Jetée et plage à Trouville (2ème partie) (em português: Píer e praia de Trouville (2.ª parte)) é um curta-metragem francês de filme mudo e documentário de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès. Distribuído pela Star Film, o filme é registrado com o número 32 em seu catálogo, imediatamente após Barque sortant du port de Trouville (n.º 31). Com aproximadamente 20 metros de película, equivalentes a cerca de um minuto de projeção, presume-se registrar o píer e a praia de Trouville-sur-Mer em condições de mau tempo, na mesma estadia normanda que originou o n.º 30 do catálogo. Nenhuma descrição do conteúdo foi localizada nos catálogos da Star Film conhecidos até hoje; o tema é inferido exclusivamente pelo título. O filme é considerado perdido.O título deste filme apresenta uma pequena variação ortográfica em relação ao n.º 30: Jetée et plage de Trouville contra Jetée et plage à Trouville. Ambos os filmes estão perdidos e nenhuma fonte descreve seu conteúdo, o que impede determinar se a diferença é significativa — indicando vistas distintas do mesmo local — ou apenas uma inconsistência tipográfica do catálogo. O catálogo da Star Film registrava cada rolo de 20 metros como número independente, vendido separadamente; os dois títulos são, portanto, comercialmente autônomos, mas sua relação narrativa ou visual permanece desconhecida.
Enredo
Nenhuma descrição do conteúdo foi localizada nos catálogos da Star Film conhecidos até hoje. Presume-se, pelo título, que o filme registre a praia e o píer de Trouville-sur-Mer em condições de mau tempo — possivelmente de um ângulo ou momento diferente do captado no n.º 30. Todo o conteúdo é inferido exclusivamente pelo título.
A praia de Trouville na Belle Époque
A praia de Trouville-sur-Mer era, em 1896, um dos espaços de lazer mais célebres da França. Conhecida como a *"rainha das praias"*, a cidade atraía desde os anos 1830 a burguesia e a bohème parisienses em busca dos banhos de mar que a medicina da época prescrevia como remédio para as doenças da vida urbana. A facilidade de acesso por trem desde Paris — a linha chegara à costa normanda décadas antes — transformou Trouville num destino de fim de semana e de verão para toda uma geração de parisienses que jamais havia visto o mar.
Entre os frequentadores assíduos da praia de Trouville figuram nomes centrais da cultura francesa do século XIX. Claude Monet pintou a praia em 1870, durante sua lua de mel com Camille Doncieux, produzindo uma série de telas que captam o mesmo espetáculo de veranistas elegantes, guarda-sóis e cabines de banho que Méliès provavelmente registrou com sua câmera 26 anos depois. Eugène Boudin, o pintor que mais fielmente documentou a praia de Trouville ao longo de décadas, realizou mais de 300 pinturas marinhas na cidade entre 1860 e 1896 — o mesmo ano das filmagens de Méliès —, imortalizando as mesmas cenas de mar, céu normando e vida balnéaria que a câmera do cineasta buscava captar. Marcel Proust, ainda adolescente, passara temporadas em Trouville com a família nos anos anteriores; a cidade e sua praia deixariam traços reconhecíveis em *Em busca do tempo perdido*, onde a fictícia Balbec é amplamente inspirada na costa normanda.
Em mau tempo — condição que Georges Méliès escolheu deliberadamente para suas filmagens normandas, segundo seus próprios memórias —, a praia de Trouville apresentava um espetáculo visual radicalmente diferente do cenário de elegância e lazer das pinturas de Boudin: as cabines de banho vazias, as ondas quebrando na areia, e a ausência dos veranistas que em dias de sol transformavam a praia numa *"planície imensa cheia de flores"*, nas palavras de Guy de Maupassant sobre Trouville.
Contexto no catálogo Star Film
Jetée et plage à Trouville (2ème partie) ocupa o número 32 no catálogo da Star Film, empresa fundada por Méliès em 2 de dezembro de 1896. O filme encerra a série de três títulos consecutivos dedicados ao porto e à costa de Trouville — Jetée et plage de Trouville (1ère partie) (n.º 30), Barque sortant du port de Trouville (n.º 31) e este n.º 32 —, sendo seguido por Jour de marché à Trouville (n.º 33), que desloca o olhar do cineasta da costa para o interior da cidade.
Preservação
O filme é classificado como filme perdido. O suporte em nitrato de celulose era altamente inflamável e quimicamente instável; parte significativa dos negativos foi destruída pelo próprio Méliès durante a crise financeira que se seguiu à Primeira Guerra Mundial — as películas eram queimadas deliberadamente para fundir a emulsão e recuperar o nitrato de prata nela contido, que tinha valor comercial —, e outra parte foi requisitada pelo exército francês durante o conflito. Estima-se que, dos aproximadamente 520 filmes realizados por Méliès entre 1896 e 1912, apenas cerca de 200 tenham sobrevivido.
Notas
Ver também Georges Méliès Star Film Company Trouville-sur-Mer Jetée et plage de Trouville (1ère partie) Eugène Boudin Marcel Proust Filme perdido Filme mudo Filme de atualidade
Ligações externas
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