Álvaro Martín Calderón Robello (Mendoza, 1956) é um sacerdote, filósofo, teólogo, escritor e engenheiro nuclear argentino, membro da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX).
Biografia Calderón nasceu em Mendoza, Argentina, em 1956, em uma família de intelectuais. Seu pai, Rubén Calderón Bouchet, foi filósofo e professor da Universidade Nacional de Cuyo. Seu tio, Alberto Pedro Calderón, foi matemático e docente no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e na Universidade de Chicago.
Em 1981, iniciou estudos em engenharia nuclear no Instituto Balseiro, em Bariloche, Argentina, onde permaneceu até 1982. No mesmo ano, ingressou no seminário da FSSPX), onde cursou formação em letras clássicas, humanidades, filosofia e teologia.
Foi ordenado sacerdote em 1986. Após a ordenação, exerceu funções como vigário no priorado da FSSPX em Zapotiltic, México, e posteriormente no priorado da Cidade do México. Em seguida, foi nomeado professor no seminário da Fraternidade em La Reja, função que desempenha desde então, lecionando disciplinas de filosofia (lógica, filosofia natural e metafísica) e teologia (teologia natural e teologia dogmática). Entre seus colegas de corpo docente esteve o padre Dominique Bourmaud.
Participa de congressos e encontros acadêmicos ligados ao catolicismo tradicionalista, atuando ocasionalmente como conferencista. Ao longo de sua carreira docente, afirma seguir o tomismo, sendo descrito por alguns autores como um dos continuadores contemporâneos da tradição escolástica dominicana.
É, juntamente com o padre Jean-Michel Gleize, uma das principais referências intelectuais da FSSPX.
Posições
Autoridade doutrinal do Magistério após o Concílio Vaticano II Calderón sustenta que o Magistério do Concílio Vaticano II e o dos pontificados posteriores não teria exercido autoridade magisterial em sentido estrito, o que implicaria que suas formulações não teriam caráter vinculante para os fiéis. Segundo essa interpretação, tais documentos teriam natureza predominantemente dialogal e não conteriam definições definitivas do Magistério extraordinário ou ordinário universal.
O autor também afirma que o Concílio Vaticano II teria representado uma inflexão em relação à doutrina anterior, com abertura a correntes como o liberalismo, o personalismo e o humanismo, afastando-se de formulações anteriores associadas à centralidade do princípio de “instaurar tudo em Cristo”, atribuído a Pio X.
Em 2017, publicou O Reino de Deus. A Igreja e a ordem política, no qual examina a relação entre poder espiritual e poder temporal a partir de Santo Tomás de Aquino. Nessa obra, defende a tese de que o Papa constitui a autoridade suprema na ordem política atual e que o poder civil deve estar subordinado ao poder eclesiástico, o que resulta em uma concepção de integração das comunidades políticas à Igreja.
Críticas As teses do autor foram objeto de crítica por parte de Juan Fernando Segovia, jurista e historiador e professor da Universidade de Mendoza, em artigo publicado na revista Verbo (2019). Segovia argumenta que a interpretação de Calderón se afasta da leitura tomista tradicional, apontando suposta aproximação com a ideia de “rei filósofo” de matriz platônica e com uma forma de “sacrocracia”, entendida como governo clerical, incompatível com o pensamento de Tomás de Aquino e com a doutrina católica clássica.
Segovia conclui defendendo a distinção entre sociedade civil e sociedade eclesiástica como esferas distintas, com fins próprios, ainda que relacionadas na ordem do temporal e do espiritual, posição que atribui à tradição tomista e ao magistério histórico da Igreja.
Obras
Livros
Filosofia
Umbrais da Filosofia. Quatro introduções tomistas (2011) La Naturaleza y Sus Causas (2 vols., 2016)
Teologia
A Candeia Debaixo do Alqueire. Questão disputada sobre a autoridade doutrinal do magisterio eclesiástico desde o Concilio Vaticano II (2009) Prometeu. A Religião do homem: Ensaio de uma Hermenêutica do Concilio Vaticano II (2010) O Reino de Deus. A Igreja e a ordem política (2017) A ordem sobrenatural. Uma imersão no tomismo profundo (2020) O homem, imagem de Deus (2021) A Santa Missa e a vida cristã (2024) El misterio pascual ¿Se acabo ya el escandalo de la cruz? (2026)
Temática variada
A droga dos ecrãs (2023)
Referências