A Família Pompêo de Camargo é uma tradicional família do estado de São Paulo, com atuação destacada no período colonial, imperial e republicano do Brasil e forte presença na história social, política, econômica e cultural de Campinas e região. A família origina-se dos Camargo, família de nobre linhagem que remonta à Idade Média, e que inclui o patriarca Jusepe Ortiz de Camargo, natural de Castrojeriz, Espanha, que emigrou para o Brasil no fim do século XVI. miniaturadaimagem|Brasão da Família Camargo O ramo Pompêo de Camargo origina-se do Alferes Antônio Pompêo de Camargo Penteado.
Nota de grafia: Encontra-se registros da grafia Pompeu de Camargo, porém trata-se da mesma família.
Origem miniaturadaimagem|D. Alffonso García de Camargo, Alcaide de Burgos em 1335, Fidalgo da Ordem de Santiago de Burgos, ancestral da linhagem O ramo Pompêo de Camargo origina-se da família Camargo, de nobre linhagem que remonta pelo menos à Idade Média e deu origem ao bisneto do navegador espanhol, Alonso de Camargo, Jusepe Ortiz de Camargo, que imigrou da Espanha para o continente Americano nos anos de 1500, por incumbência da Rainha Isabel I, da Espanha, e deu origem a tradicional família que fez parte da formação do Brasil, particularmente da Vila de São Paulo, atual cidade de São Paulo e região. Ele e seus descendentes ocuparam importantes papéis na sociedade do Brasil Colônia, sendo muitos deles notáveis bandeirantes.
O filho primogênito de Jusepe, o bandeirante Fernão de Camargo promoveu em uma de suas expedições a fundação do que viria a se tornar a atual cidade de Campinas, como uma parada em meio ao caminho às "Minas dos Goiases", atual Goiás, e nomeada à época de "Campinas do Mato Grosso". Já seu neto, e por sua vez, bisneto de Jusepe, o também bandeirante, Tomás Lopes de Camargo, foi o cofundador de Vila Rica, atual Ouro Preto, dando início ao atual estado de Minas Gerais. miniaturadaimagem|Monumento às Bandeiras, homenagem aos bandeirantes, como os primeiros ancestrais da família no Brasil O ramo Pompêo de Camargo está associado ao descendente direto dos supracitados, e portanto tetraneto de Jusepe, o Alferes Antônio Pompêo de Camargo Penteado. Ele era filho de José de Camargo Paes e Bárbara Paes de Barros, neto de Tomás Lopes de Camargo, bisneto de Fernando Ortiz de Camargo, o Moço, trineto de Fernão de Camargo e, como mencionado, tetraneto de Jusepe Ortiz de Camargo.
O Alferes se casou com Ana de Arruda Campos em 1788, filha de Antônio Pompeo Paes e Rita de Arruda Campos. A pesquisa de Felipe Rodrigues Alfonso identifica esse casal como o núcleo da chamada “Linhagem 1” dos Pompêo de Camargo/ Camargo Penteado, que se estabeleceu em Campinas a partir de 1792.
Formação do ramo em Campinas
Em 1792, o Alferes Antônio Pompêo de Camargo Penteado mudou-se para a freguesia de Campinas com o pai e o irmão, o capitão-mor Floriano de Camargo Penteado, ocasião em que fundou a propriedade da Ponte Alta, enquanto o irmão fundou a Ponte Alta de Cima. Ambas tiveram engenhos erguidos em 1795.
A instalação dessas propriedades coincidiu com os primeiros anos de consolidação econômica da região de Campinas, então marcada pela expansão da agricultura de abastecimento e pela crescente produção açucareira. Os engenhos da família figuraram entre os estabelecimentos que contribuíram para a transformação da antiga freguesia em um dos mais importantes centros agrícolas da Capitania de São Paulo (atual estado de São Paulo).
Durante o século seguinte, o XIX, seus membros estiveram ligados à expansão da lavoura canavieira e posteriormente ao desenvolvimento da cafeicultura, atividade que projetou Campinas entre os principais polos econômicos do Império do Brasil.
