Nuno Paulo Ramos Freire dos Santos Lebreiro (Lisboa, 11 de abril de 1978) é um ensaísta, colunista, comentador político e investigador académico português, caracterizado pelas suas análises de cariz conservador e pela defesa dos direitos, liberdades e garantias políticas.

Biografia

Nuno Lebreiro nasceu em Lisboa a 11 de abril de 1978. Licenciou-se em Ciência Política e obteve um MA em Filosofia Política pela Universidade de Leiden, nos Países Baixos, com distinção, onde residiu durante alguns anos. Em Leuven, na Bélgica, concluiu um MPhil em Metafísica e Filosofia da Cultura pela Universidade Católica de Lovaina (KU Leuven), obtido Magna Cum Laude, e encontra-se atualmente a desenvolver o seu doutoramento (PhD) no Centre for Research in Political Philosophy and Ethics Leuven (RIPPLE), integrado no Instituto de Filosofia da mesma universidade.

Há vários anos radicado em Bruxelas, mantém uma ligação a Portugal, residindo frequentemente na sua quinta na Costa Alentejana. É casado com Beatriz Soares Carneiro e tem quatro filhos: Maria Francisca (n. 2013), António Maria (n. 2015), Maria da Graça (n. 2020) e Dinis Maria (n. 2022).

Participação Política

Antes de emigrar para o estrangeiro em 2009, Nuno Lebreiro foi um militante ativo do Partido Social Democrata (PSD). Entre 2001 e 2009, exerceu o cargo de deputado municipal em Cascais, foi presidente da Concelhia da Juventude Social Democrata (JSD) de Cascais (1999-02 e 2004-06), integrou a Comissão Política Nacional da JSD e foi Conselheiro Nacional do PSD em diversos mandatos. A sua passagem pela política na JSD e PSD, marcada por uma participação muito activa e vocal em diversas matérias, bem como a apresentação de diversas moções em Congressos Nacionaisdo PSD e da JSD, marcou-o como uma figura emergente na sua geração partidária antes de se afastar da vida interna do PSD.

Academia e participação pública

Lebreiro ganhou alguma notoriedade como colunista no semanário O Novo, entretanto extinto, onde escreveu semanalmente entre 2021 e 2022, abordando temas como política portuguesa, filosofia e crítica social. Após a interrupção da colaboração regular com o jornal, passou a publicar no Observador, onde mantém uma coluna quinzenal desde 2022. Os seus artigos frequentemente exploram o imobilismo político português, a alienação moderna e o papel da responsabilidade individual, com referências a cultura popular e autores filosóficos e literários clássicos.

Exemplos marcantes incluem o artigo "Nem sempre temos tudo aquilo que queremos" (8 de março de 2024), onde cunhou a expressão "síndrome de Lampedusa" para descrever a tendência nacional de propor mudanças radicais e grandiosas que resultam apenas em estagnação, e "Princípium Sapientiae" (2022), no qual reflete sobre os fundamentos do conhecimento e da ordem civilizacional ocidental, talvez o seu tema mais recorrente.

Durante a pandemia COVID-19, Lebreiro destacou-se como uma voz crítica das medidas restritivas implementadas pelo Estado português, argumentando que estas violavam os direitos, liberdades e garantias individuais. As suas posições, expressas publicamente em artigos e nas redes sociais, granjearam-lhe alguma notoriedade entre os que questionavam as políticas de confinamento e controlo estatal.

É co-fundador do podcast Linhas Direitas lançado em 2014 com Pedro Telles e Afonso Vaz Pinto com o objetivo de trazer perspectivas de direita ao debate público português que os fundadores consideravam dominado por ideias de esquerda. O podcast tornou-se uma plataforma influente, disponível em serviços como Spotify, YouTube e iTunes, tendo atualmente como participantes activos Lebreiro, que acumula funções como editor, ao lado de Vítor Nunes e Nuno Gonçalo Poças.

Lebreiro é conhecido no programa pelos seus monólogos vivos, fortes e de cariz muito crítico contra o mainstream social, político e mediático. Os seguidores do Linhas Direitas apreciam o seu estilo descontraído, jocoso e por vezes caricatural ao abordar a política nacional e internacional. O seu apoio político a Donald Trump, expresso desde 2016, tem sido apontado como um exemplo de radicalismo político pelos críticos.

Associado à Oficina da Liberdade, Lebreiro contribuiu para publicações como Polarização - Ensaios de História, Filosofia e Teoria Política (Alêtheia, 2024), explorando temas de filosofia política contemporânea. Atualmente, o seu trabalho doutoral no RIPPLE da KU Leuven centra-se em questões de filosofia política e ética, focado no conceito de liberdade política.

Vida Pessoal e Influência

Com uma vida dividida entre Bruxelas e a Costa Alentejana, Lebreiro mantém um perfil discreto sobre aspectos pessoais, focando-se publicamente apenas na sua produção intelectual e articulista. A sua experiência em Leiden, Leuven e Bruxelas, aliada à militância juvenil no PSD, moldou uma visão que critica tanto o progressismo como o populismo, defendendo uma política baseada em princípios de liberdade e responsabilidade individuais associados à necessidade de reconhecimento contemporâneo da importância dos valores comunitários como garantes da civilização ocidental e da sua grande criação política, a democracia liberal.

Lebreiro é reconhecido no meio intelectual e político português como uma voz relativamente isolada que tenta revitalizar o pensamento conservador desalinhado de objectivos partidários, lançando questões sobre a identidade nacional, o papel do Estado, os limites da intervenção pública e a importância dos direitos, liberdades e garantias constitucionais. A sua presença em meios como o Observador e o Linhas Direitas ampliou o seu alcance entre leitores e ouvintes interessados em alternativas ao mainstream político que critica constantemente.

Em 2024, apesar de militante do PSD, recusou-se a apoiar a candidatura da AD ao Parlamento Europeu após declarações de diversos dirigentes do PSD e do Governo, incluindo o Primeiro-Ministro, sobre a necessidade de controlo político dos conteúdos partilhados nas redes sociais.

Em 2026 apoiou inicialmente a candidatura presidencial de Joana Amaral Diashttps://linhasdireitas.net/blog-montauk/2025/1/31/180-salto-mortal-encarpado. Após a retirada dessa candidatura por falta de assinaturas, Lebreiro escreveu publicamente contra o que ele viu como “unanimismo” em redor de António José Seguro, em particular o manifesto “não-socialista” de apoio ao candidato do PS.

Reiteradamente tem assumido o seu desacordo com a linha seguida por Luís Montenegro no PSD e na relação de Portugal com a UE e tem advogado reiteradamente que a “salvação” do PSD e de Portugal dependem do regresso à política activa de Pedro Passos Coelho.

Obras e Publicações

Colunas regulares em O Novo (2021-2022) e Observador (2022-presente). “O Véu de Ignorância”, publicado em Polarização (2024, Alêtheia), compilação de vários ensaios de vários autores sobre filosofia, história e sociologia política. “A chama que não se esgota mas não se faz”, publicado em 50 Vezes Novembro (2025), com prefácio de Pedro Passos Coelho e mais 30 contribuições de diversos autores alusivas ao 25 de Novembro. Participação em Linhas Direitas (podcast, 2014-presente).