Vitalina Pompêo de Camargo de Souza Queiroz (Campinas, 8 de março de 1855 – São Paulo, 24 de janeiro de 1936) foi uma autora brasileira, romancista e contista. É conhecida por Reminiscências de Campinas, obra citada em repertórios bibliográficos da Unicamp/CMU e da PUC-Campinas e pelo romance Mãe e sogra (1931), além de contos publicados em revistas francesas. Utilizou o pseudônimo Voletina em parte de sua produção literária, que é importante objeto de estudo sobre a transição dos valores ideológicos do século XIX para o XX, a condição feminina e a escrita memorialística no interior paulista.MUZART, Zahidé L. Escritoras Brasileiras do século XIX. Florianópolis: Editora Mulheres; Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2000. v. 2.
Nascimento e família Nascida na tradicional família Pompêo de Camargo, Vitalina Pompêo de Camargo foi filha de Antônio Pompêo de Camargo e Antônia Amália Pacheco e Silva. Pelas segundas núpcias de seu pai, foi enteada de Maria Luiza Pompêo de Camargo e cunhada (pelo seu irmão Cneo Pompêo de Camargo) e prima (pelos Pacheco e Silva) de Beatriz Pacheco Pompêo de Camargo.
Educou-se no tradicional Colégio do Patrocínio, em Itu, onde recebeu formação considerada esmerada nos padrões da época, dominando o idioma francês. Segundo relato de sua neta, Gila do Amaral von Schmeling, Vitalina possuía grande interesse pela escrita e publicou diversos contos em revistas francesas sob o pseudônimo Voletina. A mesma fonte destaca que foi mãe de dez filhos, sobrevivendo a todos eles, e que permaneceu intelectualmente ativa até o fim da vida.VON SCHMELING, Gila do Amaral. ‘‘A família Sousa Queirós e a Associação Barão de Sousa Queirós de Proteção à Infância’’. 1974, p. 86–87.
Casou-se com Antônio de Souza Queiroz, filho do Barão de Sousa Queirós. (Há variações para ambos seus sobrenomes, por vezes lendo-se "Pompeu de Camargo" e "Sousa Queirós", mas tratando-se das próprias famílias). A filha do casal, Sara de Souza Queiroz, casou-se com Afonso d'Escragnolle Taunay.
Obra A obra Reminiscências de Campinas aparece em repertórios bibliográficos do Centro de Memória da Unicamp e da PUC-Campinas, sendo utilizada como fonte para estudos sobre a história urbana e social da cidade, sob ótica afetiva, revelando a subjetividade das "velhas gerações paulistas".Centro de Memória da Unicamp. Repertórios bibliográficos sobre Campinas. Reminiscências de Campinas foi publicada postumamente em 1951 após o manuscrito ser encontrado por seu sobrinho José Pompêo de Camargo.BELLINE, Ana Helena Cizotto. “Vitalina Pompeu de Camargo de Sousa Queirós”. In: MUZART, Zahidé L. ‘‘Escritoras brasileiras do século XIX’’, v. 2. O livro apresenta descrições da cidade e de seus espaços, sendo citado, por exemplo, em estudos sobre a região de Carioba, o que evidencia seu valor como registro memorialístico. Entre os temas abordados em ‘Reminiscências de Campinas’ encontram-se observações sobre plantas medicinais e botânica. Belline destaca que Vitalina demonstra conhecimentos especializados sobre espécies vegetais, chegando inclusive a divergir da classificação proposta por Joseph Dalton Hooker, um dos principais botânicos do século XIX.
Além dessa obra, Vitalina publicou o romance Mãe e sogra (1931), que a insere no conjunto de autoras brasileiras que atuaram no campo da ficção no período. Mãe e Sogra é analisado por Belline como uma obra representativa da permanência dos valores sociais e morais do século XIX na literatura feminina da primeira metade do século XX. A narrativa aborda temas ligados à educação doméstica, maternidade, moral familiar e papel social da mulher, construindo uma história centrada em personagens femininas e em conflitos relacionados ao casamento, à criação dos filhos e à vida cotidiana.
A autora também publicou contos em revistas francesas sob seu pseudônimo, Voletina.
Atuação literária Vitalina Pompêo de Camargo de Souza Queiroz foi identificada como romancista e contista em estudos sobre escritoras brasileiras do século XIX e início do século XX. Utilizou o pseudônimo Voletina, prática comum entre mulheres escritoras do período, que frequentemente recorriam a nomes alternativos para publicação de suas obras em um contexto ainda restritivo à atuação feminina no campo literário. Entre suas obras conhecidas destaca-se o romance Mãe e sogra, publicado em 1931, além de Reminiscências de Campinas, obra de caráter memorialístico voltada à história e à vida cotidiana da cidade de Campinas, além disso, a autora dominava o francês e chegou a publicar contos em revistas francesas sob seu pseudônimo.
Pioneirismo A atuação de Vitalina insere-se no contexto da presença ainda limitada de mulheres na literatura brasileira do final do século XIX e início do século XX. Estudos dedicados à produção literária feminina no período apontam que muitas autoras enfrentaram restrições sociais à publicação e circulação de suas obras, recorrendo, por vezes, ao uso de pseudônimos. Nesse contexto, Vitalina destaca-se como uma das autoras vinculadas ao interior paulista, contribuindo tanto para a produção ficcional quanto para a preservação da memória local por meio de sua obra Reminiscências de Campinas.
Segundo Zahidé Lupinacci Muzart e Ana Helena Cizotto Belline, a utilização do pseudônimo Voletina reflete as restrições ainda existentes à publicação de obras de ficção por mulheres da elite brasileira. Belline observa que o romance ‘‘Mãe e sogra’’, publicado quando a autora tinha 76 anos, revela a permanência desse contexto social, no qual mesmo escritoras de reconhecida formação intelectual ainda recorriam ao pseudônimo ao ingressar no campo da ficção.
Legado O nome Vitalina Pompêo de Souza Queiroz também aparece em um relatório da Companhia Paulista de Estradas de Ferro de 1923, empresa da qual seu pai, Antônio Pompêo de Camargo, foi um dos principais acionistas. A relevância histórica de Vitalina, está sobretudo em sua condição de autora e em sua inserção em tradicionais famílias na história regional.
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