Otto Hönigschmid (Hořovice, 13 de março de 1878 – Munique, 14 de outubro de 1945) foi um químico austro-tcheco.

Juntamente com Stefanie Horovitz, publicou a primeira demonstração experimental amplamente aceita da existência dos isótopos. Ao longo de sua carreira, trabalhou na determinação precisa das massas atômicas de mais de 40 elementos químicos e participou de comissões encarregadas de estabelecer valores internacionalmente padronizados.

Biografia Otto nasceu em Hořovice, na República Tcheca, em 1878. Seu pai era Johann Hönigschmid (1838–1915), funcionário público do Império Austro-Húngaro. Chegou ao cargo de Oberfinanzrat (alto conselheiro da administração financeira imperial). O avô paterno também se chamava Johann Hönigschmid e era professor. Sua avó paterna chamava-se Marianna Štefek. Sua mãe era Maria Janka (1850–1914), filha de Franz Borgias Janka, agrimensor-chefe (Obergeometer), e de Adelhaid Kerausch.

A carreira administrativa do pai fez com que a família mudasse diversas vezes de residência durante a infância de Otto. Por esse motivo, ele viveu em várias cidades da monarquia austro-húngara antes de concluir os estudos secundários em Praga. Em Praga, ele completou sua formação secundária e ingressou na universidade.

Hönigschmid estudou química orgânica na Universidade Carolina de Praga, sob a orientação de Guido Goldschmiedt, químico conhecido por elucidar a estrutura da papaverina. Paralelamente aos estudos, trabalhou como pesquisador em Paris, no laboratório de Henri Moissan, entre 1904 e 1906. Em 1908, obteve a livre-docência (habilitation) com uma tese dedicada aos carbetos e silicetos.

Carreira e pesquisa científica Em 1909, Hönigschmid trabalhou na Universidade Harvard sob a supervisão de Theodore Richards, participando da determinação da massa atômica oficial do cálcio. Nesse período, aprendeu os métodos de alta precisão desenvolvidos por Richards para a determinação de massas atômicas, técnicas que posteriormente lhe garantiriam reconhecimento internacional na área.

Entre 1911 e 1918, foi professor e diretor do laboratório de química inorgânica e analítica da Universidade Politécnica de Praga. Ao mesmo tempo, desenvolveu pesquisas no Instituto do Rádio de Viena, dividindo suas atividades entre as duas cidades.

Nesse contexto, foi convidado por Frederick Soddy e Kasimir Fajans para determinar com precisão as massas atômicas de amostras de chumbo provenientes de materiais radioativos, a fim de testar experimentalmente a lei do deslocamento radioativo de Fajans e Soddy. Por sugestão de Lise Meitner, recrutou, em 1914, a química Stefanie Horovitz para trabalhar em seu laboratório em Viena..

Horovitz processou amostras de pechblenda rica em urânio e realizou medições extremamente precisas da massa atômica do chumbo obtido. Os resultados, publicados em coautoria por Hönigschmid e Horovitz, demonstraram uma diferença significativa entre o chumbo derivado do urânio (206,736 g/mol) e o chumbo comum (207,190 g/mol). Essa descoberta constituiu a primeira prova experimental conclusiva da existência dos isótopos. Pouco depois, Hönigschmid e Horovitz demonstraram um segundo caso de isotopia ao comprovar que o íonio, então considerado um elemento recém-descoberto, correspondia na realidade ao isótopo tório-230.

Em 1918, Hönigschmid mudou-se para a Alemanha, onde passou a lecionar na Universidade Luís Maximiliano de Munique. Nessa instituição, fundou um laboratório dedicado especificamente à pesquisa de massas atômicas. Até 1941, ele e seus colaboradores realizaram determinações precisas para mais de quarenta elementos químicos. Entre suas contribuições mais importantes estiveram a revisão dos valores das massas atômicas da prata, do nióbio, do tântalo e do fósforo. Hönigschmid também colaborou com os trabalhos de Ernest Rutherford e Marie Curie, preparando padrões de rádio para comparação em 1912 e novamente em 1934.

Além de suas atividades de pesquisa, presidiu a Comissão Alemã de Massas Atômicas entre 1920 e 1930. Em 1930, tornou-se representante da Alemanha no Comitê de Massas Atômicas da União Internacional de Química. Seu trabalho foi fundamental para a adoção de valores de massas atômicas precisos e padronizados pela comunidade científica internacional.

Prêmios e homenagens Em 1913, Hönigschmid recebeu o Prêmio Haitinger da Academia Austríaca de Ciências. Em 1940, foi agraciado com a Medalha Liebig, uma das mais importantes distinções da química alemã.

Morte Grande parte do trabalho científico de Hönigschmid, bem como sua residência e seu laboratório em Munique, foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial. Enfrentando problemas de saúde e dificuldades relacionadas à moradia no pós-guerra, ele e sua esposa cometeram suicídio em 14 de outubro de 1945.

Na época, o casal estava hospedado na casa da viúva de Hans Fischer, amigo e colega de Hönigschmid, que também havia tirado a própria vida poucos meses antes.

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