Bicho do Mato é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Record entre 18 de julho de 2006 até 20 de março de 2007, totalizando 211 capítulos originais, substituindo Prova de Amor e sendo substituída por Luz do Sol. Foi a 5ª telenovela transmitida pela emissora desde a retomada da produção de teledramaturgia em 2004.

Escrita por Cristianne Fridman e Bosco Brasil, com colaboração de Camilo Pellegrini, Maria Cláudia Oliveira e Valeria Motta, supervisão de texto de Tiago Santiago, sob a direção de Edson Spinello, Roberto Bomtempo e César Rodrigues e direção geral de Edson Spinello e é um reboot da telenovela telenovela homônima, produzida pela Rede Globo em 1972.

Conta com André Bankoff, Renata Dominguez, Jonas Bloch, Beatriz Segall, Miriam Freeland, Ana Beatriz Nogueira, Adriana Garambone e Bia Seidl nos papéis principais.

Enredo Na região pantaneira do Mato Grosso, Juba (André Bankoff) foi criado desde pequeno apenas pelo pai, Fernando (Jairo Mattos) na Fazenda Boa Esperança, vivendo harmoniosamente junto à natureza e à aldeia indígena dos Guaporá – tribo da qual descende os irmãos Irú (Raphael Viana), seu melhor amigo, e Tiniá (Thaís Fersoza), que é apaixonada por ele. Sua mãe, Laura (Bia Seidl), se mudou para o Rio de Janeiro e casou-se com o poderoso Ramalho Rodrigues (Jonas Bloch), um empresário frio e inescrupuloso, que sempre ambicionou as terras da Boa Esperança e dos Guaporá, onde está localizada uma enorme mina de diamantes. Auxiliado por seu capanga Brandão (Luiz Guilherme) e pelo vaqueiro Piauí (Roberto Bomtempo) - este último funcionário da fazenda - Ramalho mata Fernando, que nunca permitiu a exploração em suas terras.

Inconformado, Juba parte para a capital carioca afim de encontrar o assassino do pai, indo morar com seus tios, o bondoso Alfredo (Paulo Gorgulho) e a divertida perua Alzira (Denise Del Vecchio), enfrentando preconceito e choque cultural por estar em uma realidade completamente diferente da sua. Ele acaba encontrando apoio em Cecília (Renata Dominguez), jovem médica com um forte senso de justiça. Os dois acabam se apaixonando, mas precisam lidar com o ódio do playboy Emílio (Marcos Mion), primo de Juba e namorado dela. Já a ardilosa e desequilibrada Ruth (Miriam Freeland), colega de Cecília na universidade, se faz passar por sua amiga, mas sempre nutriu inveja dela, unindo-se a Ramalho para prejudicar tanto ela, como Juba. Sua irmã, Lili Sampaio (Ana Beatriz Nogueira), é uma famosa jornalista investigativa que vive no encalço de Ramalho e faz de tudo para expor seus crimes na mídia.

Betinha (Amandha Lee) é uma jovem mimada e gananciosa, que envergonha-se de sua origem humilde, desprezando os pais, Túlio (Ewerton de Castro), motorista de Ramalho, e Wanda (Regina Dourado), faxineira da universidade. Fazendo-se passar por aluna rica da instituição, Betinha seduz o rebelde Tavinho (Márcio Kieling), filho de Laura e Ramalho, com quem planeja se casar para adentrar no mundo da alta sociedade, não se importando de ficar na mira de Ramalho ou passar por cima dos próprios pais para conseguir isso.

