Climáximo é um colectivo português de ativismo climático, sediado sobretudo em Lisboa, que se apresenta como um movimento aberto, horizontal e anticapitalista, integrado no movimento internacional pela justiça climática. O grupo defende a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, a justiça climática, a transição energética e social e, em vários textos próprios, a mudança sistémica e a crítica ao capitalismo fóssil.
Desde o final da década de 2010, o Climáximo participou em greves climáticas, acampamentos, campanhas contra a exploração de gás e petróleo e acções de desobediência civil. A partir de 2021, ganhou maior visibilidade mediática devido a bloqueios de infraestruturas e vias rodoviárias, protestos junto de empresas e ministérios, acções com tinta ou corante vermelho, detenções de activistas e processos judiciais relacionados com desobediência e atentado à segurança rodoviária.
Organização e posições esquerda|miniaturadaimagem|Faixa do Climáximo numa manifestação do Dia Internacional da Mulher, com a palavra de ordem “transição justa e ecofeminista”. O Climáximo descreve-se como um colectivo aberto e horizontal, sem estrutura partidária formal, e afirma fazer parte do movimento internacional pela justiça climática, identificando-se como anticapitalista, defendendo uma ruptura com o modelo económico baseado nos combustíveis fósseis, incluindo medidas como o fim de novos projectos fósseis, o encerramento programado de infraestruturas poluentes, a redução do poder económico das empresas fósseis e o combate à publicidade associada a esses sectores.
A organização enquadra a crise climática como uma crise social, económica e política, relacionando-a com desigualdade, pobreza energética, custo de vida, guerra, militarização e lucros empresariais. Essa leitura levou o colectivo a alargar o âmbito das suas acções para além do ambientalismo clássico, dirigindo protestos contra empresas de combustíveis fósseis, entidades financeiras, empresas de defesa, ministérios, partidos políticos e grandes superfícies comerciais.
A ativista Matilde Alvim pertence a este colectivo.
História Primeiras campanhas O Climáximo desenvolveu actividade pública no contexto do crescimento do movimento climático em Portugal, participando em mobilizações de rua, greves climáticas e acampamentos de acção. Em 2019, integrou iniciativas associadas à Greve Climática Global, que decorreu entre 20 e 27 de Setembro, e participou em acções em Lisboa juntamente com a Extinction Rebellion Portugal e a Greve Climática Global, que segundo o movimento culminou numa das maiores mobilizações climáticas realizadas em Portugal e na ocupação da Avenida Almirante Reis, em frente ao Banco de Portugal.
No mesmo ano, o colectivo esteve ligado ao Camp-in-Gás, na Bajouca, no concelho de Leiria, uma mobilização contra a exploração de gás fóssil e a favor da justiça climática, que reuniu participantes portugueses e estrangeiros.
Bloqueio da refinaria de Sines miniaturadaimagem|282x282px|Manifestação contra a exploração petrolífera ao largo de Portugal. Em Novembro de 2021, mais de uma centena de activistas do Climáximo bloquearam durante várias horas acessos à refinaria da Galp em Sines, descrita pelo movimento como a infraestrutura com maiores emissões de gases com efeito de estufa em Portugal. A acção foi apresentada pelo colectivo como uma intervenção de desobediência civil não violenta, exigindo menos emissões, transição justa e democracia energética. Os activistas afirmaram ter deixado entrar e sair trabalhadores, distribuíram panfletos e declararam a acção bem-sucedida após contacto com representantes dos trabalhadores da Petrogal.
Bloqueios de trânsito em Lisboa esquerda|miniaturadaimagem|265x265px|Manifestação do Climáximo com bloqueio de estrada. A partir de 2023, o Climáximo passou a ser frequentemente noticiado por bloqueios de vias em Lisboa. Em 3 de Outubro de 2023, nove activistas foram detidos pela Polícia de Segurança Pública depois de bloquearem temporariamente a 2.ª Circular. Dois activistas penduraram-se numa ponte pedonal com cabos e tiveram de ser retirados pela PSP e por bombeiros; o movimento afirmou que embora o bloqueio durasse apenas alguns minutos, a disrupção na via prolongou-se por cerca de duas horas.
No dia seguinte, activistas voltaram a cortar o trânsito em Lisboa, incluindo na Rua de São Bento. Três jovens foram posteriormente julgadas por crimes de desobediência e atentado à segurança de transporte rodoviário, no primeiro julgamento de manifestantes ligados ao movimento ambientalista. As arguidas bloquearam o trânsito durante cerca de 20 minutos, num protesto não autorizado. O juiz afirmou no início do julgamento que as arguidas tinham percebido os avisos da polícia e recusado abandonar a via, sabendo que incorriam em desobediência qualificada.
Em Outubro de 2023, realizaram outro bloqueio de acesso em Lisboa, com activistas sentados na via e dois elementos suspensos por cordas num viaduto com uma faixa que dizia: “O Governo e empresas declararam guerra à sociedade e ao Planeta”. Segundo a mesma notícia, antes da chegada da PSP alguns automobilistas e motociclistas revoltaram-se e arrastaram jovens activistas para o passeio.
Na sequência dos protestos com bloqueios e tinta, o PAN, PEV, Livre e Bloco de Esquerda recusaram associar-se às formas de protesto do movimento. Inês Sousa Real, porta-voz do PAN, afirmou defender a cidadania activa e participativa, mas “de forma positiva”, sem “ataques que em nada valorizam a causa”, considerando que os protestos tinham “extravasado o razoável” e representavam “um caminho perigoso” que não credibilizava a causa ambiental.
Em Maio de 2026, apoiantes do Climáximo bloquearam a Avenida Almirante Gago Coutinho, junto ao Areeiro, numa acção associada à tempestade Kristin, na qual os activistas protestaram contra a indústria dos combustíveis fósseis e contra a resposta do Governo às consequências da tempestade, usando a palavra de ordem “A Kristin tem culpados”.
