Véstio Alonieco era uma das divindades galaicas, ligada à tradição celta centro-europeia e comparada ao deus Cernuno devido à sua representação antropomórfica, com coroa e chifres, como mostra um relevo encontrado em Lourizán, próximo de dois altares dedicados a esta divindade."Vestio alonieco, nueva deidad galaica" en Archivo español de arqueología., Vol. 19, No. 63 (1946), p. 110 e "Las aras romanas de Lourizán", en El Museo de Pontevedra, entrega 12, 1944, Bouza Brey, Fermín, 1944

Etimologia

Segundo André Pena Graña, o nome Véstio provém da raiz indo-europeia Uest-io, possivelmente com o significado de «anfitrião» ou «provedor de alojamento», à semelhança de gwest, acrescida do sufixo latino -ius. Pode ser comparado ao latim hospit-, derivado de hosti-pot(i)s («protetor dos estrangeiros»), bem como a hospes («anfitrião», «hóspede» ou «estrangeiro»), e ainda ao inglês antigo giest, ao gast gótico e neerlandês, ao antigo gost eslavo e ao antigo frísio jest e jesthus (atual gasthuis, «hospital»).

Segundo o mesmo autor, Alonieco poderá derivar de al, h₂el-, relacionado com o conceito indo-europeu de «alimentar», «engordar» ou «nutrir». São apontados paralelos como al-an («nutrir», «crescer») e o gótico aljan («engordar»), associados à ideia de sustento e crescimento.

Epigrafia

As inscrições dedicadas ao deus Véstio Alonieco foram descobertas na freguesia pontevedresa de Lourizán, sob a forma de três altares votivos. Os altares foram encontrados embutidos num muro e estavam decorados com suásticas; um deles continha um epígrafe, enquanto os outros dois estavam consagrados a Deo Vestio Alonieco.Silvia Alfayé Villa: "Sobre iconografía y teonimia en el Noroeste peninsular", en Acta Paleohispánica 13 (2013), 189-208.

Descrição

A divindade é representada sob forma humana, com chifres e um queixo alongado. Tem os braços cruzados e as extremidades terminam em mãos amplamente abertas.Silvia Alfayé Villa, 194.

Cuevillas foi o primeiro a relacioná-lo com o deus irlandês Lug e o seu epíteto Lámhfhada («o de mão longa»). Segundo esta interpretação, as duas suásticas gravadas nos seus altares confirmariam o caráter solar da divindade, uma vez que tanto as mãos longas como as suásticas surgem associadas em diversos paralelos europeus com significado solar semelhante."Las estatuas de PorcunaI, estatuas de guerreros". Boletín de la Real Academia de Historia,1987,405-445 Esta característica seria partilhada por Lug e por Cernuno, ambos considerados deuses celtas solares e cornudos."Los pueblos de la Galicia céltica" Francisco Javier González García, Alvaro Arizaga Castro, Ediciones AKAL, 2007

Ver também Cernuno

Referências Categoria:Deuses animais Categoria:Deuses galaicos