No Pantanal, a cozinheira Francisca (Angelina Muniz) ajudou a criar Juba desde pequeno e vive um namoro de anos com Geraldo (Sérgio Reis), capataz da fazenda, que vive fugindo da ideia de se casar. O relacionamento dos dois é abalado com a chegada do misterioso peão Mariano (Almir Sater) à região. Ele é, na realidade, um policial que busca vingança contra Ramalho, responsável pela chacina que matou sua esposa no passado. Na região também vive o atrapalhado Delegado Maurinho (Castrinho), sujeito covarde e corrupto que vive fazendo corpo mole para os crimes ocorrentes no local, deixando todo o trabalho para seu subordinado Teleco (Mateus Rocha), que por sua vez é apaixonado por Tiniá. No passado, Maurinho abandonou sua esposa Jurema (Ana Rosa), amiga de Wanda, que desde então busca reencontrá-lo para um acerto de contas.

Já a amargurada Bárbara (Beatriz Segall) é uma milionária que criou os netos Cecília e Ruyzinho (Daniel Garcia), após a morte dos filhos em um acidente no Pantanal, fato que a faz nutrir ódio pela região e não aceitar o relacionamento da neta com Juba, por considerá-lo um "selvagem" e "bicho do mato". Seu coração, no entanto, é amolecido ao descobrir a existência de uma outra neta, a indiazinha Jaci (Juliana Xavier), fazendo de tudo para ganhar a guarda da menina e afastá-la da mãe, Iara (Valéria Alencar). Já a modelo Sílvia (Adriana Garambone) viu sua carreira entrar em declínio após se afundar no alcoolismo e ter um caso com Ramalho, que a seduz e a usa como "mula" para transportar ilegalmente pedras preciosas para o exterior. Ela acaba encontrando forças para sobreviver ao se apaixonar por Emílio, rapaz bem mais jovem que ela.

Nos últimos capítulos da trama, o vilão Ramalho é assassinado no trem-fantasma de um parque de diversões, após ter sequestrado Ruyzinho em troca de seu pedaço de diamante. Ao final, a assassina revela-se Lili Sampaio, que fora, secretamente, sua cúmplice em diversos crimes.

Produção 200px|thumb|Pôster de divulgação da novela Em dezembro de 2005 a sinopse de Cristianne Fridman e Bosco Brasil foi aprovada e a novela entrou em fase de pré-produção. Na época a trama foi anunciada sob o título de À Flor da Pele e, posteriormente, de O Bicho. Em janeiro de 2006, porém, foi anunciado que o título definitivo seria Bicho do Mato, aproveitando a história da novela homônima de 1972, a qual inspirou o reboot de Cristianne e Bosco.

Originalmente a novela estava prevista para estrear em 12 de junho, porém, pela extensão de Prova de Amor, acabou passando para 10 de julho e foi novamente adiada, estreando em 18 de julho de 2006. Durante as filmagens da novela foram utilizados 250 figurantes. Uma das exigências da direção foi que toda a equipe, incluindo os atores, tivessem que tomar vacinas contra malária, febre amarela e demais doenças antes de viajarem ao Pantanal gravar, prevenindo-os.

Cada capítulo de Bicho do Mato teve o orçamento avaliado em 150 mil reais. Este foi o maior valor investido em uma trama da emissora até então

Foi o primeiro trabalho como diretor de Roberto Bomtempo, que viria a exercer este cargo na emissora em diversas outras tramas, além de se tornar preparador de elenco a partir de então.

Locações e cenografia

Originalmente era planejado que a novela seria gravada no Mato Grosso do Sul, utilizando a cidade de Bonito como principal locação. Porém Carlos Dorielo, diretor do Grupo Gazeta, a maior empresa de comunicação do centro-oeste, negociou com a Record para que a trama fosse gravada no Mato Grosso, visando expandir o turismo para o estado e oferecendo uma parceria com empresários locais e o governo estadual para que fosse viabilizado a gravação naquela parte do Pantanal: "Valeu pela luta, o sacrifício de trazer parte das gravações para Mato Grosso. A iniciativa é muito importante para o estado. Mesmo antes do lançamento da novela as pousadas e hotéis do Pantanal já estão movimentados. Isso é reflexo da novela".

