A região dos Apalaches e seu povo foram historicamente estereotipados por observadores, com as percepções básicas dos apalaches retratando-os como atrasados, rurais e antiprogressistas. Essas visões generalizadas e limitadoras dos Apalaches e de seu povo começaram a se desenvolver no período pós- Guerra Civil. Aqueles que "descobriram" os Apalaches acharam-nos um ambiente muito estranho e retrataram sua "alteridade" em seus escritos. Essas representações persistiram e ainda estão presentes no entendimento comum dos Apalaches hoje, com um aumento particular de imagens estereotipadas no final da década de 1950 e início da década de 1960 em sitcoms. Estereótipos comuns sobre os Apalaches incluem aqueles relacionados à economia, cultura e sua aparência sendo por fim descritos como "hillbilly" ou White trash.

Desenvolvimento precoce de estereótipos A percepção de "alteridade" foi a força motriz por trás do desenvolvimento inicial dos estereótipos dos Apalaches. Quando os "descobridores" dos Apalaches encontraram a região na década de 1870, depararam-se com o que lhes pareceu um ambiente muito estranho. Muitos viram a alteridade dos Apalaches como um problema que precisava de explicação. À medida que grupos como os missionários trabalhavam para integrar os Apalaches à sociedade dominante, seus escritos e os de outros geraram uma visão comum dos habitantes. A imagem popular da região como um canto subdesenvolvido e exótico da América gerou a necessidade de justificar sua alteridade, dadas para essa imagem deram origem aos estereótipos da região.

Embora já existisse um conhecimento geral sobre os Apalaches, eles foram "descobertos" por escritores que ajudaram a formar imagens popularmente aceitas da região na década de 1870. Um dos primeiros grupos envolvidos foram os missionários que visavam salvar os apalaches e introduzi-los ao protestantismo tradicional. Sua missão foi formada a partir dos ideais do abolicionista do Kentucky, John G. Fee — fundador do Berea College — que desenvolveu a visão do montanhês antiescravagista. Essa visão se espalhou e foi adotada pela Associação Missionária Americana (AMA). Surgiu literatura promocional para apoiar os missionários da AMA e suas atividades, como igrejas e escolas. Embora os textos se referissem aos moradores como protestantes, retratavam-nos como tendo crenças e valores diferentes dos protestantes tradicionais. Os missionários os viam como dignos de serem salvos, mas com falhas críticas, como pobreza, raiva excessiva e falta de prática religiosa.

História dos Apalaches

Os primeiros habitantes da região dos Apalaches foram os nativos americanos, como os grupos Powhatan, Saponi, Monacan e Cherokees. O povo dos Apalaches pode traçar sua origem ancestral a partir da grande migração de escoceses-irlandeses para os Estados Unidos.

Os escoceses-irlandeses migraram para a região, após os afro-americanos serem emancipados da escravidão. A população continuou a crescer à medida que mais comunidades migravam para os Apalaches. Um dos maiores surtos populacionais que a região já registrou ocorreu por volta de 1870 a 1950.

Notavelmente, o aumento do crescimento populacional resultante da expansão da mineração de carvão atraiu vários imigrantes. Apesar das esperanças de proporcionar um estilo de vida rico aos trabalhadores das minas de carvão, eles viviam com baixos padrões de vida devido à pobreza. Os mineiros eram pagos por tonelada de carvão produzida, em vez de por hora. Devido a isso, a economia permaneceu pobre e teve dificuldades para permitir que a comunidade prosperasse.

Antes da Guerra Civil, a maioria dos mineiros da região dos Apalaches era de ascendência irlandesa, escocesa ou galesa. Enquanto lutavam para lidar com os baixos salários, os trabalhadores começaram a criar sindicatos e sociedades beneficentes. A Sociedade Beneficente dos Trabalhadores obteve algumas concessões em relação às tensões de classe, salários insuficientes e más condições de vida, mas nenhuma foi suficiente para fazer diferenças significativas. Isso gerou violência por parte dos mineiros.

