Os ataques iranianos a Omã iniciaram-se a partir de 1 de março de 2026, como parte da Guerra do Irã, quando o Irã começou a lançar ataques com drones contra vários locais em Omã, inicialmente visando o Porto de Duqm e o Porto de Salalah, utilizados pelos Estados Unidos. Os ataques também atingiram dois petroleiros, um na costa de Mascate e outro a cerca de cinco quilômetros ao norte do Porto de Khasab. Outros ataques atingiram portos e zonas industriais em Sohar, Bukha e Mina Al Fahal, além de ataques nas águas territoriais omanitas do Estreito de Ormuz.

Contexto

Negociações Em 12 de abril de 2025, o Irã e os Estados Unidos iniciaram uma série de negociações com o objetivo de alcançar um acordo de paz nuclear, com a primeira rodada realizada no Palácio Al Alam, em Mascate. A segunda rodada de negociações mediadas por Omã ocorreu em Roma, em 19 de abril de 2025, seguida por uma terceira rodada de alto nível em Mascate, cerca de uma semana depois. Em 25 de fevereiro, o Ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que um acordo "histórico" com os Estados Unidos para evitar um conflito militar estava "ao alcance".

Uma terceira rodada de negociações indiretas, mediadas pelo ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Al Busaidi, ocorreu em 26 de fevereiro, na residência do embaixador de Omã na ONU em Genebra, Suíça. As negociações aconteceram pela manhã e à noite daquele dia, com uma pausa para que os negociadores estadunidenses se reunissem com uma delegação ucraniana, e se concentraram no programa nuclear do Irã. Em meio a esta rodada de negociações, foi noticiado que as partes estavam longe de chegar a um acordo.

Em 28 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos e Israel lançaram uma série de ataques contra o Irã, visando autoridades importantes, comandantes militares e instalações. O Irã respondeu lançando ataques contra Israel e as bases militares estadunidenses no Oriente Médio, bem como alvos civis. O Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, e vários oficiais iranianos, incluindo o Ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh, e o chefe da Guarda Revolucionária do Irã, Mohammad Pakpour, foram mortos nos ataques.

Após o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, Al-Busaidi disse que estava consternado e que as "negociações ativas e sérias" tinham sido prejudicadas.

Ataques Em 1 de março, após os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, dois drones atingiram o Porto de Duqm, no governadorado de Al Wusta, sendo que um deles atingiu uma unidade móvel de alojamento de trabalhadores. O segundo foi interceptado e neutralizado, com destroços caindo perto de tanques de armazenamento de combustível.

Também em 1 de março, o petroleiro Skylight, navegando sob bandeira de Palau, foi alvo de ataque a 5 milhas náuticas ao norte do Porto de Khasab, no governadorado de Musandam, resultando em quatro feridos.

Em 2 de março, autoridades de Omã anunciaram que um petroleiro que navegava sob bandeira das Ilhas Marshall foi atacado por um barco-drone aproximadamente 52 milhas náuticas ao largo da costa de Mascate, provocando uma explosão na sala principal de máquinas. O ataque resultou em um incêndio e na morte de um membro da tripulação.

Em 3 de março, um tanque de combustível no Porto de Duqm foi atingido por várias aeronaves não tripuladas. Os danos resultantes foram contidos e não houve registro de vítimas. No mesmo dia, Omã relatou ter interceptado dois drones iranianos em Dófar, enquanto um terceiro drone caiu próximo ao Porto de Salalah.

No dia seguinte, um navio porta-contentores com bandeira de Malta, o Safeen Prestige, foi atacado pelo Irã no Estreito de Ormuz, não resultando em vítimas, mas o navio foi abandonado.

Em 6 de março, o rebocador Mussafah 2, com bandeira dos Emirados Árabes Unidos, foi atacado pelo Irã nas águas territoriais omanitas do Estreito de Ormuz, matando quatro tripulantes e ferindo gravemente três.

Em 11 de março, o porto de Salalah foi novamente alvo de drones, que incendiaram dois tanques de combustível e suspenderam as operações do porto. No mesmo dia, outro drone foi interceptado ao norte de Duqm.

Em 12 de março, um drone foi interceptado sobre o espaço aéreo de Khasab, sem relatos de vítimas ou danos.

No dia seguinte, duas pessoas morreram e várias ficaram feridas num ataque de drone em Sohar. Um drone caiu na zona industrial de Al Awahi, matando dois expatriados e ferindo onze, enquanto o outro caiu numa área aberta sem vítimas.

Durante os dias 18-19 de março, ocorreram ataques a instalações energéticas em Omã, principalmente no porto de Salalah.

Em 28 de março, dois drones colidiram com o Porto de Salalah, causando ferimentos moderados a um trabalhador estrangeiro; o ataque causou danos menores a um dos seus guindastes.

