Renato Sêneca Fleury (Sorocaba, 22 de setembro de 1895 - Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 1980) foi um educador, teórico da educação rural e escritor de livros educacionais e infantis, sendo o primeiro escritor a receber o primeiro Prêmio Jabuti de literatura infantil, em 1959, com o livro Proezas na Roça.
Primeiros anos e formação Renato Fleury foi filho de Antônio Gonzaga Sêneca de Sá Fleury e Thereza Guilhermina Grohmann. Órfão de pai aos três anos de idade, permaneceu em Sorocaba até 1902. Aos sete anos, mudou-se para a cidade de São Paulo com sua mãe e irmãos. Nesse período, ingressou na escola infantil dirigida por Anália Franco, onde iniciou sua alfabetização. Entre 1905 e 1907, frequentou a Escola Modelo “Prudente de Morais”.
Em 1909, ingressou na Escola Normal de São Paulo. Ainda como aluno do primeiro ano, teve um texto publicado na primeira página do jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba.
Início da carreira docente Após concluir sua formação, atuou em escolas isoladas rurais, conforme prática comum entre professores recém-formados. Seu primeiro posto foi em Santo Antônio da Cachoeira (atual Piracaia, SP), onde sucedeu o educador Sud Mennucci. Em setembro de 1913, foi nomeado para reger a primeira escola normal masculina de Sorocaba, localizada no bairro de Votorantim.
Entre 1914 e 1915, lecionou na escola rural “Visconde de Porto Seguro”, destacando-se pela adoção de métodos didáticos inovadores, como o uso de animais, insetos, plantas e recursos de projeção em sala de aula.
Atuação educacional e administrativa Em 1914, fundou a revista ABC, em colaboração com Bráulio Werneck e Camargo César. Em 1915, casou-se com Carmem Seabra e passou a lecionar no grupo escolar “Antonio Padilha”, em Sorocaba.
Ainda jovem, assumiu a direção da Escola Normal de São Carlos. Posteriormente, exerceu cargos educacionais em diversas cidades do interior paulista, incluindo a direção dos ginásios estaduais de Itu e Ribeirão Preto e a função de delegado de ensino em Araraquara. Em 1925, recusou convite para reorganizar o ensino no estado de Goiás.
Após a Revolução de 1930, foi exonerado de seus cargos docentes em Sorocaba. Em 1931, após aprovação em concurso público, retornou à Escola Normal de Sorocaba como professor fiscal. Em 1932, foi paraninfo da primeira turma de formandos da instituição e, no ano seguinte, passou a chefiar a Seção de Educação, lecionando Pedagogia, Psicologia e Didática.
Foi um ardoroso defensor das "escolas rurais" nos vários artigos que escrevia nos jornais. Destacou-se por sua vasta produção de cartilhas de alfabetização e livros didáticos. Também escreveu obras de literatura infantil (publicou pela Melhoramentos mais de quarenta livros de literatura infantil que integravam a coleção "Biblioteca Infantil"), artigos para jornais, livros de leitura e trabalhos voltados a personagens históricos, entre outros materiais com enfoque educacional. Seu maior êxito editorial foi a cartilha de letramento intitulada Na Roça: cartilha rural para alfabetização rápida. Publicada pela Editora Melhoramentos, a obra alcançou pelo menos 133 edições entre 1935 e 1957.
Produção intelectual e jornalística Entre 1932 e 1934, atuou como redator do semanário A Vida de Sorocaba. Em 1937, foi eleito para uma cadeira na Faculdade de Ciências e Letras de São Paulo, sendo reconhecido por sua contribuição à educação. Até 1939, já havia publicado 27 livros didáticos, com ampla circulação.
Ao longo de sua trajetória, por mais de setenta anos, colaborou com diversos periódicos e revistas, como a revista Educação e o jornal Cruzeiro do Sul. Atuou como jornalista por mais de setenta anos, escrevendo para veículos como Diário da Noite, Folha da Manhã, Folha da Noite, Diário Popular, Jornal do Commercio, Diário de S. Paulo e O Estado de S. Paulo.
Atuação institucional e cultural Em 1945, presidiu a Associação Sorocabana de Imprensa e participou de iniciativas literárias e culturais. Em 1954, foi um dos fundadores do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba, além de integrar o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Também participou da criação do Mercado Municipal de Sorocaba e fundou o Museu Histórico Municipal da cidade.
Literatura infantil e reconhecimento Mesmo após sua aposentadoria, em 1942, manteve intensa produção intelectual, com destaque para a literatura infantil. Em 1959, recebeu o Prêmio Jabuti, concedido pela Câmara Brasileira do Livro, pela obra Proezas na Roça.
Em 1979, tornou-se membro da Academia Brasileira de Literatura Infantil, tendo como patrono seu irmão, Luiz Gonzaga Fleury.
Vida pessoal e falecimento Após o falecimento de sua primeira esposa, Carmem Seabra, em 1965, casou-se com Wanda Paracampos. Renato Fleury faleceu em 16 de janeiro de 1980, no Rio de Janeiro, sendo sepultado no Cemitério do Caju.
Homenagens Em reconhecimento à sua contribuição para a educação, o jornalismo e a cultura, seu nome foi atribuído a logradouros e instituições públicas na cidade de Sorocaba, incluindo uma rua no bairro do Campolim, uma escola estadual no Jardim Europa e a Biblioteca Infantil Municipal de Sorocaba, onde o acervo do escritor está e que é composto de pouco mais de 253 itens, entre livros, revistas, manuscritos e artigos.
Categoria:Escritores do Brasil