thumb|Exemplo de pessoas praticando rope jumping na Ponte do Esqueleto. Maria Eduarda Rodrigues de Freitas (Jandira, 25 de dezembro de 2004 - Limeira, 13 de junho de 2026), morreu ao praticar rope jumping na Ponte do Esqueleto, localizada na cidade de Limeira, em São Paulo. Os instrutores não conectaram a corda à vítima. Três instrutores foram presos em flagrante.

Vítima

Natural de Jandira, Maria Eduarda Rodrigues de Freitas era estudante de educação física, trabalhava em uma academia em sua cidade natal e tinha 21 anos de idade na data do acidente.

Acidente Na manhã do dia 13 de junho de 2026, Maria morreu após ser arremessada de uma altura de 40 metros por dois funcionários das marcas Entre Cordas e Ih Voei na Ponte do Esqueleto, notadamente sem estar conectada a um sistema de cordas que permitissem o salto ser praticado em segurança, caindo em queda livre. Segundo a enfermeira que prestou os primeiros socorros a Maria Eduarda, ela possuía um equipamento de segurança acoplado à sua barriga, mas não indicava estar ligado a cordas. Um terceiro instrutor também estava no local, mas não foi responsável direto por lançar Maria Eduarda. O evento foi presenciado por várias testemunhas entre adultos e crianças que gravaram o ocorrido em diversos ângulos, que perceberam a ausência da corda de segurança após o corpo da mulher atingir o solo. De acordo com testemunhas, os instrutores ficaram imóveis ao perceberem o lançamento errôneo e tentaram fugir do local, escondendo-se em uma área de mata que fica aos arredores da ponte, mas foram localizados pela Polícia Militar. Segundo testemunhas, houve saltos anteriores ao de Maria, e em todos eles, a corda havia sido checada, mas, de acordo com o relato de uma testemunha, na vez do salto de Maria os instrutores não fizeram a inspeção. Maria tinha presa ao seu pulso uma câmera no momento do salto, mas os peritos não conseguiram localizar o objeto. Maria Eduarda teria pedido aos instrutores para ser lançada no "estilo avião", que consiste em ser levantada à altura da cabeça dos instrutores em uma pose em que a pessoa fica com seus braços abertos para ser posteriormente lançada.

Investigação Segundo a Polícia Militar, uma testemunha relatou que os funcionários da empresa responsável esqueceram de colocar o equipamento antes do salto. Seis pessoas foram conduzidas para o 2° Distrito Policial de Limeira, dos quais três homens foram detidos em flagrante, sendo um deles um bombeiro civil. O caso foi registrado na 3ª DP de Limeira como homicídio com dolo eventual, cuja pena prevista por lei é próxima de homicídio doloso, quando há intenção de matar. A Polícia Civil, por sua vez, assumiu as investigações e realizou levantamentos iniciais para apurar as circunstâncias do acidente. Após audiência de custódia, a justiça converteu a prisão em preventiva.

A delegada Andrea Dantas declarou que os homens não adotaram procedimento correto e fiscalizaram a fixação da corda antes do lançamento de Maria Eduarda e afirmou que a ponte é "palco de várias tragédias". De acordo com ela, as marcas Entre Cordas e Ih Voei tinham atividades há um ano em vários destinos incluindo os estados de São Paulo e Minas Gerais e não representavam empresas regulamentadas ou com permissão para estar no local para prestar tais atividades. As páginas da empresa Entre Cordas foram excluídas das redes sociais ainda enquanto os outros clientes estavam na ponte e um grupo que havia sido criado no WhatsApp para reunir informações sobre a atividade foi bloqueado.

Após interrogatório dos suspeitos no domingo, dia seguinte ao acidente, a Polícia tomou ciência de que Maria Eduarda deveria estar presa a pelo menos duas cordas, mas não estava presa a alguma. Segundo a polícia, durante o depoimento, os suspeitos estavam desnorteados e não sabiam explicar razoavelmente o porquê de Maria ter sido atirada da ponte sem equipamentos de proteção.

Na segunda feira seguinte ao acidente, a polícia focou-se em encontrar mais testemunhas do caso para prestar depoimentos. Segundo uma das testemunhas, um funcionário da equipe que atirou Maria Eduarda da ponte foi visto retirando a câmera da alça do pescoço de Maria, mesmo em sua condição no chão. A delegada do caso afirmou que a câmera pertencia à equipe e de fato estava com a vítima, mas também avaliou que poderia ter escapado da mão da vítima na queda, apesar de estar presa ao seu pulso. A delegada Andrea Dantas disse acreditar que a câmera desapareceu do local, considerando que muitas pessoas compareceram na ponte após o acidente.

Reações O noivo de Maria Eduarda Rodrigues estava no local e presenciou a sua morte. Ele teve um colapso nervoso ao saber do acidente e foi levado para a emergência. Seguido da morte, as redes sociais de Maria foram desativadas.

A Prefeitura de Limeira emitiu uma nota de pesar pela morte de Maria Eduarda, expressando solidariedade com a família, e informou na tarde do dia do acidente que iria processar o Governo Federal por falhas relacionadas a manutenção e omissão na fiscalização e controle de acesso ao local. Em comunicado, o prefeito disse que a morte de Maria Eduarda torna "insustentável e inaceitável a continuidade dessa omissão". Em comunicado ao Estadão, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), lamentou "a morte trágica de uma jovem durante atividade esportiva não autorizada na ponte do Esqueleto". A secretaria afirmou que a ponte "pertencia a trecho não implantado do ramal da RFFSA entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de propriedades particulares".

Na segunda feira seguinte ao acidente, a Secretaria de Patrimônio da União teve reuniões com as prefeituras das duas cidades onde a ponte se localiza para evitar o acesso.

Apesar de inicialmente acusar omissão do Governo Federal, a Prefeitura de Limeira também pode ser responsabilizada pela tragédia. Como as marcas que prestaram o serviço não eram empresas regulamentadas, apenas as pessoas físicas estão sujeitas a responsabilização.

Em 26 de junho de 2026, o Ministério Público de São Paulo determinou que a polícia investigue os ataques misóginos feitos nas redes sociais contra Maria Eduarda Rodrigues de Freitas.

Repercussão O ator brasileiro Duda Nagle manifestou tristeza com o caso, classificou o caso como uma "tragédia horrível" e revelou ter realizado o mesmo salto naquele local. A presidente da Comissão de Direitos das Mulheres, Erika Hilton afirmou que a repercussão do caso levou à publicação de comentários no Twitter que, segundo ela, "não apenas ultrajam a memória da vítima, mas que expressamente incentivam, celebram ou tratam com humor e aprovação a prática de violência sexual contra seu cadáver, mediante referências à necrofilia e ao estupro da vítima falecida".

Internacional O caso de Maria Eduarda teve ampla cobertura nacional e repercutiu internacionalmente nas redes sociais, com as imagens de seu salto tornando-se virais e sendo, inclusive, posteriormente noticiado por diversos veículos de notícias como The Sun, The Daily Telegraph, People, NBC News, TMZ, The Times of India, News.com.au, entre outros. Usuários da internet descreveram o caso como um "caso surreal de negligência".

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