Nas gerações posteriores, o patrimônio familiar diversificou-se. Além da manutenção de importantes fazendas cafeeiras, membros da família participaram da modernização agrícola do interior paulista. Destacou-se por exemplo nesse contexto, Fernão Pompêo de Camargo, proprietário da Fazenda Sete Quedas, considerado um dos pioneiros da cultura do algodão em larga escala no estado de São Paulo, figurando entre os principais produtores do chamado "ouro branco" no século XX.
Ao longo dos séculos, a trajetória da família acompanhou a própria evolução econômica de Campinas e região, desde os engenhos de açúcar do período colonial até as grandes lavouras de café e algodão dos séculos XIX e XX, e o mundo corporativo do século XXI refletindo as transformações da agricultura e negócios paulistas e a formação de sua elite.
Propriedades e patrimônio Entre as propriedades associadas à família destacam-se a Fazenda Ponte Alta (atual Fazenda Tozan), a Fazenda Sertão, a Fazenda Alpes, o Sítio Novo, a Fazenda São João, a Fazenda Jambeiro, a Fazenda Souzas, a Fazenda Sete Quedas, a Fazenda Cachoeira (atual Fazenda São Martinho da Esperança) e o Solar do Visconde de Indaiatuba.
Essas propriedades refletem a trajetória econômica da família desde os primórdios da ocupação agrícola de Campinas. As fazendas Ponte Alta e Ponte Alta de Cima, estabelecidas no final do século XVIII pelo Alferes Antônio Pompêo de Camargo Penteado e por seu irmão, o capitão-mor Floriano de Camargo Penteado, figuram entre os primeiros engenhos da região e estiveram ligadas à expansão da produção açucareira que impulsionou o crescimento econômico da então freguesia de Campinas.
Ao longo do século XIX, a família ampliou seu patrimônio rural por meio de propriedades voltadas à produção de açúcar, café e, posteriormente, outras culturas agrícolas. Fazendas como a Sertão, a São João e a Jambeiro integraram o conjunto de propriedades que contribuíram para consolidar a presença dos Pompêo de Camargo entre os grandes proprietários rurais campineiros.
A Fazenda Jambeiro teve origem em terras pertencentes ao antigo latifúndio Sete Quedas. Segundo documentação histórica do município de Campinas, sua abertura e formação estiveram ligadas a Dona Thereza Michelina do Amaral Pompeu, esposa do Capitão Antônio Pompêo de Camargo, importante produtora agrícola da região e irmã do Visconde de Indaiatuba. A propriedade destacou-se inicialmente pela produção de cana-de-açúcar e café, sendo posteriormente administrada por seu neto, Herculano Pompêo de Camargo, em 1885.Pupo, Celso Maria de Mello: Campinas, Município do Império, Imprensa Oficial do Estado S.A., São Paulo, 1983, página 181, figs. 328 a 330.
Outra propriedade de destaque foi a Fazenda Sete Quedas, que durante décadas pertenceu a Fernão Pompêo de Camargo. Reconhecida como uma das mais importantes fazendas da região, tornou-se referência na produção agrícola paulista e ficou associada ao pioneirismo da cultura do algodão em larga escala no estado de São Paulo. A fazenda também recebeu autoridades e visitantes ilustres, sendo frequentemente utilizada para recepções oficiais promovidas pelo governo estadual e pela municipalidade de Campinas.
Parte das terras da antiga Fazenda Sete Quedas deu origem, ao atual complexo urbanístico Swiss Park Campinas, um dos maiores empreendimentos imobiliários da cidade. Dessa forma, áreas anteriormente vinculadas ao patrimônio rural da família passaram a integrar a expansão urbana contemporânea de Campinas.
Entre os patrimônios urbanos ligados à família destaca-se ainda o Solar do Visconde de Indaiatuba, construído em 1846 para servir de residência urbana a Dona Thereza Michelina do Amaral Pompeu em ocasião de seu casamento com o Capitão Antônio Pompêo de Camargo. O edifício tornou-se uma das mais importantes residências urbanas da Campinas oitocentista e posteriormente passou a ser associado a seu irmão, Joaquim Bonifácio do Amaral, o Visconde de Indaiatuba, que passou a residir ali também. O solar recebeu personalidades ilustres durante o período imperial — incluindo, O Imperador do Brasil, Dom Pedro II em visita à cidade — e permanece até a atualidade como um dos marcos arquitetônicos mais relevantes do patrimônio histórico campineiro.
