O problema do túnel é uma experiência de pensamento filosófica apresentada pela primeira vez por Jason Millar em 2014. É uma variação do clássico dilema do comboio feito para se concentrar na ética de veículos autónomos, como também na questão de quem decide a reação em cenários de vida-e-morte.
Formulação original O problema do túnel tem como objetivo atrair a atenção para uma questão específica em ética de design/engenharia, e foi inicialmente apresentado como segue:Problema do túnel: Estás a viajar numa faixa única de uma estrada na montanha num carro autónomo que rapidamente se está a aproximar de um túnel estreito. Antes de entrar no túnel uma criança tenta correr pela estrada mas tropeça no centro da faixa, efetivamente bloqueando a entrada do túnel. O carro tem apenas duas opções: atingir e matar a criança, ou desviar-se para uma parede num dos lados do túnel, assim matando-te. Como deve o carro reagir?Experiências de pensamento semelhantes foram criadas por outros filósofos concentrando-se no tópico de carros autónomos. A premissa destas experiências de pensamento é que até com tecnologias sofisticadas de carros autónomos, os carros vão enfrentar situações onde o dano não pode ser evitado.
Propósito O problema do túnel tem o propósito de concentrar a atenção em duas questões que cria para designers e utilizadores de carros autónomos:
Como deve o carro reagir? Quem deve decidir como o carro reage?
Na sua formulação original, o problema do túnel é discutido como uma decisão de "fim-de-vida" para o passageiro do carro: dependendo da maneira como o carro reage, o passageiro ou vivo ou morre. Por causa dessa funcionalidade, Millar argumenta que o problema do túnel nos força a questionar se designers/engenheiros têm a autoridade moral legítima para tomas a decisão em nome dos utilizadores de carros autónomos. De facto, a segunda questão tem o propósito de desafiar a noção padrão que todas as decisões de design são apenas técnicas em natureza. Onde as funcionalidades de design fornecem "respostas materiais a questões morais" no contexto de uso, Millar argumenta que os designers devem encontrar formas de incorporar as preferências do utilizador para evitar relações paternalísticas injustificáveis entre a tecnologia e o utilizador.
Por o problema do túnel se concentrar em questões de design ética em tecnologias semi-autónomas, é considerado um problema em roboética.
Resposta pública Roger Crisp apresentou o problema do túnel no blogue de Ética Prática da Universidade de Oxford. A publicação contem uma análise do problema como apresentado por Millar.
O problema do túnel foi o foco de um inquérito conduzido pela Iniciativa Aberta de Roboética. Em resposta, 64% dos participantes disseram que o carro deveria continuar em frente e matar a criança, enquanto 36% disseram que deveria desviar-se a matar o passageiro. Além disso, 48% dos participantes relatou que a decisão foi "fácil", enquanto 28 e 24% alegaram que era "moderadamente difícil" e "difícil" respetivamente. Quando questionados sobre quem deveria tomar a decisão, apenas 12% sentiram que o designer/fabricante deveria tomar-la, 44% sentiu que o passageiro deveria tomar-la, e 33% pensou que deveria ser deixada para os legisladores.
Categoria:Veículos autônomos Categoria:Ética Categoria:Ética de ciência e tecnologia