Tabebuia reticulata A.H.Gentry é uma espécie de árvore pertencente à família Bignoniaceae e ao gênero Tabebuia. É uma espécie nativa e endêmica do Brasil, amplamente conhecida pelo nome popular de ipê-de-flor-roxa.
Histórico e taxonomia A espécie foi formalmente descrita em 1992 pelo botânico norte-americano Alwyn Howard Gentry na publicação científica monográfica Flora Neotropica (v. 25, n. 2, p. 245). O material que serviu como espécime-tipo (holótipo) foi coletado pelo renomado paisagista Roberto Burle Marx e encontra-se depositado no Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB), sob o código de registro RB 152386, contando também com parátipos e vouchers adicionais guardados na Universidade de Brasília (UB).
Descrição botânica Trata-se de um indivíduo arbóreo perene, de hábito deciduifólio (perde as folhas em determinadas épocas do ano), capaz de atingir até 15 metros de altura total.
Folhas As folhas apresentam uma característica morfológica singular dentro do gênero, sendo compostas por um número estrito de apenas 1 folíolo (unifoliolada). Os folíolos são completamente lisos e desprovidos de pelos (glabros).
Inflorescência e flores A inflorescência é caracterizada por agrupar poucas flores por emissão. As flores possuem um cálice de formato campanulado, de tamanho reduzido (curto) e completamente livre de glândulas. A coroa (corola) exibe formato infundibuliforme (semelhante a um funil) com coloração purpúrea ou roxa marcante, apresentando textura externa pubescente e um tubo de desenvolvimento reto.
Sementes O sistema reprodutivo desenvolve frutos que liberam sementes providas de alas (aladas), uma especialização morfológica voltada para a dispersão pelo vento.
Distribuição geográfica e habitat De acordo com a base de dados taxonômica oficial da Flora e Funga do Brasil, Tabebuia reticulata possui ocorrência confirmada exclusivamente na região Sudeste, sendo considerada endêmica do estado de Minas Gerais. Seu domínio fitogeográfico exclusivo é a Mata Atlântica, desenvolvendo-se especificamente em ecossistemas de vegetação sobre afloramentos rochosos.
Embora os relatórios ambientais e os inventários de campo do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora) registrem coletas adicionais em análise fitogeográfica abrangendo os municípios de Além Paraíba, Jaíba, Pedra Azul, Porteirinha, Ponto dos Volantes e Teófilo Otoni, além de espécimes citados em estados limítrofes como Bahia e Espírito Santo, o consenso geográfico principal da plataforma indica Minas Gerais como o núcleo de distribuição oficial da espécie. A árvore também foi incorporada à lista de espécies florestais protegidas do estado de Goiás via Resolução CEMAm em 2023 devido ao seu valor ecológico regional.
Ecologia, conservação e usos A árvore é classificada como uma espécie de **Menor Preocupação (LC)** na avaliação de risco global realizada pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), devido à sua extensão de ocorrência (EOO) calculada em mais de 196 000 km² e presença registrada no interior de Unidades de Conservação de proteção integral.
No entanto, seus habitats sofrem pressões severas e declínio contínuo decorrentes de vetores como a expansão agropecuária, a fragmentação florestal da Mata Atlântica e do semiárido, o desenvolvimento urbano e a implantação de monoculturas de silvicultura de Eucalyptus. Devido à beleza de suas floradas roxas e à resistência do lenho, a espécie apresenta destacado potencial de uso para o paisagismo ornamental e emprego tecnológico em materiais estruturais de construção civil.
Referências
Ligações externas Tabebuia reticulata no CNCFlora Tabebuia reticulata na Flora e Funga do Brasil (JBRJ)
reticulata Categoria:Bignoniaceae Categoria:Flora da Mata Atlântica Categoria:Flora de Minas Gerais Categoria:Flora de Goiás Categoria:Árvores do Brasil Categoria:Plantas descritas em 1992