thumb|250px|Os reinos de Nájera e Navarra sob Sancho VI, o Sábio (1154-1194) O reino de Nájera foi um reino situado ao norte da península ibérica entre os anos 923 e 1076. Abrangeu os territórios da bacia do rio Ebro, desde as atuais Miranda de Ebro até Tudela, correspondente a La Rioja.

Originou-se devido ao fato de que, uma vez realizada a conquista de Nájera e da Rioxa Média e Alta no ano 923, pelo rei pamplonês Sancho Garcês I, em colaboração com Ordonho II de Leão, o primeiro deixa essas terras sob domínio de seu filho Garcia Sanches com a denominação de Reino de Nájera. Após a destruição de Pamplona por Abderramão III em 924 e a morte de seu pai no ano seguinte, Garcia Sanches transfere sua residência para Nájera, em detrimento de Pamplona. Denomina-se desde então rei de Nájera-Pamplona. A capital do reino de Nájera foi a cidade de Nájera, situada na comunidade autônoma de La Rioja, Espanha. Foi o precursor do reino de Navarra e berço dos reinos de Castela e Aragão.

No mosteiro de Santa María la Real está o panteão real onde se encontram os sepulcros dos reis do reino de Nájera-Pamplona. Aqui estão enterrados os reis das dinastias Jimena, ou dos Abarca, que se manteve no trono desde 918 até 1076, e a que prosseguiu com Garcia Ramires que reinou desde 1135 até 1234. Esta dinastia provém da dos Abarcas.

História Origens miniaturadaimagem|230x230px|Mosteiro de São Millán de Suso com o portal de Gonzalo de Berceo com os sarcófagos de os sete infantes de Lara e três rainhas de Nájera. Os inícios do reino de Nájera remontam ao ano 918 quando o rei pamplonês Sancho Garcês I, em colaboração com Ordonho II de Leão, recupera Nájera e a Rioja Média e Alta (desde a atual Miranda de Ebro até Tudela) do domínio muçulmano. Estes novos territórios ele os deixa sob domínio de seu filho Garcia Sanches com a denominação de «reino de Nájera».

Cinco anos depois, no ano 923, da recuperação do castelo, ou alcácer, de Nájera Sancho Garcês entrega essas terras a seu filho Garcia Sanches I que ainda é uma criança, e instaura a corte do reino de Nájera. Jimeno Garcês de Pamplona, tio de Garcia Sanches I, nomeado conselheiro e tutor do mesmo.

Após a destruição de Pamplona por Abderramão III em 924 e a morte de seu pai no ano seguinte, Garcia Sanches I torna-se também rei de Pamplona, transferindo sua residência para Nájera, estabelecendo nesta cidade sua corte, em detrimento de Pamplona. A partir desse momento os reinos de Pamplona e Nájera aparecem ligados ao mesmo monarca, embora continuem mantendo entidades separadas; por isso, o reino passa a denominar-se «reino de Nájera-Pamplona».

Garcia Sanches desenvolveu uma ativa política de repovoamento dos novos territórios e favoreceu com consideráveis doações aos mosteiros da zona, especialmente a São Millán de la Cogolla.

A mesma política manterá durante os primeiros anos Sancho Garcês II (970-994), mas as campanhas de Almançor o obrigarão, assim como a seu filho Garcia Sanches II «o Trêmulo» (994-1004), a assinar capitulações e pagar tributos a Córdova.

Apogeu thumb|O Reino de Pamplona à morte de Sancho III, o Maior (1035) miniatura|O noroeste da Ibéria em 1064. Com Sancho III o Maior (1004-1035) o reino alcança sua maior extensão, abrangendo boa parte do terço norte peninsular, desde Catalunha a Cantábria. Sancho III foi o grande impulsionador da cidade de Nájera, onde celebrou Cortes e outorgou o famoso foro de Nájera, origem da legislação navarra e base do direito nacional; além disso, cunhou moeda em Nájera, criando assim uma das primeiras cecas cristãs na península. Este monarca foi chamado justamente Rex Ibericus, Rex totius Hispaniae e Rex Imperator. Favoreceu as peregrinações a Santiago de Compostela, estabelecendo albergues e hospitais, e convertendo a cidade em ponto-chave da rota jacobeia do Caminho de Santiago.

