Os Cofres do antigo Banco Almeida Magalhães são dois bens móveis históricos preservados em São João del-Rei, Minas Gerais, atualmente instalados no interior da sede da Secretaria Municipal de Arrecadação, no centro histórico do município.
Fabricados em Portugal entre o final do século XIX e o início do século XX, os cofres foram encomendados pelo antigo Banco Almeida Magalhães, sendo remanescentes materiais da atividade bancária privada sanjoanense.
As peças são consideradas significativas para a memória local por estarem associadas àquela que a documentação municipal identifica como a primeira casa bancária de iniciativa privada criada em Minas Gerais, fundada em 1860 por Custódio de Almeida Magalhães.
História
Os cofres foram adquiridos para uso da antiga casa bancária fundada por Custódio de Almeida Magalhães, cuja origem remonta à criação da Casa Bancária Custódio de Almeida Magalhães & Cia. em 19 de março de 1860.
Segundo a documentação patrimonial municipal, a instituição é considerada a mais antiga casa bancária de iniciativa privada de Minas Gerais, tendo surgido em um contexto de intensa atividade comercial e financeira em São João del-Rei ao longo do século XIX.
Inicialmente instalada na antiga Rua Municipal, a casa bancária transferiu-se posteriormente para a Rua da Prata e, já no século XX, passou a ocupar sua sede definitiva, inaugurada em 1927 no edifício que atualmente abriga a Secretaria Municipal de Arrecadação.
Em 1937, a firma mercantil foi transformada em Banco Almeida Magalhães, mantendo atuação predominantemente local e posteriormente estabelecendo também agência no Rio de Janeiro.
O banco foi encampado pelo Grupo Financeiro Ipiranga em 1970, permanecendo os cofres no edifício histórico posteriormente incorporado ao patrimônio municipal.
Descrição
O conjunto é formado por dois cofres de grandes dimensões, conhecidos na ficha de inventário como cofre “vermelho” e cofre “amarelo”.
As peças apresentam estrutura composta por:
base em madeira maciça com gavetas; corpo principal em metal; ferragens, discos de segredo e puxadores em bronze; coroamento superior em madeira entalhada e pintada.
A decoração combina fundo escuro com elementos pintados à mão em tons de ocre, púrpura, cinza e branco, além de detalhes ornamentais aplicados às portas, molduras, gavetas e coroamento.
Internamente, os cofres possuem divisórias e gavetas metálicas destinadas ao armazenamento de documentos e valores, preservando ainda sua lógica funcional original.
Fabricação
Os cofres foram produzidos pela Fábrica de Henrique José d’Oliveira, em Vila Nova de Gaia, Portugal.
A ficha patrimonial municipal registra, no cofre vermelho, placas do fabricante com os dizeres:
Segundo a mesma documentação, a fábrica portuguesa especializou-se na produção de fogões, cofres fortes e mobiliário metálico, estando em atividade ao menos desde a década de 1890.
Características estilísticas
Os cofres apresentam características associadas ao Neomanuelino, estilo historicista português derivado do Manuelino e frequentemente entendido como uma variante nacional do Neogótico.
Entre os elementos mais marcantes estão:
os arcos ogivais decorativos das portas; o rebuscamento ornamental; os pináculos e colunetas laterais; a policromia contrastante entre fundo escuro e detalhes dourados ou coloridos.
Esses recursos conferem às peças um caráter cenográfico e monumental, incomum para objetos de uso bancário cotidiano, reforçando sua função simbólica de segurança, prestígio e solidez institucional.
Conservação
Os cofres encontram-se atualmente no interior da sede da Secretaria Municipal de Arrecadação, posicionados atrás dos guichês de atendimento ao público, em área restrita aos funcionários.
Segundo a ficha de inventário elaborada em 2017, ambos estavam em bom estado de conservação, apesar de apresentarem pequenos danos, como:
desgaste da pintura por uso e manuseio; puxadores de gavetas danificados; problemas pontuais nos encaixes das partes em madeira.
A documentação também registra que a única intervenção conhecida nas peças foi uma restauração realizada em 2008, sem detalhamento técnico disponível.
Importância patrimonial
Os cofres são relevantes como remanescentes materiais da história financeira de São João del-Rei, testemunhando a presença de uma tradição bancária local anterior à consolidação do sistema bancário nacional contemporâneo.
Além de seu valor histórico, o conjunto possui importância artística e técnica, tanto pela procedência portuguesa quanto pela qualidade de sua execução ornamental.
Embora não tombados individualmente por órgãos municipal, estadual ou federal, os bens foram inventariados pela municipalidade e encontram-se inseridos na poligonal protegida do centro histórico de São João del-Rei.
Dimensões
Segundo a ficha de inventário municipal, as dimensões registradas são:
Cofre amarelo: 1,02 m de comprimento, 0,74 m de largura e 1,78 m de altura; Cofre vermelho: 0,92 m de comprimento, 0,70 m de largura e 1,64 m de altura.
Ver também
Banco Almeida Magalhães Centro Histórico de São João del-Rei São João del-Rei
Bibliografia
Categoria:Patrimônio histórico de Minas Gerais Categoria:Patrimônio edificado em São João del-Rei Categoria:Monumentos de São João del-Rei Categoria:Relações entre Brasil e Portugal