Jour de marché à Trouville (em português: Dia de mercado em Trouville) é um curta-metragem mudo francês de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès. Registrado com o número 33 no catálogo da Star Film, o filme é atualmente considerado presumidamente perdido. No catálogo norte-americano, o título foi traduzido como Market Day (Trouville). Trata-se de um actuality film — registro documental de uma cena cotidiana filmada com câmera fixa — rodado em Trouville-sur-Mer, na Normandia, durante a temporada de verão de 1896, quando Méliès realizou uma série de filmagens na cidade.

Contexto

Em 1896, Méliès rodou seus primeiros filmes com sua câmera artesanal, exibindo-os no Théâtre Robert-Houdin, em Paris. O catálogo da Star Film, fundada naquele mesmo ano, numerava cada título de acordo com a ordem de produção, com cada número correspondendo a aproximadamente 20 metros de negativo.

Jour de marché à Trouville é o trigésimo terceiro título do catálogo e integra uma série de filmagens realizadas por Méliès em Trouville-sur-Mer durante o verão de 1896. Os títulos vizinhos no catálogo — Jetée et plage de Trouville (1ª e 2ª partes, nº 30 e 32) e Barque sortant du port de Trouville (nº 31) — confirmam que Méliès passou vários dias na cidade, filmando diferentes aspectos da vida local: a praia, o porto e, com este título, o mercado.

Trouville-sur-Mer em 1896

Trouville-sur-Mer é uma estação balneária situada no Calvados, na Normandia, às margens da Touques, em frente a Deauville. Originalmente um pequeno porto de pesca fundado pelo viking Thorulf — de cujo nome deriva Thorulfvilla, antecedente de Trouville — a cidade começou sua transformação em destino turístico a partir de 1825, quando o pintor Charles Mozin descobriu a localidade e a imortalizou em telas exibidas nos salões parisienses. Artistas como Claude Monet, Eugène Boudin e Gustave Caillebotte, e escritores como Gustave Flaubert e Guy de Maupassant, frequentaram a cidade ao longo do século XIX, consolidando sua reputação como a chamada *reine des plages* (rainha das praias).

Em 1896, Trouville vivia o auge de sua fase áurea como estação balneária. O porto de pesca estava em plena atividade — era o período de maior frota da história da cidade, com um quarteirão marítimo inaugurado em 1882 —, e a cidade atraía veraneantes parisienses a apenas duas horas de trem a partir de Paris. O mercado local, realizado às margens da Touques, era — e continua sendo — um dos elementos mais característicos da vida cotidiana da cidade, reunindo feirantes, pescadores e produtores locais.

Trouville no cinema nascente

A série de Trouville de Méliès integra a fase de actuality films de câmera fixa que caracterizou seus primeiros meses de atividade cinematográfica. Ao filmar a praia, o porto e o mercado da cidade, Méliès documentou três dimensões distintas da vida trouvillaise de 1896: o lazer balnéaire, a atividade pesqueira e o comércio popular. O título seguinte no catálogo, Panorama du Havre (pris d'un bateau) (nº 34), sugere que Méliès continuou sua excursão pela Normandia, deslocando-se de Trouville para Le Havre pelo mar — possivelmente filmando o panorama da cidade durante a travessia.

Preservação

Jour de marché à Trouville é atualmente considerado um filme presumidamente perdido: nenhuma cópia é conhecida por ter sobrevivido. A perda é atribuída à destruição deliberada que o próprio Méliès promoveu em 1923, quando, em meio à ruína financeira, fundiu os negativos de grande parte de sua coleção para recuperar a prata contida na emulsão, e à fragilidade das películas de nitrato de celulose da época. De aproximadamente 520 filmes que Méliès dirigiu entre 1896 e 1912, estima-se que apenas 231 cópias chegaram à atualidade em alguma forma.

Ligações externas

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