Pessoas Trabalho e Solidariedade (PTS) é um partido político de Cabo Verde, registado originalmente como Partido do Trabalho e da Solidariedade em 10 de novembro de 2000. A denominação atual consta nos estatutos do partido depositados no Tribunal Constitucional de Cabo Verde, na versão de 2021, mantendo-se a sigla PTS.
O partido foi fundado por Onésimo Silveira, antigo presidente da Câmara Municipal de São Vicente, diplomata, escritor e figura política cabo-verdiana. Sem representação parlamentar desde a sua criação, o PTS tem participado em eleições legislativas cabo-verdianas, apresentando-se como alternativa ao domínio político do Movimento para a Democracia (MpD) e do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).
História
Fundação e primeiros anos
O PTS foi registado no Tribunal Constitucional de Cabo Verde em 10 de novembro de 2000, sob a denominação Partido do Trabalho e da Solidariedade. No mesmo ano, integrou a coligação Aliança Democrática para a Mudança (ADM), formada pela União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), pelo Partido da Convergência Democrática (PCD) e pelo PTS, registada em 26 de novembro de 2000.
A criação do partido esteve associada a Onésimo Silveira, uma das figuras políticas mais relevantes de São Vicente no período posterior à abertura democrática. Além da sua intervenção partidária, Silveira destacou-se como escritor, diplomata, antigo embaixador de Cabo Verde em Portugal e primeiro presidente eleito da Câmara Municipal de São Vicente no contexto multipartidário.
Participação eleitoral
O partido participou em diferentes eleições legislativas sem alcançar representação na Assembleia Nacional de Cabo Verde. Em 2016, concorreu sob a liderança de José Augusto Fernandes, apresentando-se como força política vocacionada para a defesa dos setores sociais mais desfavorecidos.
Nas legislativas de 2011, o PTS obteve 1.040 votos, sem eleger deputados para a Assembleia Nacional. Em 2016, concorreu apenas pelo círculo eleitoral de Santiago Sul, obtendo 94 votos. Em 2021, alargou a sua presença eleitoral a seis círculos e obteve 2.088 votos, mantendo-se sem deputados eleitos.
Reorganização de 2021
A reorganização do PTS em 2021 ocorreu num contexto de aproximação entre o partido e figuras provenientes de candidaturas independentes que tinham participado nas eleições autárquicas de 2020. Na Praia, o grupo independente Liderança União Trabalho e Amor (LUTA), liderado por Carlos Lopes, conhecido como Romeu di Lurdes, obteve 866 votos, correspondentes a 2,3%, ficando em terceiro lugar no município, sem eleger representantes municipais. No Tarrafal de Santiago, Cláudio Sousa foi candidato à Câmara Municipal pelo Movimento Independente Tarrafal (MIT), grupo de cidadãos que obteve 1.157 votos nas autárquicas de 2020.
Nas eleições legislativas de 2021, Cláudio Sousa assumiu a liderança interina do PTS e foi cabeça de lista do partido pelo círculo eleitoral de Santiago Norte.
Em agosto de 2021, o PTS realizou um congresso nacional na cidade da Praia para eleger novos órgãos, rever os estatutos e atualizar a identidade política da organização. Carlos Lopes foi eleito presidente do partido, sucedendo a José Augusto Fernandes.
A reorganização marcou a passagem da designação Partido do Trabalho e da Solidariedade para Pessoas Trabalho e Solidariedade, mantendo-se a sigla PTS. A alteração procurou associar a identidade do partido à centralidade das pessoas, do trabalho e da solidariedade, preservando a continuidade histórica da sigla. A liderança de Carlos Lopes foi reconhecida pelo presidente cessante José Augusto Fernandes, que validou a legalidade do congresso nacional.
José Augusto Fernandes morreu em outubro de 2021, tendo o partido manifestado publicamente pesar pela morte do antigo dirigente. Reativação em 2026
Após a morte de Carlos Lopes, o PTS entrou num novo processo de reorganização interna. Em março de 2026, a direção do partido anunciou a sua reativação política com vista às eleições legislativas de 17 de maio desse ano.
A nova liderança passou a ser encabeçada por Jónica Brito Tavares, tendo Jailson de Aguiar como vice-presidente e Jailson Gonçalves da Silva como secretário-geral.
Eleições legislativas de 2026
Nas eleições legislativas de 2026, o PTS concorreu em seis círculos eleitorais:
Santiago Norte;
Santiago Sul;
São Vicente;
América;
África;
Europa e Resto do Mundo.
A candidatura reuniu 67 candidatos, com presença destacada de jovens e mulheres.
A campanha de 2026 foi marcada por uma orientação crítica ao bipartidarismo cabo-verdiano e pela apresentação do partido como uma alternativa política aos dois maiores partidos do país, PAICV e MpD. O lema eleitoral utilizado foi “Cabo Verde no Coração”, associado a propostas sobre renovação política, produção interna, inclusão da diáspora, transportes interilhas, educação, saúde, habitação e justiça social.
Em São Vicente, o partido apresentou como cabeça de lista Jailson D’Aguiar, defendendo maior representação política da ilha na Assembleia Nacional. A candidatura local invocou a continuidade dos valores políticos associados a Onésimo Silveira, fundador do partido.
Nos resultados definitivos proclamados pela Comissão Nacional de Eleições, o PTS obteve 3.268 votos, correspondentes a 1,73% dos votos válidos, sem eleger deputados. A eleição foi vencida pelo PAICV, seguido do MpD e da UCID, que manteve representação parlamentar.
Apesar de não conquistar assentos parlamentares, o partido aumentou a sua votação em relação às legislativas de 2021. A imprensa cabo-verdiana destacou a subida eleitoral do PTS e a sua afirmação em círculos eleitorais urbanos, embora o partido tenha permanecido sem representação na Assembleia Nacional.
Orientação política
O PTS tem centrado o seu discurso político na valorização das pessoas, do trabalho e da solidariedade, com ênfase em temas como justiça social, inclusão da juventude, habitação, saúde, transportes interilhas, produção interna e participação da diáspora no desenvolvimento nacional.
Durante a campanha legislativa de 2026, a liderança do partido apresentou o combate ao bipartidarismo como um dos eixos centrais da sua intervenção política. O PTS defendeu também a necessidade de aproximar a representação parlamentar das comunidades periféricas, dos jovens e dos grupos sociais com menor acesso às decisões políticas.
Em junho de 2026, após o incêndio em Ponta Belém, na cidade da Praia, o partido defendeu a realização de um debate nacional sobre segurança, proteção dos comerciantes e condições dos mercados e espaços de comércio informal em Cabo Verde.
Símbolo e cores
O símbolo do PTS é composto por um círculo e duas estrelas cruzadas, formando dez pontas, sendo utilizadas as cores laranja, azul e branca. A forma circular representa o sol, enquanto as estrelas simbolizam a presença do PTS junto da população cabo-verdiana e o mar que liga as ilhas.
Resultados eleitorais
Eleições legislativas DataVotos%+/-Deputados+/-Status20111 040Sem representação parlamentar201694Sem representação parlamentar20212 088Sem representação parlamentar20264.º3 2681,73Sem representação parlamentar
Ver também Política de Cabo Verde Assembleia Nacional de Cabo Verde Onésimo Silveira
Ligações externas Lista de partidos políticos no Tribunal Constitucional de Cabo Verde Estatutos dos partidos políticos no Tribunal Constitucional de Cabo Verde Constituição e extinção de partidos políticos no Tribunal Constitucional de Cabo Verde
Categoria:Partidos políticos de Cabo Verde Categoria:Partidos políticos fundados em 2000