O Refúgio de Vida Silvestre Estadual Serra das Aroeiras (RVS Serra das Aroeiras) é uma unidade de conservação de proteção integral situada entre os municípios de Pedro Leopoldo e São José da Lapa, no estado de Minas Gerais, Brasil. Foi criada com o objetivo de "garantir a conservação da flora e da fauna e dos recursos hídricos ali presentes".

Características O RVS Serra das Aroeiras está situada numa área de transição entre o cerrado e a floresta estacional semidecidual (70,2% da cobertura vegetal).

A maior parte do RVS pertence ao município de Pedro Leopoldo (93,73%), com 6,27% no município de São José da Lapa.

Clima Enquadra-se no clima tropical, semi-úmido, com as estações de inverno e verão bem definidas, e temperatura média de 15° a 18° C.

Recursos hídricos O RVS é berço das nascentes de afluentes do ribeirão das Neves, como o córrego da Estiva e o córrego Itaporanga, da sub-bacia do Ribeirão da Mata.

Flora Dentre as espécies vegetais encontradas no RVS, encontram-se a aroeira (Myracrodruon urundeuva), que dá nome à reserva, amarilis (Hippeastrum reginae), gonçalo-alves (Astronium fraxinifolium), ipê-amarelo (Handroanthus chrysotrichus), braúna (Melanoxylon brauna), cedro (Cedrela fissilis) e chagas (Tropaeolum warmingianum).

Fauna Foram contabilizadas 33 espécies de mastofauna, 22 espécies de anfíbios e 36 de répteis. Na avifauna, o cuitelão (Jacamaralcyon tridactyla) é uma espécie ameaçada de extinção.

Atividades O Monte do Cruzeiro, local onde se realizam manifestações culturais, está localizado dentro do RVS Serra das Aroeiras.

Geografia O RVS Serra das Aroeiras situa-se no Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, na unidade geomorfológica dos Patamares de Belo Horizonte, marcada por modelado de dissecação, topos convexos e alta densidade de drenagem. As altitudes variam de cerca de 740 metros, no setor oeste, a aproximadamente 1.000 metros na porção central, onde se localiza o Pico da Serra das Aroeiras, na Fazenda do Moinho. Predominam Argissolos, Latossolos e Cambissolos sobre relevo ondulado a forte ondulado; em diversos setores as declividades superam 30%, conferindo ao terreno elevada fragilidade ambiental. A unidade fica a oeste da área cárstica de Lagoa Santa e, junto ao Parque Estadual Serra do Sobrado — distante cerca de 3 km, em São José da Lapa —, constitui um dos principais remanescentes florestais dessa região, contribuindo para a conectividade ecológica entre áreas protegidas do Vetor Norte metropolitano.

Criação A criação da unidade teve início em 2009, com a elaboração de um estudo técnico pela organização Ambiente Brasil, seguido de consultas públicas com proprietários e a sociedade civil para a definição de seus limites, até a edição do Decreto Estadual nº 46.317, de 23 de setembro de 2013. O refúgio integrou o Sistema de Áreas Protegidas do Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, voltado à conservação do patrimônio natural e histórico-cultural da região. O plano de manejo da unidade, instrumento que orienta sua gestão, começou a ser elaborado em dezembro de 2020, no âmbito de uma medida de compensação ambiental decorrente de licenciamento minerário.

Conservação e ameaças Cercado por áreas de expansão urbana — entre elas os núcleos de Manuel Brandão, Vera Cruz de Minas e Alto de Maravilhas —, o refúgio enfrenta pressões como a atividade minerária, a expansão imobiliária e a supressão da vegetação nativa, além do pisoteio de gado; tais pressões tornam o monitoramento e a fiscalização desafios permanentes para a gestão da unidade. Sua proteção é considerada estratégica para a manutenção dos remanescentes de Mata Seca e de cerrado e para a conservação dos recursos hídricos da região. O plano de manejo dividiu a área em zonas de manejo — como as zonas de conservação, de uso moderado e de adequação ambiental — e definiu uma zona de amortecimento no entorno. Por ser um refúgio de vida silvestre, a unidade é de proteção integral, admitindo essencialmente usos indiretos dos recursos naturais. A ocorrência de espécies ameaçadas, como a ave cuitelão, reforça a relevância da unidade para a conservação da biodiversidade local, num contexto de forte pressão urbana sobre os fragmentos naturais da franja norte da capital mineira, Belo Horizonte.

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