Miguel Coelho Nunes da Silva (Santarém, 23 de setembro de 1871 – Lisboa, 4 de dezembro de 1950), conhecido apenas como Miguel Coelho, foi um magistrado, solicitador, diretor da revistas em Angola e Portugal, e secretário de finanças português, especialista em direito tributário, domínio em que deixou vasta obra publicada, tendo participado na reforma do regulamento da Contribuição de Registo da década de 1930. Biografia Miguel Coelho, nasceu na freguesia São Salvador, em Santarém, a 23 de setembro de 1871, sendo filho de António Coelho Nunes e Bernardina Maria da Piedade, ambos naturais daquela cidade escalabitana, sendo seus avós paternos Francisco Coelho Nunes e Rosa do Nascimento e maternos Manuel da Silva e Maria AntóniaConforme certidão de nascimento constante no Arquivo Distrital de Santarém, Livro de Baptismos n.º 3, 1870-1874, pág. 32, registo n.º 45, consultada em 21 de maio de 2026. Foi o mais velho de uma fratria de quatro, composta pelos irmãos Luís (1873), Santana e António.

Concluído o curso de teologia em 1892, deveria, posteriormente, ter sido ordenado padre. No entanto, não sentindo vocação pela vida eclesiástica, com a inerente obrigatoriedade de celibato enquanto sacerdote, e tendo, entretanto, conhecido Maria Josefa Gomes (Mourão, 30 de dezembro de 1874 – Lisboa, 23 de março de 1952), filha de Isabel Maria da Fonseca e Anastácio Rodriguez Gomez, de origem espanhola, de quem se enamorou e com esta casou, em Benavente, a 24 de abril de 1904, tornou-se funcionário público de finançasConforme assento de casamento constante de fls. 3 verso e 4 do livro n.º 45 dos assentos de casamentos da Igreja Paroquial da freguesia de Nossa Senhora da Graça, concelho de Benavente, da Arquidiocese de Évora, de que, em 22 de maio de 2026, foi consultada certidão emitida a 29 de julho de 1913. miniaturadaimagem|centro|Josefa e Miguel Coelho,1905 Por força da sua progressão profissional e inerentes transferências, mudou de terra várias vezes, tendo os seus quatro filhos nascido em localidades ribeirinhas do rio Tejo, numa época em que as mudanças de casa se faziam com mais facilidade pela via fluvial, descendo aquele maior rio de Portugal desde Gavião até Lisboa. Assim, ainda na época da monarquia, nasceram Bernardina e Anastácio, e, em 14 de abril de 1910 (ano em que, a 5 de outubro, se deu a implantação da república), Isabel, em Alcochete, e, finalmente, a 30 de dezembro de 1915, António, em Salvaterra de Magos.

Viveu em Benavente e Salvaterra de Magos, quer durante a Primeira grande guerra mundial (1914-1918), em que Portugal participou ao lado dos aliados, quer aquando do flagelo da pandemia pneumónica, vulgarmente conhecida como Gripe espanhola, provocada pelo vírus influenza, que varreu o mundo entre 1918 e 1920, provocando mais de 60.000 óbitos em Portugal, grande parte na bacia do Tejo, sendo que naqueles municípios ribatejanos causou a maior quebra demográfica portuguesa com taxas de mortalidade de 7% da população.

Em 1920, encontrando-se colocado em Lisboa e já promovido ao topo carreira (secretário de finanças), mudou-se, com a família, para Angola, onde, na cidade de Moçâmedes, trabalhou nessa função, bem como na de solicitador e foi Juiz de paz.

Na primeira metade da década de 1930 foi, em Moçâmedes (Angola), diretor da revista “Mossâmedes”, “Quinzenário Defensor dos Interesses do Distrito”Conforme revista “Mossamedes” edição de 15 de junho de 1932, consultada em 17 de maio de 2026. miniaturadaimagem|centro

Na segunda metade da década de 1930 e na década de 1940, já na metrópole, aonde retornou em 28 de junho de 1935Conforme «Laus Deo» no prólogo de «Sisa e imposto sôbre sucessões e doações – comentários e anotações», Lisboa, edição da Procuradoria fiscal, Ldª, setembro de 1938, consultada em 17 de maio de 2026 , foi diretor, editor e redator principal da revista “Eco de finanças”, “órgão dos funcionários da direcção-geral das contribuições e impostos e dos tesoureiros da fazenda pública”Conforme exemplar de janeiro de 1937 e números 25 a 27 e 37 a 42 da revista “Eco de finanças” edições de 1941 e 1942, consultados em 17 de maio de 2026. miniaturadaimagem|centro Especialista em direito tributário, publicou, entre outras, as seguintes obras: «Código do Imposto sôbre a aplicação de capitais – com alguns comentários e muitas anotações», Lisboa, 1ª edição, da Couto Martins, em 1935, com reedição em 1936, e 2ª edição melhorada, da Procuradoria fiscal, Ldª, em 1941Conforme «Código do Imposto sôbre a aplicação de capitais – com alguns comentários e muitas anotações», COELHO, Miguel, Lisboa, 1ª edição, da Couto Martins, em 1935, com reedição em 1936, e 2ª edição melhorada, da Procuradoria fiscal, Ldª, em 1941, obras consultadas em 17 de maio de 2026; miniaturadaimagem|centro «Sisa e imposto sôbre sucessões e doações – comentários e anotações», Lisboa, edição da Procuradoria fiscal, Ldª, em 1938Conforme «Sisa e imposto sôbre sucessões e doações – comentários e anotações», COELHO, Miguel, Lisboa, edição da Procuradoria fiscal, Ldª, 1938, consultada em 17 de maio de 2026; miniaturadaimagem|centro «Legislação do Ministério das Finanças – Anos de 1939-1940», Lisboa, edição da Procuradoria fiscal, LdªConforme «Legislação do Ministério das Finanças – Anos de 1939-1940», COELHO, Miguel, Lisboa, edição da Procuradoria fiscal, Ldª, consultada em 17 de maio de 2026; «O arrendamento perante o direito fiscal», Lisboa, edição da Procuradoria fiscal, Ldª, 1936Conforme «O arrendamento perante o direito fiscal», COELHO, Miguel, Lisboa, edição da Procuradoria fiscal, Ldª, 1936, consultada em 17 de maio de 2026; miniaturadaimagem|centro «Manual do imposto profissional e do fundo de desemprego com um apêndice sobre os contractos de trabalho», Lisboa, edição do autor, 1939Conforme «Manual do imposto profissional e do fundo de desemprego com um apêndice sobre os contractos de trabalho», COELHO, Miguel, Lisboa, edição do autor, c. 1940, consultado em 17 de maio de 2026. miniaturadaimagem|centro Contribuiu para a reforma do regulamento da Contribuição de Registo da década de 1930 e as suas posições doutrinárias tiveram respaldo em diversas publicações, nomeadamente na Revista de legislação e de jurisprudência, 1924, volume 1, p. 500 e no Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, volume 6, 1921, p. 625. miniaturadaimagem|centro|Josefa e Miguel Coelho, 1936

Faleceu na freguesia do Campo Grande, em Lisboa, a 4 de dezembro de 1950, repousando os seus restos mortais em ossário no cemitério do LumiarConforme certidão de óbito n.º 1372, do Livro 116, da 3ª Conservatória do registo civil de Lisboa, consultada em 20 de maio de 2026.

Na sua descendência destacaram-se os netos Maria José Gomes Coelho C. S.C. Gama (política), António Manuel Gomes Coelho (investigador) e Miguel Gomes Coelho (poeta).

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