A astragalina, cientificamente designada por caempferol-3-O-β-D-glucósido, constitui um metabolito secundário polifenólico integrado na classe dos flavonoides e na subclasse dos flavonóis, cuja estrutura molecular resulta da condensação glicosídica da aglicona caempferol com uma unidade de D-glucose na posição C-3 do anel pirânico. Este composto fitoquímico cristalino e amarelado encontra-se amplamente disseminado no reino vegetal, registando-se a sua presença em densidades significativas numa multiplicidade de espécies botânicas com propriedades bioativas, entre as quais se destacam o chá verde (Camellia sinensis), o gincgo (Ginkgo biloba), a amora-branca (Morus alba) e a icónica raiz de Astragalus membranaceus, a partir da qual foi historicamente batizado. Do ponto de vista biofísico, a molécula apresenta um peso molecular de 448,38 g/mol, uma solubilidade aquosa moderada que dita o seu comportamento hidrodinâmico e propriedades farmacocinéticas específicas que governam a sua estabilidade metabólica, absorção intestinal e subsequente distribuição sistémica nos tecidos periféricos de organismos mamíferos.

No plano dos mecanismos de ação molecular e farmacodinâmica, a astragalina atua como um agente terapêutico pluripotencial através da modulação concertada de diversas cascatas de sinalização intracelular ligadas ao stress oxidativo, à inflamação crónica e à homeostase celular. A sua capacidade antioxidante intrínseca manifesta-se quer pela captação direta de espécies reativas de oxigénio (ROS), quer pela ativação concertada do fator nuclear eritroide 2 relacionado ao fator 2 (Nrf2), o qual transloca para o núcleo celular e desencadeia a transcrição de enzimas antioxidantes endógenas como a dismutase de superóxido (SOD), a catalase e a oxigenase de heme 1 (HO-1). Paralelamente, o seu perfil anti-inflamatório assenta na inibição alostérica ou a montante da via do fator nuclear capa B (NF-κB) e das cinases de proteínas ativadas por mitógenos (MAPK), bloqueando a transcrição e libertação de citocinas pró-inflamatórias críticas, como o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), as interleucinas IL-1β e IL-6, bem como das enzimas indutíveis ciclo-oxigenase 2 (COX-2) e sintase de óxido nítrico indutível (iNOS).

No vasto espetro das suas aplicações biomédicas e ensaios pré-clínicos, este flavonol demonstra uma eficácia assinalável na mitigação de patologias metabólicas, oncológicas, cardiovasculares e neurodegenerativas. Em modelos de oncologia experimental, a astragalina exibe propriedades quimiopreventivas ao induzir a paragem do ciclo celular na fase G2/M, ao ativar as caspases promotoras de apoptose e ao suprimir vias associadas à angiogénese e à transição epitélio-mesenquimal, aspetos cruciais para travar a progressão metastática de linhagens tumorais gástricas, hepáticas e pulmonares. Adicionalmente, as suas propriedades citoprotetoras revelam-se vitais no sistema nervoso central, onde atenua a neurotoxicidade induzida pelo peptídeo beta-amiloide e protege a barreira hematoencefálica contra lesões de isquemia-reperfusão, ao mesmo tempo que atua na periferia regulando a homeostase glicémica através da ativação da cinase de proteínas ativada por AMP (AMPK). Perante este cenário, embora a astragalina se afirme como um candidato de excelência para a formulação de novos fármacos e nutracêuticos, a investigação atual direciona-se para o desenvolvimento de sistemas de entrega em nanoescala, como lipossomas e nanopartículas poliméricas, de modo a contornar a sua baixa biodisponibilidade oral e potenciar a sua eficácia terapêutica em ensaios clínicos humanos.

Categoria:Antioxidantes Categoria:Fitoquímicos