O Forte Charles (em irlandês: Dún Chathail) é uma fortificação militar localizada na cidade de Kinsale, no Condado de Cork, construída no século XVII, durante o reinado do Rei Charles II. Foi inscrito como Monumento Nacional da Irlanda, em 1973.

História Após ao cerco das forças espanholas em Kinsale, que ocorreu em 1601, impedindo que as frotas inglesas usassem o principal porto da costa sul do país, as forças inglesas resolveram construir fortificações para impedir novos cercos a Kinsale.

Em 1677, o encarregado da defesa de Munster Conde de Orrery mandou construir um forte pentagonal de bastião para proteger o lado leste do porto. A fortificação foi batizada de Forte Charles, em homenagem ao rei inglês da época, e foi projetada pelo arquiteto William Robinson.

O forte foi sitiado uma única vez, em 1690, pelo exército Williamita após a Batalha do Boyne. A fortificação foi defendida pelo exército do rei deposto Jaime II por 13 dias, porém, tiveram que se rendar após os Williamitas terem aberto uma brecha nas muralhas do forte.

Anos depois, o Porto de Cork tornou-se o principal porto da região, e o Forte Charles passou a ser utilizado como depósito da milícia inglesa, até 1921, quando os britânicos se retiraram devido ao Tratado Anglo-Irlandês; logo depois, forças contrárias ao tratado incendiaram os edifícios do forte.

Arquitetura O forte possui formato pentagonal, com os lados sul e oeste para o mar, e os lados norte e leste para a terra. Foi construído com dois níveis de baterias para defesa a beira-mar e glacis externo de seis pontos para os lados terrestres. Possui cinco bastiões, dois voltados para o mar, nomeados de Diabo e Charles, e três bastiões voltados para a terra, nomeados de Norte, Cockpit e Flagstaff. A maioria das estruturas que se encontram no sítio são originais do século XVII; porém, passou por alguns acréscimos de edificações e poucas modificações em suas muralhas e bastões.

Segundo a analise do engenheiro militar Thomas Philips, realizada durante uma inspeção em 1685, o forte foi mal projetado para defesa terrestre, pois possuía terrenos externos mais elevados que o forte.

Portão de entrada O portão atual é datado de 1759, substituindo a entrada original que foi destruída em 1690. O portão foi construído na fachada norte do forte, em estilo neoclássico com frontão, que recebeu uma cornija em calcário trabalhado; o vão do portão possui teto e paredes de pedra calcária de cantaria. A entrada é acessada por uma ponte de madeira recente, na parte interna ainda há os pivôs e as rodas de polia utilizados para a ponte levadiça antiga.

Depósito Construído aproximadamente em 1770, originalmente para servir de casa para os oficiais, passou a ser utilizado como depósito, e atualmente abriga o museu do sítio. Foi construído com dois pavimentos e fachada principal voltada para sudeste; no segundo pavimento, os vãos das janelas possuem vergas retas, moldura em tijolos vermelhos, e peitoril em pedra; no primeiro pavimento, os vãos das janelas possuem vergas em arcos redondos, moldura em tijolos vermelhos, e peitoril em pedra; a porta de entrada foi encimada com uma cornija e emoldurada com trabalho em calcário, e possui verga reta; a porta é acessada através de escada construída com pedra de calcário cortada. O edifício recebeu uma cobertura de telhado de quatro águas com beirais e telhas de ardósia.

Paiol de pólvora Construído em 1690, o antigo paiol de pólvora atualmente abriga o salão de exposições. Por ter sido projetada para o armazenamento de material frágil, a edificação foi construída sobre rocha matriz, foi posicionada ao lado da parede de proteção contra explosão do forte, cercada por um muro adicional e possuía a sua própria guarita.

Casa de guarda Datada de 1820, construída para servir de prisão de soldados indisciplinados; e atualmente, abriga a bilheteria e o ponto de informações. Esta edificação passou por diversas alterações ao longo do tempo; possui três blocos, sendo o bloco do lado oeste construído posteriormente. O bloco principal possui, na entrada, uma porta de verga reta que acessa a parte externa através de um átrio com três vãos em arcos redondos, de tijolos vermelhos, sobre pilares de pedra. A edificação possui cobertura de telhado de quatro águas com beirais à vela coberto com tijolos vermelhos, e telhas de ardósia.

Alojamentos de soldados Construído por volta de 1750, possui uma fachada simétrica com arcadas, em uma muralha de tijolos. As arcadas foram fechadas com tijolos vermelhos, foram instaladas portas com verga em arco redondo, com aberturas oculares sobra as portas, e ladeadas por janelas com verga em arco redondo e peitoril de calcário trabalhados. As portas são acessadas através de escada de calcário, e o interior dos alojamentos possuem teto abobadado de tijolos.

Casa do governador Datada por volta de 1710, inicialmente serviu de residência para o governador Walander, posteriormente como residência para o alto escalão do exército, e atualmente se encontra em ruínas. A edificação foi construída com dois pavimentos e um porão; possuía uma chaminé de tijolos vermelhos e telhado inclinado. Ainda se encontram vestígios de uma lareira, porta com frontão em estilo neoclássico, faixa de beirais de tijolos vermelhos, aberturas de janelas, escadaria externa de pedra de entulho e degraus de calcário trabalhado, o posto de sentinela na fachada frontal, e anexos nos fundos como cocheiras e estábulos.

Farol O atual farol foi instalado em 1929; possui uma lanterna com corpo cilíndrico de chapa de aço, sobre uma base de planta retangular com cobertura plana e cercado por um corrimão de metal. O farol original, instalado no século XVII, possuía como iluminação uma lareira de carvão em seu telhado; entre 1810 e 2004, a iluminação do farol era movida a gás e óleo; a partir de 2004, passou a ser alimentado pela rede de iluminação principal da cidade.

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