Syagrus duartei Glassman é uma espécie de palmeira de pequeno porte pertencente à família Arecaceae e ao gênero Syagrus. É uma planta nativa e endêmica do estado de Minas Gerais, Brasil, ocorrendo em formações rochosas de alta altitude na Cadeia do Espinhaço.NOBLICK, L. R. A revision of the genus Syagrus (Arecaceae). Phytotaxa, v. 294, n. 1, p. 1–262, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.11646/phytotaxa.294.1.1.

Histórico e taxonomia A espécie foi descrita originalmente em 1968 pelo botânico norte-americano Sidney Frederick Glassman. O epíteto específico duartei foi atribuído em homenagem ao coletor e botânico brasileiro Apolinaris Eigidius Duarte, responsável pela coleta de importantes espécimes botânicos na região central de Minas Gerais.

Do ponto de vista filogenético, Syagrus duartei integra o complexo de espécies de características xerofíticas de altitude e compartilha estreita afinidade morfológica com Syagrus glaucescens. No entanto, diferencia-se desta e de outras espécies próximas pelas seguintes características diagnósticas estruturais:

Hábito e caule: Possui estipe predominantemente prostrado ou subterrâneo curto, raramente ereto, enquanto S. glaucescens tende a formar caules eretos mais definidos. Morfologia foliar: As folhas de S. duartei são significativamente mais compactas e curtas (60–100 cm) em comparação com as de S. glaucescens (62–118 cm), apresentando pinas dispostas em fileiras verticais e ramentas conspícuas na base da face abaxial. Inflorescência: A ráquis da inflorescência é menor e possui menor quantidade de ráquilas, além de brácteas pedunculares de dimensões mais reduzidas.

Descrição botânica Trata-se de uma palmeira acaule ou de caule muito curto, de hábito solitário a cespitoso. O estipe é predominantemente prostrado, subterrâneo ou ligeiramente aéreo, medindo de 10 a 50 centímetros de comprimento, raramente estendendo-se além dessas dimensões, com diâmetro variando de 8 a 12 centímetros. O caule é frequentemente marcado pelas cicatrizes e remanescentes das bainhas foliares decíduas.

Folhas As folhas são pinadas, compactas, arqueadas a eretas, ocorrendo em número de 8 a 14 por coroa contemporânea. O comprimento total da folha varia de 60 a 100 centímetros. A bainha foliar mede de 15 a 25 centímetros de comprimento, com margens fibrosas densas. O pecíolo mede de 10 a 20 centímetros de comprimento por 1,2 a 1,8 centímetros de largura, com a face abaxial recoberta por um indumento farináceo esbranquiçado. A ráquis foliar mede de 45 a 75 centímetros de comprimento, exibindo uma coloração glauca.

Os folíolos (pinas) são rígidos, coriáceos, de formato linear-lanceolado, dispostos de maneira compacta e inseridos na ráquis em fileiras verticais bem definidas. Ocorrem em número de 40 a 65 pares de cada lado, organizados em grupos de 2 a 4 pinas inseridas em ângulos ligeiramente divergentes. Apresentam coloração verde-escura a azul-esverdeada na face adaxial e são marcadamente glaucas na face abaxial, com a presença de escamas de ramentas visíveis ao longo da nervura central inferior. As pinas medianas medem de 25–35 × 1,2–1,6 cm, terminando em um ápice ligeiramente assimétrico.

Inflorescência e flores A inflorescência é do tipo ramificada, com postura ereta a ligeiramente curvada. O prófilo mede de 15–20 × 2,5–3,5 cm. A bráctea peduncular é lenhosa, profundamente sulcada na face externa, medindo de 45 a 65 centímetros de comprimento total, incluindo um bico apical curto; sua porção expandida mede de 30 a 45 centímetros de comprimento por 5 a 8 centímetros de largura, apresentando uma coloração verde-acinzentada ou recoberta por indumento castanho-claro. O pedúnculo mede de 25 a 35 centímetros de comprimento, sendo densamente tomentoso. O eixo da inflorescência possui de 20 a 35 centímetros de extensão, com uma ráquis curta de 10 a 20 centímetros. As ráquilas ocorrem em número de 8 a 15, distribuídas de forma espiralada, medindo de 10 a 18 centímetros de comprimento.

As flores são sésseis ou curto-pediceladas, organizadas no padrão de tríades. As flores estaminadas medem de 8 a 12 milímetros de comprimento, com coloração amarela a amarelo-esverdeada, pétalas valvares e estames com anteras lineares. As flores pistiladas da base possuem formato cônico a piramidal, medindo de 10 a 14 milímetros de comprimento por 6 a 8 milímetros de largura, com sépalas e pétalas imbricadas de coloração amarelada e pistilo glabro.

Frutos e sementes Os frutos são elipsoides a ovoides, medindo de 2,5 a 3,2 centímetros de comprimento por 1,8 a 2,2 centímetros de largura. Quando maduros, apresentam coloração verde-amarelada a acastanhada, com o ápice dotado de um indumento tomentoso curto e esparso. O epicarpo é delgado e fibroso; o mesocarpo é composto por uma polpa amarela, suculenta, fibrosa e rica em óleos. O endocarpo é lenhoso, espesso, de formato ovoide, medindo de 2,0 a 2,6 centímetros de comprimento, com o interior caracterizado por cavidade trivitada. A semente é elipsoide, contendo endosperma homogêneo e sólido.

Distribuição geográfica e habitat O Syagrus duartei é uma espécie microendêmica das regiões serranas de alta altitude do estado de Minas Gerais, Brasil. Sua ocorrência geográfica está concentrada nas porções centrais da Cadeia do Espinhaço, com populações registradas e validadas nos municípios de Diamantina, Gouveia, Conceição do Mato Dentro e nas elevações da Serra do Cipó.

O habitat exclusivo da espécie são os campos rupestres quartzíticos, desenvolvendo-se em altitudes que variam de 1 000 a 1 400 metros acima do nível do mar. A palmeira vegeta fixada diretamente em fendas de afloramentos rochosos expostos ou sobre solos arenosos brancos, extremamente rasos, áridos e de baixa fertilidade natural, onde a vegetação é predominantemente arbustiva e graminoide.

Ecologia e conservação A espécie exibe notáveis adaptações xerofíticas e pirófitas para sobreviver em ambientes de extrema radiação solar, ventos fortes e sazonal escassez hídrica. O hábito acaule com estipe subterrâneo ou prostrado funciona como uma estratégia de proteção contra os frequentes incêndios que atingem os campos rupestres. A espessa camada de cera glauca presente nas superfícies foliares atua minimizando a perda de água por transpiração.

A atividade fenológica de floração e frutificação ocorre de maneira mais intensa nas estações da primavera e do verão, coincidindo com o início do período de mais chuvoso na Cadeia do Espinhaço. Os frutos servem de alimento para a fauna local de roedores e aves. Embora esteja parcialmente protegida dentro dos limites de unidades de conservação (como o Parque Nacional da Serra do Cipó), suas populações enfrentam ameaças devido ao turismo desordenado, incêndios antrópicos frequentes e a degradação de habitats por atividades de mineração e expansão de pastagens em áreas limítrofes.

Ligações externas

Syagrus duartei no World Flora Online (WFO) Syagrus duartei no Plants of the World Online (Kew) Syagrus duartei na Flora e Funga do Brasil (JBRJ)

duartei Categoria:Plantas descritas em 1968 Categoria:Flora de Minas Gerais