A temporada 2002–03 foi a 99.ª temporada do Sport Lisboa e Benfica e a 69.ª temporada consecutiva do clube na Primeira Divisão, o escalão mais alto do futebol português. O clube participou na Primeira Liga, na Taça de Portugal, mas não participou nas competições europeias devido à sua colocação no campeonato da época anterior.
A entrar no seu segundo ano sem competições da UEFA, o apuramento para a Europa era uma das principais prioridades do clube; para melhorar a competitividade, o Benfica contratou alguns dos melhores jogadores nacionais, Ricardo Rocha e Petit, mas também trouxe de volta ex-jogadores, como Hélder e Nuno Gomes. Jesualdo Ferreira manteve-se como treinador para a sua primeira época completa no clube.
A época do Benfica começou com quatro vitórias consecutivas, que colocaram o clube na liderança do campeonato. No final de setembro, sofreram a primeira derrota e entraram numa sequência de jogos sem vencer, descendo para o quinto lugar. Em novembro, o Benfica voltou a vencer, mas os resultados continuaram irregulares e, depois de uma goleada de 7–0 sobre o Paços de Ferreira, perderam com o Varzim. Poucos dias depois, na Taça de Portugal, uma derrota caseira frente ao Gondomar custou o emprego a Jeusaldo. Fernando Chalana substituiu-o por um jogo, antes da nomeação de José Antonio Camacho.
Sob o comando do treinador espanhol, o Benfica recuperou o segundo lugar e foi abrindo gradualmente vantagem sobre o Sporting, terminando com 75 pontos e garantindo um lugar na Liga dos Campeões da UEFA de 2003–04. Mesmo assim, Camacho não conseguiu reduzir a distância para o Porto, que terminou com 11 pontos de vantagem. A época marcou também a última vez que o Benfica jogou no antigo Estádio da Luz, antes da construção de uma nova versão para o Campeonato Europeu de Futebol de 2004. O último jogo foi a 22 de março de 2003, com os restantes jogos a serem disputados no Estádio Nacional do Jamor, em Oeiras.
Resumo da Temporada Pré-Temporada
Embora tenha levado a equipa apenas ao quarto lugar na época anterior, Jesualdo Ferreira manteve-se no comando da equipa, com amplo apoio interno do clube, sobretudo do antigo diretor de futebol Gaspar Ramos e do antigo presidente Manuel Damásio, que o considerou "a melhor solução para liderar o Benfica". Durante o mercado de transferências, Maniche e Robert Enke abandonaram o clube após o término dos contratos; o primeiro transferiu-se para o Porto, e o segundo para o Barcelona. Marco Caneira e Edgaras Jankauskas também saíram, pois o Benfica não renovou os seus contratos de empréstimo; Jankauskas transferiu-se imediatamente para o Porto. O Benfica substituiu Jankauskas por Nuno Gomes, que chegou a custo zero após a falência da Fiorentina. O avançado português marcou 76 golos na sua primeira passagem pelo Benfica; as expectativas eram altas, com multidões a reunirem-se para o ver nos treinos. Juntou-se a um ataque desfalcado, que tinha apenas a nova contratação ex-Porto, Miklós Fehér, como opção, uma vez que Mantorras e Tomo Šokota estavam lesionados. A defesa também foi reforçada, com o Benfica a retornar Hélder Cristóvão após seis épocas no estrangeiro e contratando Ricardo Rocha, jovem central do Braga.
A pré-época começou a 9 de julho com uma semana de treinos antes de o clube viajar para a Suíça no dia 13, onde disputou os seus dois primeiros jogos de pré-época, frente ao Étoile Carouge e ao Auxerre. Depois de um jogo em Palermo frente à Inter de Milão, a 21 de julho, o Benfica regressou a Portugal no dia seguinte, defrontando o Sporting no Troféu Superbola, a 28 de julho. Com mais três jogos no início de agosto, incluindo um no Troféu Guadiana, o Benfica terminou a pré-época com um jogo contra o campeão europeu em título Real Madrid, a 17 de agosto, uma semana antes do primeiro jogo oficial.
Agosto a Outubro O Benfica iniciou campeonato em casa frente ao Marítimo, marcando dois golos na primeira parte e vencendo por 3–0. No sábado seguinte, jogou fora com o Beira-Mar e venceu por 2–0. O clube terminou o mês dividindo a liderança com outras duas equipas, mas com um saldo de golos superior.
