As espinosinas constituem uma classe inovadora de biopesticidas naturais (Grupo 5 do IRAC) obtidos a partir da fermentação da Saccharopolyspora spinosa, uma bactéria do solo Gram-positiva descoberta originalmente nas Ilhas Virgens. O principal composto deste grupo é o espinosade, uma mistura natural das lactonas macrocíclicas espinosina A (50–95%) e espinosina D (5–50%), existindo também o espinetoram, uma derivação semissintética com estabilidade molecular otimizada. O seu mecanismo de ação dual e altamente seletivo atua no sistema nervoso central dos artrópodes: liga-se aos recetores nicotínicos de acetilcolina (nAChRs) e, em simultâneo, bloqueia os canais de cloreto associados ao ácido gama-aminobutírico (GABA), provocando uma hiperpolarização celular. Esta disfunção neurológica gera uma hiperexcitação neuromuscular severa que culmina em convulsões, cessação imediata da alimentação, perda crítica de fluidos e paralisia total dos parasitas. Eficazes tanto por contacto como por ingestão, as espinosinas possuem um elevado efeito residual protetor contra pulgas, tripes e ácaros hematófagos como o Dermanyssus gallinae, contornando os mecanismos de resistência cruzada desenvolvidos contra inseticidas convencionais. Adicionalmente, o perfil toxicológico desta família química destaca-se pela sua segurança ecológica e clínica, apresentando uma toxicidade excecionalmente baixa para mamíferos, aves e organismos não-alvo, o que permite a sua aplicação direta na presença de animais de companhia ou de produção.
Categoria:Bioinseticidas Categoria:Lactonas Categoria:Saúde animal