Após a morte de Sancho III, reparte-se seu Império entre seus filhos Garcia Sanches III, rei de Nájera-Pamplona, Fernando I conde de Castela e futuro rei de Leão, Ramiro I rei de Aragão e Gonzalo Sanches rei da Ribagorça, desta forma Nájera se torna berço dos reinos de Navarra, Castela e Aragão, cabendo ao primogênito, Garcia Sanches III (1035-1054), chamado «o de Nájera», por ter nascido e estar enterrado na cidade, os territórios patrimoniais dos reinos de Nájera e Pamplona, bem como a hegemonia política sobre os demais reinos cristãos da península.

Garcia Sanches III estendeu seus domínios pela Rioxa Baixa conquistando Calahorra à taifa de Saragoça. De profunda fé católica, funda o mosteiro de Santa María la Real e o nomeia sede episcopal do reino, dotando-o de numerosas propriedades. Também criou a Ordem de cavalaria da Jarra ou da Terraça, a primeira entre os reinos cristãos peninsulares; e favoreceu os escritórios monásticos de São Millán, Nájera e Albelda. Morreu na batalha de Atapuerca (Burgos) em luta contra seu irmão Fernando I de Castela, em setembro de 1054.

Desmembramento thumb|upright=1.4|Repartição do Reino de Pamplona após a morte de Sancho IV o de Peñalén em 1076 Após o assassinato de seu pai, aos 14 anos sucede-lhe Sancho Garcês IV (1054-1076), proclamado no mesmo campo de Atapuerca. Sancho II o Forte, rei de Leão e Castela invadiu os montes de Oca, La Bureba e a própria Navarra conquistando a Praça de Viana. Sancho Garcês IV buscou a ajuda de seu primo Sancho Ramires de Aragão, que derrotou em Viana os castelhanos em 1067. Mais tarde, em 1076 Afonso VI rei de Leão e Castela (filho de Fernando I de Castela) invadiu temporariamente a Rioja que com Al-Muqtadir queriam colocar um rei submisso em Nájera-Pamplona. O último rei de Nájera Sancho Garcês IV o nobre ou o de Peñalén, morre às mãos de seu irmão Ramón, que o precipitou pelo precipício de Peñalén, em Funes, enquanto caçava.

Após a morte de Sancho Garcês, começa um segundo período no qual já não existem Reis de Nájera, exceto os anos que o governou Sancho III de Castela, porque a soberania é reclamada pelos reis descendentes de Sancho Garcês III; a cidade de Nájera é tomada por Afonso VI, e este deixa o comando da cidade nas mãos de Diego Lopes I de Haro, senhor de Biscaia. Os conflitos que este acontecimento provoca desembocam na divisão do reino, a parte navarra ficou anexionada ao Reino de Aragão pondo fim desta forma ao chamado reino de Nájera, passando a denominar-se Senhorio de Nájera e Ducado de Nájera.

Sob Castela, formou um condado sob Garcia Ordóñez até a morte deste na batalha de Uclés em 1108. O posterior casamento entre Urraca de Leão e Afonso I de Aragão une temporariamente as coroas de Leão-Castela e Aragão-Pamplona brevemente entre 1109 e 1114. A teve Diego Lopes I de Haro até 1113 em que Afonso I de Aragão, o Batalhador desapossa este da tenência de Nájera e coloca em seu lugar Fortún Garcês Cajal, que a terá entre 1113 e a morte do rei de Aragão. Após a morte do Batalhador, Nájera, Calahorra e outros lugares fronteiriços foram anexionados ao reino de Castela por Afonso VII de Leão, que alegava direitos hereditários e restaura as fronteiras de seu avô Afonso VI.

Principais marcos O Foro de Nájera (1020), coetâneo do de Leão, foi outorgado por Sancho Garcês III, é o antecedente dos foros de Logroño. Navarra e País Basco. Redigem-se os códices Vigiliano (976) e Emilianense (994), os quais contêm numerosos concílios e epístolas, as quais decretam de direito pontifício e territorial ao Reino de Nájera; celebrando-se assim famosos sínodos (1067, 1143 e 1155). Às Cúrias de Nájera concorriam, chamados por seu rei, os nobres, magnatas e cavaleiros de seus extensos domínios e os bispos, abades e priores de Pamplona, Calahorra, Labourd, Valpuesta, Osma, Burgos, Oca, Silos, Álava, São Millán e Nájera. Os bispados de Nájera e Calahorra, principalmente pelo rei Garcia Sanches III, tiveram imensa jurisdição eclesiástica, da qual se desprenderam as dioceses de Guipúscoa, Biscaia e Álava. Esta circunstância revela a extraordinária influência na ordem espiritual que exerceu a Igreja riojana em tão extensos territórios até meados do século XIX. O Ordenamento de Nájera, promulgado nas Cortes da cidade, celebradas por Afonso VII em 1137-1138, é o primeiro Código escrito medieval e fonte do de Alcalá e de outros posteriores. A primeira ceca cristã esteve situada em Nájera, ao cunhar moeda na cidade sob o reinado de Sancho Garcês III. Garcia Sanches III fundou a Ordem Militar de Terraça.