Antes do início das gravações, o diretor Edson Spinello e a atriz Renata Dominguez estiveram em Cuiabá, no Mato Grosso, para escolher algumas cidades que receberiam as gravações e conversar com grupos culturais do estado e pegar referências para construir o perfil dos personagens.

thumb|right|240px|A Chapada dos Guimarães foi cenário para Bicho do Mato. Além disso, foram selecionadas algumas pessoas ligadas às tradições folclóricas para participarem de algumas cenas cenas da novela, incluindo as competições de provas de laço e de churrasco pantaneiro. A primeira gravação ocorreu na cidade de Poconé, cidade no interior do Pantana, colocando o Pantanal como pano de fundo para se contar a histórial. Outras cidades mato-grossenses foram utilizadas para as gravações da novela, incluindo Nobres, Chapada dos Guimarães e Cáceres, todas situadas aos arredores da rodovia MT-060 Transpantaneira, facilitando o acesso e o transporte dos equipamentos e da equipe. Durante um dos dias de gravação houve uma invasão de besouros no hotel em que o elenco estava hospedado, o que culminou na transferência de Renata Dominguez, que era alérgica, para um chalé em Cuiabá, locomovendo-se a cada dia de gravação.

As cenas nos rios da região tiveram que ser gravadas em um ritmo acelerado e com diversos cortes para que o elenco ficasse o menor tempo possível dentro da água, uma vez que os rios mato-grossenses são habitados por várias espécies de piranhas. Para as cenas da fazenda e demais cenários adjacentes, como a tribo indígena dos Guaporás, a emissora locou uma fazenda em Barra Mansa, no Rio de Janeiro, onde foram construidas várias casas cenográficas e instalações que serviriam para diversas locações. miniaturadaimagem|direita|Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) em 2009. A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) serviu de locação fixa para a universidade fictícia da novela, tendo as cenas gravadas aos finais de semana.

Escolha do elenco thumb|esquerda|270px|Raphael Viana (esquerda) como o índio Irú e André Bankoff (direita) como Juba. Renata Dominguez foi escalada para interpretar a protagonista Cecília em março de 2006, tendo que deixar a telenovela Prova de Amor, antecessora de Bicho do Mato, antes de seu fim para poder iniciar as gravações. Em abril foi a vez de André Bankoff ser anunciado como o protagonista Juba, após passar por testes com outros dez atores.

No mês seguinte Márcio Kieling, Regina Dourado, Marilu Bueno, Sérgio Reis, Almir Sater, Sérgio Malheiros e Roberto Bomtempo foram os primeiros atores coadjuvantes anunciados como parte do elenco. Esta foi a terceira vez que Sérgio Reis e Almir Sater contracenaram juntos no mesmo núcleo, repetindo a parceria antes feita em Pantanal e O Rei do Gado, no qual também interpretaram peões.

Bicho do Mato foi a primeira novela completa de Beatriz Segall desde Anjo Mau, em 1997, seu último trabalho realizado do começo ao fim antes de anunciar que se afastaria da televisão para se dedicar ao trabalho e faria apenas participações especiais a partir de então – como ocorreu em O Clone (2001) e Esperança (2002). Beatriz alegou que decidiu aceitar o convite pelo trabalho de Bosco Brasil, com quem já havia trabalhado no teatro: "Já é a terceira vez que a Record me procura. Desta vez, eu estava disponível e deu vontade de fazer televisão. O Bosco Brasil já escreveu muitas coisas boas para o teatro e eu estou confiando nisto. Para mim, o principal é o escritor. Quando a novela é bem escrita, tem muita chance de ser boa". A novela também apostou em jovens atores vindos do teatro, como o protagonista André Bankoff e os atores Raphael Viana, Gabriela Moreyra, Jean Fercondini e Juliana Xavier, além de ser a primeira telenovela de Marcos Mion, que até então dedicava-se apenas como apresentador.

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