Aché Ahmat Moustapha (Jamena, 16 de julho de 1985), ou Aché Coelo, é uma autora, socióloga e diretora de cinema chadiana. É conhecida, principalmente, por seus filmes com foco nos direitos e na proteção de meninas e mulheres africanas.
Biografia Aché Ahmat Moustapha nasceu em Jamena, capital do Chade, em 16 de julho de 1985. Criada em uma família do norte do país, cresceu diante de uma cultura que impunha restrições significativas à liberdade dos direitos das meninas. Essas suas experiências pessoais influenciaram no seu ativismo em apoio às mulheres e meninas, que inspiraram temas de alguns dos seus filmes.
Entre os anos de 2003 e 2007, frequentou a Universidade Abderrahmane Mira de Béjaïa, na Argélia, formando-se em sociologia e comunicação.
Trabalhou junto ao marido em um departamento de marketing da rede de hotéis Kempinski, mas deixou o emprego para tornar-se diretora comercial de uma subsidiária do Canal+ antes de contribuir nas comunicações da Unicef no Chade.
É fluente em árabe, francês, inglês e kanembu.
Carreira Após concluir seus estudos, em 2008, Ahmat Moustapha teve o seu primeiro emprego como produtora na Office National de la Radio et Télévision Tchadien (ONRT). De 2009 a 2011, passou a apresentar o Espace Jeunes, um talk show popular na TV Chadiana.
Posteriormente, atuou como Diretora de Comunicação em Le Normandie, um cinema em Jamena, e também como Diretora de Marketing em uma subsidiária do Canal+, a Media Scan, pouco antes de ingressar no escritório da Unicef, em Chade, no ano de 2013. Por durante três anos, na Unicef, ocupou diversos cargos, o que inclui o de Oficial de Engajamento Juvenil.
No ano de 2013, Coelo escreveu e dirigiu o seu primeiro curta-metragem, Entre 4 Murs (Entre 4 Muros), um filme inspirado em sua própria criação, que gira em torno de uma garota chadiana que não é autorizada por seus pais a sair de casa. O curta foi exibido em festivais como o Festival des cinémas d'Afrique du pays d'Apt e Vues d'Afriques.
Em 2016, lançou o seu segundo curta, Al-Amana, com uma premissa semelhante: uma garota chadiana que, em sua adolescência, sonha em ser musicista e é travada por sua própria família. Com estreia em 2017, no Fespaco, o curta foi exibido no Festival de Cinema Africano de Luxor, no Festival de Cinema Court Kef, na Tunísia, e no Festival de Cinema AFRICLAP, de Toulouse.
Em 2018 fundou a Associação Chadiana de Culturas Mistas (ATCUM), a qual lidera até então. A associação patrocina projetos artísticos como o livro de Retratos de Mulheres Chadianas, lançado em 2017 em colaboração com Salma Khalil, também fotógrafa e escritora chadiana. A obra destaca a vida de 106 mulheres conterrâneas comuns, uma iniciativa que homenageia suas conquistas e desafia as percepções predominantes sobre as mulheres do seu país. Além do livro, uma exposição com algumas de suas fotografias foi exibida na França e no Chade.
Ainda em 2018 fundou, também, o FETCOUM, o primeiro festival de curtas-metragens já realizado no Chade, financiado, em parte, pela embaixada francesa em Jamena. A primeira edição durou por durante 4 dias em junho, seguida da segunda edição em outubro de 2019.
2018 também foi o ano em que produziu Une journée à l'école au Tchad (Um Dia na Escola no Chade), um documentário curto que acompanha Eve em Jamena, uma estudante de treze anos que está determinada a continuar os seus estudos mesmo contra todas as probabilidades ao seu redor.
Em julho de 2019, Ahmat Moustapha foi nomeada membro do Conselho Presidencial para a África de Emmanuel Macron, cargo que ocupou por durante dois anos. O conselho consultivo independente, com mais de uma dúzia de membros, aconselha o presidente sobre a relação entre França e África, bem como questões africanas de forma mais ampla. Nesse cargo, juntou-se à Vanessa Moungar, que também é uma ativista de gênero no Chade.
Seu primeiro romance, Kalam Sutra, foi publicado em março de 2022 pela Cent Mille Miliards, na França. O enredo é centrado em uma garota órfã em Boko Haram e busca trazer visibilidade aos direitos das mulheres e à luta contra o terrorismo na região do Lago Chade.
Em 2025, lançou o documentário #Harcèlement 2.0 (#Cyberbullying 2.0), que explora experiências pessoais e de outras mulheres africanas com o cyberbullying. A obra recebeu cobertura de mídias como France 24, TV5Monde, Monde Afrique, Radio França Internacional e Jeune Afrique.
Trabalhos Filmografia Entre 4 Murs (2013) Al-Amana (2016) Une journée à l'école au Tchad (2018) #Harcèlement 2.0 (2025) Obras Retratos de Mulheres Chadianas (junto à Salma Khalil, 2017) Kalam Sutra (2022)
Categoria:Mulheres Categoria:Nascidos em 1985 Categoria:Chade Categoria:Diretoras Categoria:Sociólogas Categoria:Chadianos Categoria:Mulheres africanas