O Cometa Skjellerup–Maristany (também designado C/1927 X1, 1927 IX e 1927k) foi um cometa de longo período que se tornou muito brilhante em 1927, sendo considerado um grande cometa. Ficou visível a olho nu por cerca de 32 dias. Foi descoberto de forma independente pelos astrônomos amadores John Francis Skjellerup, na Austrália, em 28 de novembro de 1927, e Edmundo Maristany, na Argentina, em 6 de dezembro de 1927. O cometa ficou notável por sua intensa coloração amarela e pela detecção de emissão de átomos de sódio em seu espectro.
Descoberta
John Francis Skjellerup, astrônomo amador australiano também conhecido pelo papel na descoberta do 26P/Grigg-Skjellerup, avistou o cometa em 28 de novembro de 1927 na constelação austral de Norma, enquanto o objeto já estava visível a olho nu e se movia rapidamente em direção ao Sol. Edmundo Maristany, observador argentino, descobriu-o independentemente em 6 de dezembro de 1927, quando o cometa já apresentava brilho considerável.
Observações
Já na data da descoberta por Skjellerup, em 27 de novembro, o cometa era visível a olho nu em Norma. Em 3 de dezembro, sua magnitude era de +3, com uma cauda de 3 graus de comprimento. O objeto movia-se rapidamente para o norte em direção ao Sol, ficando observável quase exclusivamente no Hemisfério Sul.
Em 15 de dezembro de 1927, o cometa passou a apenas 1,4° do Sol. Nos dias 15 e 16 de dezembro, o fenômeno de dispersão frontal da luz solar pelo material cometário permitiu que o cometa fosse visto à luz do dia por observadores que bloqueavam o Sol com a mão. Em 16 de dezembro, o cometa foi relatado como muitas vezes mais brilhante do que Vênus e suficientemente luminoso para ser medido espectrograficamente à luz do dia. Em 17,9 de dezembro, sua magnitude foi estimada em −2.
O periélio ocorreu em 18 de dezembro de 1927, com o cometa a 10° do Sol no céu matutino, com magnitude de −6 segundo Bortle. Após o periélio, o cometa permaneceu no crepúsculo matutino por várias semanas, com a magnitude caindo para +3 em 21 de dezembro. George Van Biesbroeck reportou que o cometa não podia mais ser detectado com certeza a olho nu em 23 de dezembro. Entre 29 de dezembro e 2 de janeiro, uma cauda longa mas tênue de até 40° foi observada no céu pré-amanhecer, com a cabeça ainda perdida no crepúsculo.
Espectroscopia
thumb|O cometa fotografado por V. M. Slipher, um dos autores do estudo espectroscópico de 1937.
Espectrogramas obtidos próximo ao periélio revelaram as linhas D do sódio em emissão com intensidade quase igual, o que explica a intensa coloração amarela da coma do cometa. Adel, Slipher e Ladenburg determinaram, com base na razão de intensidade observada entre as linhas D2 e D1 (~0,9 a ~1,1), que a concentração de átomos de sódio neutro na atmosfera temporária do cometa estava entre 50 e 2 500 átomos por cm³. O estudo representou um avanço importante na compreensão da composição física dos cometas brilhantes.
Órbita
O Cometa Skjellerup–Maristany é um cometa de longo período com excentricidade orbital de 0,99984 e inclinação orbital de 143°, indicando uma órbita retrógrada. O semi-eixo maior de aproximadamente 1 101 UA implica um período orbital estimado em cerca de 36 500 anos. Desde 2010, o cometa encontra-se a mais de 105 UA do Sol.
Na cultura
O aparecimento do cometa em dezembro de 1927 foi mencionado por J. R. R. Tolkien no livro Cartas do Pai Natal, uma coleção de cartas ilustradas que o autor escreveu para seus filhos ao longo dos anos. Na carta de 1927, o Pai Natal de Tolkien faz referência ao cometa que cruzava o céu naquele período.
Ver também
Grande cometa 26P/Grigg-Skjellerup Cometa Austral de 1947 Cometa de longo período
Referências
Ligações externas
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