O SMS Stralsund foi um cruzador rápido operado pela Marinha Imperial Alemã e a quarta e última embarcação da Classe Magdeburg, depois do , SMS Breslau e . Sua construção começou em setembro de 1910 nos estaleiros da AG Weser em Bremen e foi lançado ao mar em novembro de 1911, sendo comissionado na frota alemã em dezembro do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por doze canhões de 105 milímetros, tinha um deslocamento carregado de mais de cinco mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 27 nós.
O Stralsund passou seu curto tempo de serviço em tempos de paz realizando treinamentos de rotina junto com a Frota de Alto-Mar. A Primeira Guerra Mundial começou em 1914, com o navio participando da Batalha da Angra da Heligolândia em agosto de 1914 e da Batalha de Dogger Bank em janeiro de 1915. Depois disso participou de diversas ações de patrulha e criação de campos minados, tanto no Mar do Norte contra forças britânicas quanto no Mar Báltico contra os russos. O cruzador bateu em uma mina naval britânica em fevereiro de 1918 e precisou ficar dois meses sob reparos.
A guerra terminou em novembro de 1918 e o navio inicialmente foi mantido pelos alemães, porém após o afundamento da frota alemã em Scapa Flow em 1919 ele acabou sendo entregue para a França como prêmio de guerra. Foi renomeado para Mulhouse e passou por uma pequena reforma, sendo comissionado na Marinha Nacional Francesa em agosto de 1922. Atuou ativamente no Mar Mediterrâneo e no Oceano Atlântico por apenas alguns anos até ser colocado na reserva, onde permaneceu até ser tirado de serviço em fevereiro de 1933 e desmontado em Brest dois anos depois.
Características
Os cruzadores rápidos da Classe Magdenburg foram projetados em resposta aos cruzadores de batalha britânicos da Classe Invincible, que eram mais rápidos do que os cruzadores rápidos alemães existentes. Para que a velocidade na nova classe fosse aumentada, motores mais potentes foram instalados e seus cascos alongados para terem uma melhor eficiência hidrodinâmica. Além disso, armações longitudinais foram usadas a fim de reduzir peso. A Classe Magdenburg também foi a primeira de cruzadores rápidos alemães com um cinturão de blindagem, necessitado porque canhões mais potentes de 152 milímetros tinham sido adotados como armamento dos cruzadores rápidos britânicos.
O Stransund tinha 138,7 metros de comprimento de fora a fora, boca de 13,5 metros e calado de 4,46 metros à vante. Seu deslocamento normal era de toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão consistia em dezesseis caldeiras Marine que alimentavam três turbinas a vapor Bergmann, cada uma girando uma hélice. As caldeiras queimavam carvão com óleo combustível borrifado para aumentar a taxa de queima. A potência indicada era de 25,8 mil cavalos-vapor (dezenove mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 27,6 nós (51,1 quilômetros por hora), mas durante os testes marítimos produziram cavalos-vapor ( quilowatts). Podia carregar até 1,2 mil toneladas de carvão e 106 toneladas de óleo para uma autonomia de milhas náuticas ( quilômetros) navegando a doze nós (22 quilômetros por hora). A tripulação era composta por dezoito oficiais e 336 marinheiros.
Era armado com doze canhões calibre 45 de 105 milímetros em montagens pedestais individuais, duas lado a lado no castelo de proa, duas lado a lado na popa e quatro em cada lateral à meia-nau. Também tinha dois tubos de torpedo de quinhentos milímetros submersos, um em cada lateral. Podia levar também até 120 minas navais. Seu cinturão de blindagem tinha sessenta milímetros de espessura à meia-nau. O convés era coberto por placas de blindagem de até sessenta milímetros, enquanto a torre de comando era protegida por laterais de cem milímetros.
