Diario de Pernambuco é um jornal publicado na cidade do Recife, capital do estado de Pernambuco, Brasil. É o mais antigo periódico em circulação da América Latina, fundado em 7 de novembro de 1825 pelo tipógrafo Antonino José de Miranda Falcão. Quando o Diario de Pernambuco foi fundado, o Recife ainda não era a capital do estado, fato que só ocorreu um ano e três meses depois.

História O Diario foi fundado na casa de seu criador, na rua Direita nº 256, e primeiramente era impresso numa única folha, como um caderno de anúncios de imóveis, achados e perdidos, leilões, etc, ao custo de 40 réis. Em seu primeiro número, como apresentação e sob o título de Introducção, o editor assim justificou a sua publicação (grafado de acordo com a grafia usada àquela época):

miniaturadaimagem|Anúncio de serviços fotográficos no jornal Diario de Pernambuco, edição de 4 de outubro de 1860 (Acervo da Biblioteca Nacional do Brasil). Em 1835, o jornal foi vendido a Manuel Figueroa de Faria, sendo transformado em órgão oficial dos governos da província, posição mantida até 1911. Entre 1848 e 1849, o Diario realizou uma cobertura ampla da Revolução Praieira. O veículo assumiu uma posição antiescravista já na década de 1850, 38 anos antes da abolição. Em maio de 1888, exaltou a Lei Áurea, dando cinco dias de férias aos funcionários. Em 1901, Francisco de Assis Rosa e Silva assume como proprietário. Em 1908, quando completou 83 anos, o veículo anexou ao título o slogan: “Jornal mais antigo em circulação na América Latina”. O coronel Carlos Benigno Pereira de Lira, industrial e fazendeiro em Alagoas e Pernambuco, assume a presidência em 1913. Foi nessa gestão que Gilberto Freyre passou a ser cronista e articulista, assinando textos para o jornal até 1986, quando morreu.

No dia de seu centenário, em 1925, comemorado por toda a sociedade pernambucana, o Diario circulou com 60 páginas, trazendo em sua capa uma ilustração de autoria do pintor Manuel Bandeira.

Em 1903, o jornal mudou-se para seu endereço mais famoso, na Praça da Independência, conhecida do povo do Recife como a Pracinha do Diario, onde permaneceu por 101 anos, até 2004. Estabeleceu-se na Rua do Veiga, 600, no bairro de Santo Amaro de 2004 até 2016, quando se mudou para sua atual sede, na Avenida Marquês de Olinda, 133, próxima à Praça do Marco Zero. Desde 1931 pertence ao consórcio Diários Associados.

Durante sua longa trajetória, o Diario sofreu severa censura em várias ocasiões, com o empastelamento de suas rotativas, jornais queimados e rasgados, depredações da sede, e deixou de circular por alguns dias nos anos de 1911, 1912, 1931 e 1945. Um dos fatos mais marcantes de sua história foi o assassinato do estudante universitário Demócrito de Souza Filho, na sacada do prédio do jornal, pela polícia política de Getúlio Vargas, em março de 1945. Na década de 1960, o periódico assume uma posição marcadamente oposicionista ao governo de João Goulart, acreditando que o país estava ameaçado pelo comunismo. Em Pernambuco, intensifica uma campanha contra a gestão de Miguel Arraes. Em 1964, celebra o Golpe de Estado no Brasil em 1964 e dá ampla cobertura aos governos militares.

Em 19 de janeiro de 2015, o jornal teve 57,5% das suas ações compradas pelo Sistema Opinião de Comunicação, de propriedade de Cândido Pinheiro, que passou a ser sócio majoritário em relação aos Diários Associados, que agora passavam a responder por apenas 42,5% das ações. O mesmo ocorreu com várias empresas do grupo no Nordeste do Brasil. Em 13 de outubro do mesmo ano, o Grupo R2, dos irmãos Maurício Rands e Alexandre Rands, adquiriu 78% das ações do periódico e das rádios Clube FM e Rádio Globo Recife.

Em 2016, as edições de sábado e domingo do jornal foram unificadas e transformadas numa "super edição" impressa aos sábados, seguindo o exemplo de outros jornais pelo país. A edição dominical passou a ser disponibilizada on line para os assinantes das versões impressa e digital. As medidas haviam sido tomadas devido à crise econômica no país, mas não foram suficientes para estancar os problemas financeiros do jornal, que teve vários demitidos entre 2017 e 2018 e um princípio de greve em janeiro de 2019.