Em 3 de abril, um Fairchild Republic A-10 Thunderbolt II foi abatido por disparo iraniano na costa de Bukha, Omã; o piloto ejetou, mas precisou de atendimento médico. A aeronave foi destruída.

Em 4 de maio, o Irã lançou ataques limitados contra Omã e os Emirados Árabes Unidos. Neste ataque, dois residentes em Bukha ficaram feridos após um prédio residencial que abrigava funcionários de uma empresa ter sido alvo de disparos. Embora não esteja claro o tipo de ataque, o incidente deixou dois expatriados com ferimentos moderados e causou danos a quatro veículos estacionados no local, além de quebrar janelas em uma casa próxima. No dia seguinte, dois navios de carga foram atingidos no Estreito de Ormuz, matando cinco passageiros civis em ambos os navios.

Em 3 de junho, o Irã afirmou ter alvejado um navio militar estadunidense no Golfo de Omã por "violação das regras de Ormuz". Os Estados Unidos negaram a alegação.

Em 5 de junho, o porto de Mina Al Fahal foi alegadamente atacado por um drone, com a explosão a ocorrer entre os atracadouros de amarração de monoboia 1 e 2. A Petroleum Development Oman, uma empresa de produção omanita, negou o ocorrido e afirmou que a produção no porto seguia normalmente. Além disso, no mesmo dia, o Irã informou ter lançado mísseis e drones de advertência contra navios de guerra estadunidenses no Golfo de Omã. Os Estados Unidos rejeitaram a alegação, afirmando que isso seria uma grave violação do cessar-fogo.

Em 9 de junho, um Boeing AH-64 Apache do Exército dos Estados Unidos 'caiu' no Estreito de Ormuz, ao largo da costa de Omã; ambos os tripulantes sobreviveram e foram resgatados por um drone de superfície da Marinha dos Estados Unidos.

Em 10 de junho, um petroleiro que operava a 20 milhas náuticas a nordeste de Sohar sofreu um incêndio na casa de máquinas que deixou uma pessoa morta e dois tripulantes desaparecidos. A UKMTO classificou o incidente como “atividade suspeita”, embora o comunicado não tenha indicado se o incêndio foi causado por um acidente ou por alguma ação externa. Os dois tripulantes desaparecidos foram posteriormente confirmados como mortos.

Em 7 de julho, o Irã atingiu dois navios-tanque de gás catariano com um veículo aéreo não tripulado desconhecido na costa de Musandam, causando um incêndio a bordo.

Em 12 de julho, o CENTCOM afirmou que a Guarda Revolucionária Islâmica atacou o navio M/V GFS Galaxy, causando um incêndio a bordo e “danos significativos na casa de máquinas”. A agência UKMTO, patrocinada pela Marinha do Reino Unido, afirma que a tripulação do navio porta-contentores atacado ao largo da costa de Omã foi “resgatada pelas autoridades locais”.

Reações Em 2 de março, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que os ataques contra Omã não foram uma escolha do governo iraniano e foram realizados por unidades militares iranianas que estão agindo de forma independente com base em instruções gerais que lhes foram dadas. O Estado-Maior iraniano declarou que não ordenou um ataque militar contra o território de Omã e afirmou que Omã continua sendo um “amigo e vizinho”. No entanto, o Irã continuou a realizar ataques mesmo após a declaração.

O Irã afirmou não ter envolvimento nos ataques ao porto de Salalah. Ebrahim Zolfaghari, porta-voz de uma importante unidade de comando da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, classificou o ataque como "muito suspeito" e disse que Teerã estava investigando o caso, segundo a mídia estatal iraniana, acrescentando que considerava Omã um "país vizinho amigo e irmão".

Em 20 de março, o Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, divulgou uma declaração escrita negando que o Irã ou suas forças aliadas estivessem por trás dos ataques com drones em Omã e na Turquia . Ele afirmou que esses incidentes foram operações de "falsa bandeira" orquestradas por Israel para "semear a discórdia entre o Irã e seus vizinhos".

Em 25 de abril, o ministro iraniano, bbas Araghchi, reuniu-se com o sultão de Omã, Haitham bin Tariq, durante uma visita de um dia a Omã, depois de ter partido de Islamabad após conversações com líderes paquistaneses, para discutir a situação regional “em desenvolvimento” e os esforços de mediação para pôr fim à guerra com o Irã.

Em 14 de março, o Departamento de Estado dos Estados Unidos ordenou que todos os funcionários governamentais não essenciais e suas famílias deixassem Omã.

Em 28 de maio, o presidente Donald Trump, ameaçou "explodir" Omã caso o país não "se comportasse" — um comentário feito casualmente durante uma reunião de gabinete, após relatos de negociações entre Irã e Omã sobre a cobrança conjunta de um pedágio para navios que passam pelo Estreito de Ormuz.

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