Carreira O Stralsund foi encomendado sob o nome de contrato Ersatz Cormoran, com a intenção de ser um substituto do antigo cruzador desprotegido SMS Cormoran. Seu batimento de quilha ocorreu em setembro de 1910 nos estaleiros da AG Weser em Bremen e foi lançado ao mar em 4 de novembro de 1911; Ernst Gronow, o prefeito da cidade de Stralsund, fez um discurso durante a cerimônia de lançamento. Os trabalhos de equipagem começaram em seguida. O navio foi nomeado em homenagem à predecessora escuna SMS Stralsund e foi comissionado no serviço ativo em 10 de dezembro de 1912. Seu primeiro oficial comandante foi o capitão de fragata Magnus von Levetzow, porém ele serviu na função apenas brevemente e foi substituído logo em janeiro de 1913 pelo capitão de fragata Victor Harder. O cruzador foi colocado para atuar na Unidade de Navios de Reconhecimento, parte do II Grupo de Reconhecimento, participando pelo decorrer do ano seguinte da rotina de exercícios treinamento e cruzeiros da Frota de Alto-Mar.
Primeira Guerra Mundial Primeiras ações A Alemanha entrou na Primeira Guerra Mundial em 3 de agosto de 1914 e duas semanas depois, no dia 16, o Stralsund e seu irmão receberam ordens de fazer uma varredura da área de Hoofden em buscas de forças de reconhecimento britânicas, na esperança de surpreender contratorpedeiros em patrulha. A operação foi comandada por Harder e os cruzadores foram acompanhados pelos submarinos SM U-19 e SM U-24, que deveriam emboscar quaisquer forças britânicas que contra-atacassem. As embarcações partiram à noite de 17 de agosto e na manhã seguinte passaram por uma linha de patrulha britânica enquanto ainda estava escuro; eles inverteram seu curso às 4h45min com a intenção de surpreender os contratorpedeiros inimigos. O Stralsund e Strassburg navegaram a uma distância de cinquenta milhas náuticas (93 quilômetros) um do outro com o objetivo de aumentarem suas chances de localizarem as forças britânicas; o Stralsund avistou um grupo de oito a dez contratorpedeiros mais o cruzador rápido HMS Fearless às 6h39min a uma distância de aproximadamente dez quilômetros. O Fearless inicialmente confundiu o Stralsund com um cruzador blindado e ordenou que seus contratorpedeiros não atacassem. Por sua vez, o cruzador alemão abriu fogo imediatamente contra os contratorpedeiros mais próximos. Os dois lados atiraram um contra o outro sem muita precisão por meia hora até os vigias alemães avistarem o que acharam ser um segundo cruzador inimigo se aproximando, assim Harder ordenou que recuassem.
O comando naval britânico, em resposta ao ataque do Stralsund, decidiu realizar um ataque retaliatório contra as defesas alemãs na área da Angra da Heligolândia usando sua principal força ligeira, a Força de Harwich, o que levou à Batalha da Angra da Heligolândia em 28 de agosto. Cruzadores de batalha e cruzadores rápidos britânicos atacaram uma força de reconhecimento alemã na angra. O Stralsund e o resto do II Grupo de Reconhecimento estavam ancorados em Wilhelmshaven e, assim que relatos de forças britânicas chegaram ao comando naval, eles receberam ordens de zarpar. O Stralsund partiu às 11h30min, seguido pouco depois pelo Strassburg e pelo cruzador rápido SMS Cöln. O Stralsund encontrou três cruzadores rápidos e um cruzador de batalha pouco depois das 14h00min, sendo alvejado mas acertado por apenas um projétil que não detonou; mesmo assim, fragmentos de quase acertos feriram tripulantes. O navio alemão rapidamente fugiu para o sul e então virou para o norte a fim de auxiliar o danificado cruzador rápido SMS Ariadne; o Stralsund e o cruzador rápido SMS Danzig resgataram sessenta marinheiros. Os cruzadores alemães sobreviventes recuaram na névoa e foram reforçados pelos cruzadores de batalha do I Grupo de Reconhecimento. O Stralsund e Danzig retornaram e resgataram a maioria da tripulação sobrevivente do Ariadne.