A equipa começou setembro com uma vitória fora por 3–2 frente ao Moreirense. O Benfica conquistou a quarta vitória consecutiva a 21 de setembro, com um resultado de 3–1 em casa frente ao União de Leiria.Tovar, Rui. p. 596 Setembro terminou com uma visita ao Estádio da Madeira para jogar com o Nacional. O jogo terminou com uma derrota por 1–0.
O Benfica recebeu o Vitória de Setúbal a 5 de outubro e perdeu dois pontos num empate a uma bola, devido a um "erro infantil, ou melhor, a uma falta de precisão da linha defensiva", nas palavras de Ricardo Tavares, do Record. A 20 de outubro, o Benfica defrontou o Porto no Estádio das Antas para o Clássico. Num jogo intenso, com 3 expulsões e 73 faltas, o Porto venceu por 2–1. Seis dias depois, no último jogo do mês, o Benfica jogou em casa com a Académica, empatando a uma bola, e terminando o mês no quinto lugar, tendo conquistado apenas dois dos nove pontos possíveis. Benfica ended the month in fifth place, having won only two of nine possible points.Tovar, Rui. p. 596
Novembro a Fevereiro No início de novembro, o Benfica deslocou-se aos Açores para jogar frente ao Santa Clara, onde venceu por 2–1, com dois golos de Simão. Uma semana depois, a equipa jogou contra o Paços de Ferreira no Estádio da Luz, obtendo uma vitória por 7–0. No dia 16 de Novembro, o Benfica jogou fora contra o Varzim, resultando numa derrota por 1–2.
A 24 de Novembro, o Benfica iniciou a sua campanha na Taça de Portugal ao defrontar o Gondomar em casa na quarta eliminatória. Um golo de Cílio aos 10 minutos afastou o Benfica da prova. Tinoco de Faria, vice-presidente do clube, classificou a derrota como "inaceitável"; Jesualdo Ferreira foi dispensado das suas funções no dia seguinte. O Benfica nomeou Fernando Chalana como interino até chegar a acordo com José Antonio Camacho. No dia em que Camacho chegou para assinar pelo Benfica, Chalana comandou a equipa frente ao Braga, em casa, transferindo Miguel para lateral-direito e colocou Hélder no lugar de João Manuel Pinto; O Benfica derrotou os visitantes por 3–0.
Na partida inaugural de dezembro, o Benfica jogou em casa contra o Gil Vicente, depois de o jogo ter sido reagendado de 29 de novembro para 4 de dezembro, devido a uma iminente greve dos jogadores durante as férias. A equipa venceu essa partida por 3–1, e o Benfica subiu ao segundo lugar antes de jogar contra o Sporting. A 7 de dezembro, o Benfica disputou o seu último jogo no Estádio de Alvalade, com 46 anos de história, frente ao rival da cidade, o Sporting, no Dérbi de Lisboa.Tovar, Rui. p. 597 O jogo terminou com uma vitória por 2–0 para o Benfica, que controlou o jogo desde o início; como escreveu José Manuel Delgado, "... a vantagem dos visitantes começou na clara superioridade de Tiago e Petit no confronto directo com Paulo Bento e Rui Bento, enquanto Zahovic descia para guiar a equipa...". Uma semana depois, a equipa jogou em casa contra o Belenenses, com Simão marcando o único golo do jogo aos 55 minutos, ajudando Camacho a conquistar a terceira vitória consecutiva. Durante o último jogo do mês, o Benfica jogou fora com o Boavista, empatando a zeros.
No início de Janeiro de 2003, o Benfica anunciou a contratação do médio brasileiro Geovanni, por empréstimo do Barcelona até ao final da época. A 11 de janeiro, a equipa jogou fora contra o Vitória de Guimarães. O empate a uma bola ao fim de 90 minutos foi consequência das constantes interrupções por um grande número de faltas assinaladas pelo árbitro. Nas bancadas, o comportamento problemático da claque do Benfica, os "No Name Boys", fez com que a entidade que rege o campeonato português castigasse ambos os clubes, encerrando os seus estádios por um jogo cada. No domingo seguinte, o Benfica visitou o Estádio dos Barreiros para jogar com o Marítimo, com o Benfica vencendo por 2–1 com um golo de Nuno Gomes aos 74 minutos.Tovar, Rui. p. 598 Foi a primeira vitória no campo do Maritimo desde 1994–95. Depois de ter escolhido o Estádio Municipal Dr. Alves Vieira em Torres Novas para substituir o Estádio da Luz, o Benfica recebeu o Beira-Mar a 26 de janeiro, vencendo por 1–0 com um golo de Geovanni. Três dias depois, a equipa disputou o segundo particular do mês, após um empate a uma bola frente ao Ajax uma semana antes. No segundo jogo, o Benfica perdeu por 0–1 com o Barcelona.