Atuação econômica, política e cultural Ao longo de mais de dois séculos, do XVIII à atualidade (século XXI) membros da família estiveram ligados a atividades agrícolas, políticas, empresariais, educacionais, artísticas, literárias, esportivas e médicas, contribuindo para a formação da identidade histórica, econômica e cultural de Campinas e de outras regiões do estado de São Paulo.miniaturadaimagem|Capa de estreia do atual O Estado de S. Paulo, em que Totó é citado dentre os fundadores (acima à esquerda da folha)Entre os representantes mais destacados desse processo esteve Antônio Pompêo de Camargo (1828-1884) conhecido como Totó Pompêo, grande proprietário rural, pioneiro do café e um dos principais acionistas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Além de sua atuação econômica, exerceu mandatos como vereador em Campinas, participou da fundação do Partido Republicano local, colaborou na criação do Colégio Culto à Ciência e do jornal A Província de São Paulo, atualmente denominado O Estado de S. Paulo. Também patrocinou obras públicas locais como a construção da nova matriz (Catedral Metropolitana de Campinas), da Santa Casa e da Maternidade de Campinas.
No século XX, a atuação econômica da família acompanhou as transformações da agricultura paulista. Fernão Pompêo de Camargo destacou-se como grande produtor agrícola e pioneiro da cultura do algodão em larga escala no estado de São Paulo. Também exerceu relevante papel político e associativo, presidindo diretórios partidários, atuando na Revolução Constitucionalista de 1932 e participando da fundação de entidades esportivas e recreativas campineiras, entre elas a Sociedade Hípica de Campinas e o Clube Campineiro de Regatas e Natação.
miniaturadaimagem|Autorretrato de Beatriz Pacheco Pompêo de Camargo, de 1917. Pinacoteca de São Paulo.
A contribuição da família estendeu-se igualmente ao campo das artes e da cultura. Maria Luiza Pompêo de Camargo destacou-se como pintora e professora, participando de salões oficiais de arte e tendo obras incorporadas aos acervos da Pinacoteca do Estado de São Paulo e do Museu do Ipiranga. Outra integrante da família, Beatriz Pacheco Pompêo de Camargo, também se destacou como artista plástica, expondo em importantes mostras nacionais e integrando o grupo de mulheres pioneiras na profissionalização das artes visuais no Brasil.
Na literatura e na preservação da memória, sobressai a atuação de Vitalina Pompêo de Camargo de Souza Queiroz, autora de Reminiscências de Campinas e do romance Mãe e Sogra, obras frequentemente utilizadas como fonte para estudos sobre a história social e urbana da cidade e o envolvimento pioneiro das mulheres na literatura no final do século XIX e início do XX. Seus escritos integram o conjunto de obras produzidas por integrantes da elite paulista no período.MUZART, Zahidé L. Escritoras Brasileiras do século XIX. Florianópolis: Editora Mulheres; Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2000. v. 2.
Membros notáveis Alguns dos membros mais notáveis da família são:
Alferes Antônio Pompêo de Camargo Penteado (1758-1812) — Militar e proprietário rural. Fundador do ramo Pompêo de Camargo e um dos primeiros proprietários estabelecidos na região de Campinas, onde fundou a Fazenda Ponte Alta em 1795. miniaturadaimagem|Retrato de D. Thereza Michelina do Amaral Pompeu, século XIX Dona Thereza Miquelina do Amaral Pompeu (1809–1888) — Proprietária rural ligada às fazendas Sete Quedas e Jambeiro. Esposa do Capitão Antônio Pompêo de Camargo, e mãe de Antônio Pompêo de Camargo, o Totó. Figura de destaque da elite agrária campineira do século XIX e irmã de Joaquim Bonifácio do Amaral, o Visconde de Indaiatuba. Foi benfeitora tendo sido uma das maiores doadoras para a construção da Santa Casa de Misericórdia de Campinas e do Passeio Público de Campinas, atual Centro de Convivência Cultural de Campinas.miniaturadaimagem|Retrato de Antônio Pompêo de Camargo (Totó), século XIX