Lista de monarcas O primeiro monarca é Garcia Sanches I e o último Sancho IV, todos eles pertencentes à mesma família e dinastia; a dinastia Jimena. Imagem Nome Período de Reinado Marcos 182x182pxGarcia Sanches I Filho de Sancho Garcês I, rei de Pamplona923-970 Primeiro rei de Nájera Também foi rei de Pamplona Monarca da Dinastia Jimena Obtém o reinado por presente de seu pai.105x105pxSancho Garcês II Filho do anterior970-994 Apelidado "Abarca" Monarca da Dinastia Jimena.146x146px|García Sánchez II de PamplonaGarcia Sanches II Filho do anterior994-1000 Apelidado "o Trêmulo" Monarca da Dinastia Jimena. 150x150px|Sancho III the GreatSancho Garcês III Filho do anterior1004-1035 Apelidado "o Maior" Monarca da Dinastia Jimena.95x95px|Garcia III Sanches de PamplonaGarcia Sanches III Filho do anterior1035-1054 Apelidado "o de Nájera" Monarca da Dinastia Jimena.152x152px|Sancho IV de NavarraSancho Garcês IV Filho do anterior1054-1076 Apelidado "o Nobre" Monarca da Dinastia Jimena.

Outras personalidades miniaturadaimagem|Panteão real dos reis de Nájera-Pamplona no mosteiro de Santa María La Real de Nájera|304x304px Rainhas consortes Andreagoto Galíndez, condessa de Aragão e rainha consorte de Nájera-Pamplona, foi a primeira esposa de Garcia Sanches I.

Teresa Ramires, rainha consorte de Nájera-Pamplona, foi a segunda esposa de Garcia Sanches I. Urraca Fernandes, nobre castelhana, rainha consorte de Leão (2 ocasiões) e rainha consorte de Nájera-Pamplona, esposa de Sancho Garcês II. Jimena Fernandes, rainha consorte de Nájera-Pamplona, foi esposa de Garcia Sanches II. Muniadona de Castela, rainha consorte Nájera-Pamplona, Ribagorça e Castela, esposa de Sancho Garcês III Estefânia, rainha consorte de Nájera-Pamplona, esposa de Garcia Sanches III Placência da Normandia, rainha consorte de Nájera-Pamplona, foi a esposa de Sancho Garcês IV

Principais infraestruturas: os mosteiros direita|miniaturadaimagem|200x200px|Mosteiro de Santa María la Real de Nájera. Mosteiro de Santa María La Real de Nájera, um dos lugares mais emblemáticos de La Rioja, panteão real dos reis de Nájera-Pamplona. Foi mandado construir por Garcia Sanches III e sua esposa Estefânia em 1052.

Mosteiro de São Millán de la Cogolla-Yuso, mandado construir por Garcia Sanches III em 1053, transferiram-se os restos de São Millán. Declarado patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1997, foi conhecido durante algum tempo como o berço do castelhano, por terem sido encontradas num códice desse mosteiro as Glosas Emilianenses, primeiros escritos românicos da atual área do castelhano. Mosteiro de São Millán de la Cogolla-Suso, fundado por São Millán no século V. Declarado patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1997. Possui os sepulcros dos sete infantes de Lara e de Gonzalo de Berceo bem como o da rainha Toda de Pamplona. Mosteiro de Valvanera, advoção da Virgem de Valvanera, padroeira de La Rioja. A primeira abadia foi construída em 990. Alcácer de Nájera, de origem muçulmana, foi palácio real dos reis de Nájera-Pamplona.

Ver também

Reino de Viguera Reino de Pamplona História de La Rioja Ducado de Nájera Nájera

Ligações externas O Reino de Nájera I (918 – 1076).

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