A 1 de Fevereiro, o Benfica jogou em casa com o Moreirense, empatando a uma bola. A 8 de fevereiro, o Benfica visitou o Estádio Municipal da Marinha Grande para jogar frente ao União de Leiria, vencendo por 3–0, a maior goleada da era Camacho. No domingo seguinte, o Benfica jogou em casa com o Nacional, garantindo uma vitória por 2–0 e reduzindo a distância para o Porto para 10 pontos. O Benfica venceu o terceiro jogo consecutivo a 22 de fevereiro, com uma vitória fora por 6–2 frente ao Vitória de Setúbal. Os adversários inauguraram o marcador logo aos 18 minutos, com um golo de Pascal, e ampliaram a vantagem cinco minutos depois; no entanto, numa segunda parte forte, o Benfica virou o jogo. Simão fez um hat-trick, com assistências de Tiago e Tomo Šokota, que também marcaram golos.
Março a Maio No dia 4 de Março, o Benfica defrontou o Porto no último Clássico da temporada, realizado no Estádio da Luz, com o Porto vencendo por 1–0 com golo de Deco. O Benfica recuperou com uma vitória fora sobre a Académica, a 15 de Março, derrotando-os por 4–1 no Estádio Municipal José Bento Pessoa, na Figueira da Foz. Uma semana depois, o Benfica disputou o último jogo no antigo Estádio da Luz antes da demolição do estádio de 49 anos, frente ao Santa Clara. A partida terminou com uma vitória do Benfica por 1–0.Tovar, Rui. p. 598
No dia 5 de Abril, o Benfica jogou no Estádio da Mata Real frente ao Paços de Ferreira. Com três golos na primeira meia hora, o Benfica garantiu a vantagem até ao final, conquistando três pontos com uma vitória por 3-1. Com o campeonato em pausa para jogos internacionais, o Benfica realizou dois particulares fora de portas; um contra o F91 Dudelange, do Luxemburgo, e outro contra o Paris Saint-Germain. Retomou a sua campanha no campeonato a 21 de Abril, jogando em casa no Estádio Nacional, em Oeiras, onde defrontou o Varzim, vencendo por 2–1. No sábado seguinte, o Benfica jogou fora com o Braga, no Estádio Primeiro de Maio, ganhando por 3–1, e abrindo uma vantagem de 11 pontos sobre o terceiro classificado, o Sporting.
A 3 de maio, o Benfica defrontou o Sporting no segundo Dérbi de Lisboa da temporada. Nas palavras de António Tadeia, os visitantes adotaram uma abordagem de "ignorar o meio-campo... e abusar dos lançamentos longos", infligindo uma derrota por 2–1 ao Benfica. Uma semana depois, o Benfica derrotou o Belenenses no Estádio do Restelo, garantindo o segundo lugar no campeonato com uma vitória por 4–2 e a correspondente vaga na terceira fase de qualificação da Liga dos Campeões da UEFA de 2003–04. A 18 de maio, o Benfica jogou em casa com o Boavista. Camacho rodou vários jogadores do onze inicial, mas a partida terminou empatada a uma bola. O Benfica terminou o mês com uma vitória fora por 2–0 frente ao Gil Vicente no Estádio Adelino Ribeiro Novo.
O Benfica disputou o seu último jogo da época a 1 de junho, em casa, frente ao Vitória de Guimarães, vencendo por 4–0, e com Féher marcando um hat-trick. O Benfica terminou no segundo lugar após 34 jogos, com 23 vitórias, seis empates e cinco derrotas, totalizando 75 pontos. Marcou 74 golos, o maior número da liga, e sofreu 27, o segundo menor número de golos sofridos em toda a liga. Simão foi o melhor marcador da Primeira Liga, com 18 golos, empatado com Faye Fary, do Beira-Mar; mas não recebeu o prémio Bola de Prata por ter disputado mais jogos.
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