Tempestade no cais do Tréport (título original em francês: Tempête sur la jetée du Tréport) é um curta-metragem mudo francês de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès e lançado pela Star Film. Registrado sob o número 63 do catálogo Star Film, é uma cena de atualidade que registrava uma tempestade sobre a jetée de Le Tréport, cidade costeira da Normandia, no Canal da Mancha.O termo francês jetée designa uma estrutura de alvenaria ou pedra que avança sobre o mar a partir da costa, com a função de proteger a entrada de um porto ou balneário das ondas. Difere de um simples cais de atracação (quai): a jetée é construída para quebrar o impacto das ondas, e não primariamente para embarque e desembarque. O título PT-BR adota "cais" por ser o termo mais natural em português brasileiro para designar estruturas costeiras desse tipo. O filme é atualmente considerado perdido.
Enredo
Não há descrição do catálogo Star Film para este título e nenhuma cópia sobreviveu. Seguindo a convenção dos filmes de atualidade do período, o título é a descrição do conteúdo: o filme mostrava ondas e ventos de uma tempestade batendo sobre a jetée de Le Tréport.
Produção
Le Tréport e as férias do Théâtre Robert-Houdin
Le Tréport é uma cidade portuária e balneária situada na costa da Normandia, no departamento de Seine-Maritime, à beira do Canal da Mancha. Distante cerca de 170 quilômetros de Paris e acessível de trem a partir de 1872, era um dos destinos de veraneio mais frequentados pelos parisienses no final do século XIX.Le Tréport tornou-se acessível a partir de Paris com a inauguração da estação pela Compagnie du chemin de fer du Tréport em 12 de maio de 1872. Em 1873, a companhia já operava trens especiais de "banhos de mar" a partir de Paris-Nord. A proximidade com a capital francesa e a beleza de seus penhascos calcários tornaram-na destino popular de veraneio burguês.
Malthête e Mannoni identificam este filme entre os títulos provavelmente realizados durante o período de férias coletivas do Théâtre Robert-Houdin, que ocorria anualmente entre 14 e 31 de julho. Durante esse período, Méliès deslocava-se para locações externas — predominantemente na Normandia — para produzir cenas de atualidade que complementavam o repertório de filmagens de estúdio e de rua em Paris. O #63 integra um conjunto mais amplo de filmes costeiros e normandos desse período de férias, que inclui, entre outros, Plage de Villers par gros temps (#28), Barque sortant du port de Trouville (#31), Jetée et plage de Trouville (#32 e #33) e Panorama du Havre (pris d'un bateau) (#34).
A tempestade como tema cinematográfico
A filmagem de condições climáticas extremas — tempestades, ondas altas, mares revoltos — era um tema recorrente no cinema de atualidades do período. A capacidade da câmera de registrar o movimento da água e a força dos ventos era percebida como uma demonstração do poder do novo meio, e essas imagens atraíam o público tanto pela novidade tecnológica quanto pelo espetáculo natural em si. Méliès explorou esse tema em outros filmes do mesmo período, como Plage de Villers par gros temps (#28) e Marée montante sur brise-lames (#59).
Contexto no catálogo
Registrado sob o número 63 do catálogo da Star Film, Tempestade no cais do Tréport é precedido por Réunion d'officiers (#62) e seguido por Le Bivouac (#64). Cada bobina de 20 metros correspondia a um único número de catálogo e equivalia a aproximadamente um minuto de projeção — convenção adotada sistematicamente pela Star Film em sua primeira fase de produção.
Preservação
O filme é considerado perdido. Nenhuma cópia ou fragmento foi localizado em arquivos ou coleções conhecidas.
Notas
Ver também
Georges Méliès Star Film Company Le Tréport Normandia Filme perdido
Referências
Ligações externas
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