époque, surgido na França e difundido por outros países europeus entre meados do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Distinguia-se do teatro tradicional por seu ambiente informal, no qual o público podia comer, beber e fumar enquanto assistia a um programa de variedades com cantores, humoristas e outros artistas.

História thumb|Corner of a Café-Concert (Édouard Manet, ca. 1878–1880), National Gallery, Londres — cena de um café-concerto parisiense, com garçonete, dançarina e orquestra ao fundo

O café-concerto consolidou-se em Paris ao longo do século XIX, ganhando especial impulso durante o Segundo Império e a Terceira República, período em que a cidade viveu uma explosão de cafés, brasseries e casas de espetáculo que se tornaram pontos de encontro de uma clientela urbana cada vez mais ampla. Entre os estabelecimentos mais conhecidos do período esteve o Café-concert des Ambassadeurs, nos Jardins dos Champs-Élysées, frequentado por artistas como o pintor Jean Béraud.

O fenômeno gerou também registro editorial na própria época: em 1893, o escritor Georges Montorgueil publicou Le Café-Concert, volume ilustrado com litografias de Henri de Toulouse-Lautrec e Henri-Gabriel Ibels dedicado a retratar artistas e frequentadores desses estabelecimentos.

Difusão noutros países

O modelo francês inspirou variantes locais em diversos países europeus. Na Espanha, o equivalente — conhecido como café cantante — tornou-se, a partir de meados do século XIX, o centro das apresentações profissionais de flamenco, contribuindo decisivamente para a profissionalização desse gênero artístico. Um dos primeiros cafés cantantes documentados foi aberto em Sevilha em 1870, por iniciativa do cantor Silverio Franconetti.

Características

O programa de um café-concerto reunia, numa mesma noite, números variados — canções, esquetes cômicos, dança e outras atrações — apresentados em sequência diante de mesas onde o público consumia bebidas. Essa estrutura, mais descontraída que a do teatro convencional, permitia a circulação de diferentes classes sociais num mesmo espaço, tornando-se um símbolo do lazer popular da Belle Époque.

Na arte thumb|The Café-Concert (Édouard Manet, 1878), Walters Art Museum, Baltimore — a mesma pintura retratada no artigo O Café-Concerto

Édouard Manet retratou esses ambientes em diversas telas. A pintura conhecida em português como O Café-Concerto e a obra Corner of a Café-Concert (sem artigo em português; pertencente à National Gallery, em Londres) têm origem comum: Manet iniciou um único quadro de maiores dimensões, Café-concert de Reichshoffen (1878), posteriormente dividido pelo próprio artista em duas telas independentes. Edgar Degas e Toulouse-Lautrec também produziram obras centradas em cantoras e artistas desse circuito.

Ver também O Café-Concerto Belle Époque Flamenco

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