Aeroporto de Lisboa miniaturadaimagem|267x267px|Manifestação do Climáximo contra a expansão do Aeroporto de Lisboa e pela redução da aviação. Em 1 de Junho de 2025, cerca de 50 activistas participaram num protesto junto ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, convocado pelo Climáximo para “travar a crise climática” e exigir transportes gratuitos. A marcha durou quase 40 minutos e parou a circulação na zona da Rotunda do Relógio; quatro a seis activistas foram detidos por desobediência, sendo libertados antes da meia-noite.
Acções com tinta e corante Em 30 de Outubro de 2024, apoiantes do Climáximo tingiram de vermelho a fonte do edifício da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa, onde funcionam vários ministérios do Governo. A acção foi apresentada como protesto contra a proposta de Orçamento do Estado, que o movimento classificava como “criminosa”. O vermelho alegadamente simbolizava o “sangue nas mãos” do Governo por alimentar a crise climática.
Em 11 de Maio de 2026, apoiantes do movimento mancharam com tinta vermelha a fachada da empresa Thales, em Paço de Arcos, e pintaram a palavra “Genocida” no edifício. O protesto visava a indústria militar, a militarização da sociedade e aquilo que o colectivo descrevia como “imperialismo fóssil”. O movimento acusou a empresa de produzir mísseis, carros de combate, drones e tecnologias usadas para vigilância e aniquilação de alvos.
Retirada de bens de supermercado Em 14 de Maio de 2026, uma dezena de apoiantes do Climáximo entrou num supermercado Continente no Campo Pequeno, em Lisboa, de onde retirou alimentos e artigos de higiene pessoal sem os pagar, distribuindo-os depois junto à Estação do Oriente. A acção foi divulgada pelo movimento sob o mote “Eles comem tudo e não deixam nada”. O colectivo enquadrou a acção como protesto contra os lucros das grandes superfícies em contexto de “guerra fóssil” e como alerta sobre o impacto da crise climática nos sistemas alimentares. Os bens retirados foram descritos como pão, fórmula para bebé, latas de atum, pasta de dentes e pensos higiénicos, e citou o comunicado do movimento segundo o qual a acção denunciava os lucros extraordinários de grandes superfícies como o Continente e o Pingo Doce num contexto de aumento do custo de vida.
Processos judiciais e detenções Várias acções do Climáximo resultaram na detenção, identificação ou acusação de activistas pelas autoridades. Em Outubro de 2023, nove activistas foram detidos pela Polícia de Segurança Pública depois de bloquearem temporariamente a 2.ª Circular, em Lisboa. No mesmo mês, três activistas começaram a ser julgadas por crimes de desobediência e atentado à segurança de transporte rodoviário, relativos a um protesto realizado em 4 de Outubro de 2023, em São Bento, no qual tinham bloqueado o trânsito durante cerca de 20 minutos.
Em Janeiro de 2024, três activistas do Climáximo foram condenados a penas de multa por terem impedido a circulação automóvel em Lisboa, relativo a um corte de estrada no cruzamento da Avenida de Berna com a Avenida 5 de Outubro, após o qual os activistas foram detidos pela PSP, constituídos arguidos e sujeitos a termo de identidade e residência.
No caso do Aeródromo Municipal de Cascais, em Tires, o Ministério Público acusou seis activistas do Climáximo que, em Dezembro de 2023, tinham entrado na zona reservada do aeródromo, pintado um jacto privado e bloqueado a aeronave com os seus corpos. Segundo o DIAP de Cascais, os arguidos foram acusados, em processo abreviado, de introdução em lugar vedado ao público, atentado à segurança de transporte por ar, água ou caminho-de-ferro, dano qualificado, dano e desobediência.
Em Março de 2024, o Ministério Público de Lisboa informou que tinham sido instaurados, até ao final de Fevereiro, 32 processos criminais relacionados com acções de protesto de activistas do clima, envolvendo crimes como desobediência, atentado à segurança de transporte rodoviário, resistência e coacção ou dano qualificado. Segundo a mesma nota, quatro processos tinham já sido julgados em processo sumário no Juízo de Pequena Criminalidade de Lisboa: em dois deles, arguidos foram condenados pelo crime de atentado à segurança de transporte rodoviário em penas de um ano de prisão substituídas por multa; noutro, seis arguidos foram condenados por desobediência, com pena de multa substituída por admoestação; e, num quarto processo, três arguidos foram condenados por atentado à segurança de transporte rodoviário, desobediência e desobediência qualificada, em pena única de multa.
Em 9 de Março de 2024, três activistas do Climáximo foram detidos depois de bloquearem durante cerca de meia hora a Rua da Escola Politécnica, em Lisboa. Segundo a Lusa, citada pela Renascença, a acção gerou protestos de automobilistas e populares; um condutor arrastou um dos manifestantes para o passeio e alguns transeuntes insultaram os activistas.
Em Abril de 2024, onze apoiantes do Climáximo começaram a ser julgados pelo bloqueio da Avenida Engenheiro Duarte Pacheco, em Lisboa, ocorrido em Dezembro de 2023. Os arguidos, com idades entre 20 e 58 anos, foram acusados de desobediência e interrupção das comunicações, podendo enfrentar penas superiores a um ano de prisão. Em Julho do mesmo ano, activistas do movimento foram condenados a pena suspensa de ano e meio, num julgamento em que respondiam pelos crimes de desobediência e atentado à segurança de transporte rodoviário; na leitura da sentença, o juiz considerou, contudo, que não havia prova relativamente a três elementos que estavam pendurados numa ponte sobre a avenida.