Os Hospitais Civis de Lisboa constituíram uma organização hospitalar criada em 1914, no contexto da reorganização dos serviços sanitários durante a Primeira República Portuguesa e das exigências assistenciais associadas ao envolvimento de Portugal na Primeira Guerra Mundial. A nova designação veio substituir a anterior estrutura denominada Hospital de São José e Anexos, passando a integrar diversos estabelecimentos hospitalares da capital sob uma administração comum.
Entre as instituições que compunham os Hospitais Civis de Lisboa incluíam-se o Hospital de São José, o Hospital de São Lázaro, o Hospital do Desterro, o Hospital de D. Estefânia, o Hospital de Arroios, o Hospital de Curry Cabral (também conhecido como Hospital do Rego), o Hospital de Santa Marta e o Instituto Bacteriológico Câmara Pestana.
Em 1918, durante o governo de Sidónio Pais observou-se uma nova reorganização dos serviços de saúde e assistência. Do ponto de vista orgânico, seria criada uma nova Direção Geral, a Direcção-Geral dos Hospitais Civis de Lisboa, dependente do Ministério do InteriorPORTUGAL. DECRETO nº 4641. Diário do Governo, Série I, 157, suplemento (1918-07-14), p. 1290-1304. Contudo, esta reforma não foi meramente orgânica. Com uma direcção única, estes estabelecimentos eram considerados os principais hospitais do país, procurados por milhares de doentes, granjeando grande prestígio. Observou-se, pois, uma reorganização dos seus serviços clínicos, da enfermagem, dos serviços farmacêuticos, da parte administrativa, uma recuperação de materiais e instalações…
Em 1926, já sob a Ditadura Militar, os Hospitais Civis de Lisboa passam a depender, organicamente, do Ministério das FinançasPORTUGAL. DECRETO nº. 11996. Diário do Governo, Série I. 166 (1926-07-31)..
De 1933, durante a fase inicial do Estado Novo, os Hospitais Civis de Lisboa possuíam um grande problema ligado a uma escassez de camas naquelas instituições, muitas delas ocupadas com casos sociais. Durante este período, estes beneficiaram do legado de Rovisco Pais, que deixou quase a totalidade da sua fortuna aos Hospitais Civis de Lisboa.
Em 1950, o problema assinalado de escassez de camas mantinha-se e registava-se uma cada vez maior procura por estes hospitais. Os Hospitais Civis de Lisboa eram ocupados, em grande parte, por doentes com carências económicas, muitos deles indigentes. As instalações hospitalares não satisfaziam os doentes de outras classes sociais – enfermarias sobredimensionadas, deficientemente mobiladas, má alimentação. Para os doentes mais abastados reservavam-se os quartos particulares.
Em 1957, estes Hospitais passam a ser considerados organismos especiais de saúde e assistênciaPORTUGAL. DECRETO-Lei nº. 40974. Diário do Governo. I Série. 9 (1957-01-11), p. 25-26.
Em 1961, o Relatório das Carreiras Médicas fazia referência à situação dos Hospitais Civis de Lisboa, como exemplar da situação dos hospitais portugueses. As instalações eram más ou péssimas, o equipamento técnico era deficiente, faltava pessoal médico, de enfermagem, administrativo e auxiliar e o que existia era mal remunerado.
Referências Bibliográficas
Categoria:Hospitais de Lisboa