Bombardeios litorâneos O Stralsund e o cruzador rápido SMS Kolberg escoltaram em 9 de setembro os lança-minas SMS Albatross, SMS Nautilus e SMS Kaiser enquanto criavam campos minados no Mar do Norte. O Stralsund foi transferido temporariamente para o Mar Báltico no final de setembro e participou de uma varredura até a Gotlândia à procura de forças russas. Retornou para o Mar do Norte e para o II Grupo de Reconhecimento, que logo partiu junto com o I Grupo de Reconhecimento para um bombardeio litorâneo da cidade litorânea britânica de Great Yarmouth. A ação ocorreu entre 2 e 3 de novembro e os navios do II Grupo de Reconhecimento deram cobertura para os cruzadores de batalha. Estes bombardearam a cidade enquanto o Stralsund criava um campo minado que afundou um navio civil e o submarino HMS D5 enquanto este navegava para interceptar os alemães. A esquadra voltou para casa tranquilamente. O II Grupo de Reconhecimento partiu de novo com o I Grupo no dia 20 para uma patrulha que transcorreu sem incidentes.
Outro ataque com cruzadores de batalha aconteceu em 15 e 16 de dezembro, desta vez contra as cidades de Scarborough, Hartlepool e Whitby. O I e II Grupos de Reconhecimento zarparam às 3h20min do dia 15, navegando para o norte por canais em campos minados, passando pela Heligolândia e Horns Rev, então virando para o oeste em direção do litoral britânico. As esquadras de batalha da Frota de Alto-Mar zarparam durante a tarde do dia 15. Estes navios encontraram contratorpedeiros britânicos à noite e o almirante Friedrich von Ingenohl, o comandante da frota, temendo a possibilidade de um ataque de torpedos noturno, deu ordem para uma recuada. Os cruzadores de batalha realizaram o bombardeio mesmo assim, não sabendo que a Frota de Alto-Mar tinha recuado, e depois deram a volta a fim de se encontrarem com a frota.
Os cruzadores de batalha britânicos nesta altura estavam posicionados para bloquear a rota de saída dos alemães, com outras forças também estando à caminho para completarem o cerco. Os cruzadores rápidos do II Grupo de Reconhecimento começaram a passar pelas forças britânicas às 12h25min à procura dos seus cruzadores de batalha. Um cruzador rápido britânico avistou o Stralsund e sinalizou para seus cruzadores de batalha, que imediatamente deram a volta em direção aos alemães às 12h30min. Os britânicos presumiram que os cruzadores rápidos eram a vanguarda dos seus cruzadores de batalha, mas estes estavam na verdade aproximadamente cinquenta quilômetros à frente. Os cruzadores rápidos britânicos foram destacados para perseguirem suas contrapartes alemãs, mas interpretaram erroneamente as sinalizações e acabaram retornando para seus cruzadores de batalha. Esta confusão permitiu que os alemães escapassem e alertassem seus cruzadores de batalha, que viraram para nordeste e fugiram.
1915 Os britânicos lançaram um ataque aéreo contra a base naval alemã em Cuxhaven e a vizinha Base Aérea de Nordholz em 25 de dezembro. O Stralsund atacou um dos hidroaviões, mas não conseguiu derrubá-lo. O navio e o cruzador rápido SMS Graudenz fizeram uma patrulha do Mar do Norte em 3 de janeiro de 1915, mas não encontraram embarcações britânicas. O Stralsund em seguida participou de uma operação de criação de campos minados próxima do Humber entre 14 e 15 de janeiro junto com o Strassburg. Fez parte da força de reconhecimento do I Grupo de Reconhecimento em 25 de janeiro na Batalha de Dogger Bank. O Stralsund e Graudenz foram designados para a vanguarda da formação, tendo nas laterais os cruzadores rápidos Kolberg e SMS Rostock; cada cruzador tinha o suporte de uma meia-flotilha de barcos torpedeiros. Vigias no Stralsund e Kolberg avistaram fumaça de navios britânicos se aproximando às 8h15min. A principal frota alemã estava no porto e incapaz de prestar auxílio, assim os cruzadores de batalha decidiram recuar em alta velocidade. Entretanto, os cruzadores de batalha britânicos alcançaram os alemães e conseguiram afundar o cruzador blindado .