miniaturadaimagem|250x250px|José Xavier de Almeida, fundador e figura principal do xavierismo; enquanto era deputado federal por Goiás, 1900 O xavierismo foi uma ideologia política brasileira vigente no estado de Goiás durante o começo do século XX, na década de 1900; no contexto do coronelismo, da Política dos governadores e da Primeira República Brasileira. Era centrada no então presidente do estado, José Xavier de Almeida, que foi também deputado estadual e federal e secretário de Justiça da mesma unidade federativa, e conjunto com seu grupo político, que se pôs em oposição ao bulhonismo e ao caiadismo; embora incialmente fosse ligado às ideologias supracitadas. As principais bases do xavierismo foram o arrocho fiscal, o federalismo e políticas mais progressistas no campo da educação e desenvolvimentismo. Além disso, nota-se políticas de conciliação partidária, denominada de congraçamento, consistindo na união com antigos adversários e oposições políticas. De 1903 até 1909, essa ideologia predominou a administração do Estado e o comando do Partido Republicano de Goiás.
Contexto histórico
Origem e rompimento com o bulhonismo Em meio à ascensão política de José Xavier de Almeida, filiado ao Centro ou Partido Republicano de Goiás, inicialmente aliado ao grupo de José Leopoldo de Bulhões Jardim (cujo ideologia denominava-se pelo segundo sobrenome do mesmo), surge sua própria ideologia política, alinhada ao Governo Campos Sales e sua Política dos governadores. Em 1901, no mês de março, Almeida, que era deputado federal por Goiás, renuncia para disputar a Presidência do seu estado; pleito que ele venceria e seria empossado no cargo dois meses depois.
Fundação da Academia de Direito de Goiás O marco inicial do xavierismo, todavia, não é a assunção de José Xavier à presidência estadual de Goiás, mas sim a criação da Academia de Direito de Goiás, umas das primeiras instituições de ensino superior do país e que seria Faculdade integrante da Universidade Federal de Goiás. Tal ato se deu enquanto Xavier de Almeida era Secretário de Justiça e do Interior do governo de Urbano de Gouveia, por meio da Lei Ordinária n.º 186, de 13 de agosto de 1898. A instalação efetiva da faculdade se deu em 24 de fevereiro de 1903, nos últimos anos da já presidência de Xavier de Almeida sob Goiás. Em seguida, a Academia de Direito de Goiás passaria a ser vista como símbolo do xavierismo na educação.
Políticas fiscais, partidárias e desalinhamento com os Bulhões Durante os três primeiros anos de presidência no estado de Goiás, José Xavier de Almeida manteve quase todas as práticas anteriormente feitas pela máquina da administração, controlada pelos Bulhões e manteve o secretariado de seu antecessor, o bulhonista Urbano de Gouveia. O que efetivou o começo do rompimento pessoal e político dos líderes das facções bulhonistas e xavieristas, foi o casamento de José Xavier de Almeida com Amélia Lopes de Morais, da família Lopes de Morais, chefiada pelo patriarca Hermenegildo, histórico opositor e rival de Leopoldo de Bulhões.
Em seguida, Xavier de Almeida divergiu mais ainda de seu antigo padrinho político, ao começar a política de congraçamento, que consistia em efetivar alianças político-partidárias com antigos desafetos e opositores políticos, tanto de Bulhões quanto de Almeida, dentre esses estavam os Caiados, encabeçados por Antônio Totó Ramos Caiado, Gonzaga Jaime, Sebastião Fleury Curado. Seguiu ainda promovendo políticas de fiscalização econômica e uma severa observância nas arrecadações de impostos, promovendo cortes de gastos considerados excessivos ou desnecessários; o que afetou e irritou a ala bulhonista.
Revolução de 1909 e legado Consequentemente às reformas de José Xavier, e ao fato de ter descentralizado a política das mãos do Bulhões, especialmente a partir das Eleições estaduais em Goiás em 1905 e sua crise dos dois presidentes, na qual os Bulhões reivindicaram a vitória eleitoral sobre o candidato eleito pelas urnas, o xavierista Miguel da Rocha Lima; iniciou-se conspirações para desestabilizar Xavier de Almeida eleitoralmente e, caso isso não funcionasse, seguir com um golpe de Estado.
Com os resultados dados aos candidatos xavieristas, especialmente após as depurações da Comissão verificadora dos poderes nas eleições legislativas, e em seguida, nas eleições ao Executivo goiano em 1909, seguiu-se o plano de Bulhões. A instabilidade política que se iniciou fez Rocha Lima licenciar-se do cargo, sobrando apenas um vice-presidente leal ao governo, dado o fato que José da Silva "Zeca" Batista, terceiro-vice-presidente do Estado e próximo na linha de sucessão, era aliado aos Bulhões.
Seguiu-se a partir de 7 de abril daquele ano, a movimentação armada e golpista denominada Revolução de 1909; que estava com ostesiva quantidade de soldados, especialmente pela aliança do marechal Brás Abrantes ao grupo de Leopoldo de Bulhões. O governo Afonso Pena, após inúmeras solicitações do xavierista e filho do presidente estadual eleito homônimo, Hermenegildo Lopes de Morais Filho, enviou o 8.º Batalhão de Caçadores do Exército Brasileiro para dar suporte bélico, enviando canhões e armas. Todavia, pouco tempo após o envio do auxílio Afonso Pena morreu em 14 de junho de 1909, e seu sucessor, Nilo Peçanha, não apenas dispensou o 8.º BC como nomeou para ser o seu Ministro da Fazenda, o próprio Bulhões. Tal ato deu viés institucional para a ação golpista, pouco tempo depois, resultou na renúncia de Francisco Bertoldo de Sousa e na assunção de Zeca Batista, que iniciou os trâmites para entregar o governo aos seus aliados bulhonistas. Categoria:Ideologias do Brasil Categoria:Ideologias políticas Categoria:Ideologias de centro-direita Categoria:Política de Goiás Categoria:Revolução de 1909 Categoria:Ideologias políticas epônimas