Em 19 de outubro de 2019, após oito meses de negociações, o Grupo R2 vende o jornal, juntamente com as rádios Clube FM e Rádio Clube para o advogado e empresário Carlos Frederico de Albuquerque Vital, conselheiro do Sport Club do Recife e vice-presidente jurídico da Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco, além de proprietário de outros empreendimentos menores. A venda do jornal foi vista com entusiasmo por alguns e receio por outros. Enquanto uns indicavam que o novo dono teria simpatia em demasia por socialistas, outros o taxavam de apoiador do então presidente, Jair Bolsonaro. A linha editorial do jornal todavia, manteve-se com distanciamento político, fiel à sua tradição.

Em 15 de fevereiro de 2020, o jornal inclui a frase "Rumo aos 200 anos" junto ao slogan da edição impressa. E em 18 de dezembro de 2020, o jornal trocou seu caderno e seu portal de esportes, se desvinculando do portal mineiro SuperEsportes, de quem era parceiro desde 2010, para criar o EsportesDP, mais integrado ao site do jornal.

Em 7 de novembro de 2025, o jornal completou 200 anos de sua fundação, se tornando o primeiro veículo de mídia do Brasil a atingir a marca do bicentenário. Em evento para celebrar a data, o presidente do Diario, Carlos Frederico Vital, afirmou: “O jornal Diario de Pernambuco nasce a cada amanhecer, mas carrega em si dois séculos de memória, compromisso e afeto por este Estado, pelo Brasil e pelo mundo, que acompanham sua trajetória como o jornal em circulação mais antigo do Hemisfério Sul e em língua portuguesa do planeta.”

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Prêmios Prêmio ExxonMobil de Jornalismo (Esso) 2004: Esso Regional Nordeste, concedido a Vandeck Santiago, pela reportagem "Francisco Julião, As Ligas e o Golpe Militar de 1964". 2006: Esso de Informação Científica, Tecnológica e Ecológica, concedido a Sílvia Nessa, pela reportagem Nordeste Conectado". 2008: Esso Regional 1, concedido a Silvia Bessa e Marcionila Teixeira, pela reportagem "Hanseníase ". 2008: Esso de Melhor Contribuição à Imprensa, concedido a Marcondes Brito e Vera Ogando, por "DIARIO EM BRAILLE Pelo extraordinário alcance social da iniciativa, ao permitir que milhares de deficientes visuais do Estado de Pernambuco passassem a dispor das mesmas informações impressas diárias oferecidas aos demais". 2009: Esso Regional 1, concedido a Silvia Bessa, com o trabalho "Quilombola - Os direitos negados de um povo". 2010: Esso Regional Norte/Nordeste, concedido a Fred Figueiroa e Juliana Colares, pela obra "O Caminho Sem Volta".

Prêmio Vladimir Herzog Prêmio Vladimir Herzog de Arte

Ano Obra Veículo de mídia Autor Resultado 2004 "Série de cartuns" Jornal Diario de Pernambuco Christiano Mascaro 2015 “Maioridade penal” Diario de Pernambuco (PE) Gregório de Holanda Vieirra Menção Honrosa do Prêmio Vladimir Herzog por Arte

Ano Obra Veículo de mídia Autor Resultado 2015 “Redução da maioridade penal” Diario de Pernambuco (PE) Jarbas Domingo de Lira Jr. 2016 “Eu vi um Pokémon” Diario de Pernambuco – Recife/PE Samuca (Samuel Rubens de Andrade)

Prêmio Vladimir Herzog de Fotografia Ano Obra Veículo de mídia Autor Resultado1999"Fome"Jornal Diario de PernambucoJaqueline Maia BragaMenção Honrosa 2004 "Sem teto, sem destino" Jornal Diario de Pernambuco Teresa Cristina Maia Dantas

Bibliografia [./Http://memoria.bn.gov.br/DocReader/docmulti.aspx%3Fbib=029033&pesq= Diario de Pernambuco no Portal da Biblioteca Nacional, digitalizado com pesquisa nas palavras da imagem.] Nascimento, Luíz do. História da Imprensa de Pernambuco (1821/1954), Vol. I: Diario de Pernambuco, Imprensa Universitária, Universidade Federal de Pernambuco, Recife 1968

Ligações externas

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