Após a Guerra Civil, a violência surgiu entre os habitantes da região dos Apalaches e a milícia estadual, causando a morte de centenas de pessoas. Conflitos contínuos entre os trabalhadores das minas de carvão e os proprietários e causaram chacinas como o massacre de Matewan.

Estereótipos dos Apalaches A National Public Radio descreve a representação estereotipada dos habitantes dos Apalaches como "crianças com roupas em tons sépia e rostos sujos de terra, Mulheres envelhecidas e de olhos escuros fumando Camel sem parar nos degraus de um trailer, Adolescentes vestidos com roupas Carhartt e Mossy Oak vagando do lado de fora de estabelecimentos comerciais fechados há muito tempo". Outros estereótipos comuns sobre os Apalaches incluem consanguinidade, higiene bucal ou em geral precária e andar descalço. De acordo com a professora Roberta M. Campbell da Universidade de Miami, o "estereótipo do caipira white trash, descalço e atrasado" é o estereótipo mais comum do povo dos Apalaches.Campbell, Roberta M. (2011). "The Myth of Appalachian Whiteness: Stereotyping and Racism from the Perspective of a White Appalachian Woman." online

O dialeto e o sotaque tradicionais dos Apalaches também atraem uma série de estereótipos e consequências para aqueles que os possuem. Aqueles com sotaques dos Apalaches ou que usam o dialeto dos Apalaches são percebidos como menos instruídos e de baixa renda. Há também a teoria incorreta de que o inglês dos Apalaches está intimamente relacionado ao inglês elisabethano. Esses pensamentos prejudicam o acesso a oportunidades e a percepção dos habitantes dos de fora da região. Como resultado desses estereótipos negativos, milhares de Apalaches enfrentam julgamentos e intenso ostracismo diariamente.

Durante a avaliação chamada "Ação Comunitária nos Apalaches", realizada durante a guerra contra a pobreza, constatou-se que a população que desejava uma mudança em seu modo de vida estava dividida em dois grupos. O grupo ajudou a fornecer centros comunitários em toda a região dos Apalaches, com a esperança de permitir que os indivíduos se tornassem mais instruídos e tivessem acesso a outras tecnologias mais recentes criadas pela sociedade. Alguns abraçaram os novos ideais e o modernismo oferecidos pelos centros comunitários, enquanto outros os rejeitaram, acreditando que a intervenção governamental não era necessária em sua vida. Após a conclusão da avaliação, foram registrados apenas pequenos casos de desenvolvimento nos condados, mas nenhuma mudança significativa. Isto criou uma nova visão sobre os Apalaches e levou muitos a acreditar que os habitantes simplesmente não queriam mudar e não abraçavam as novas facetas da sociedade moderna."New Opportunity School for Women: A unique career and education program in Appalachia". ncda.org. National Career Development Association

A maioria desses estereótipos tem origem em padrões culturais históricos. A aparência rude dos habitantes da região dos Apalaches remonta ao final do século XIX, quando a região foi atingida por uma depressão devido à expansão econômica excessiva, à diminuição da oferta monetária e a quebra da bolsa de valores. Também surge da aparência dos mineiros, que chegavam em casa muito sujos e desgastados devido às condições a que eram submetidos nas minas. Após a avaliação "Ação Comunitária nos Apalaches", o público passou a ver a região como subdesenvolvida e presa ao passado. Devido à forte dependência da região em empregos braçais, a maioria das pessoas não sente necessidade de ir além do ensino médio, o que reforça o estereótipo de que os habitantes dos Apalaches são pouco instruídos.

Discriminação contra os Apalaches A discriminação contra os apalaches é significativa a ponto de alguns municípios, como Cincinnati, terem promulgado leis que tornam ilegal a discriminação contra os apalaches. A política da Ordenança de Direitos Humanos foi aprovada em 1992 pela cidade de Cincinnati, proclamando explicitamente como proibida a discriminação com base em características como raça, origem nacional, sexo e religião. Antes de a política ser declarada, o Tribunal Distrital dos Estados Unidos recusou a inclusão dos apalaches na Lei dos Direitos Civis de 1964.

As características sociais, culturais e econômicas da região estabelecem uma identidade que define consistentemente traços que alimentam preconceitos e os distinguem de outros grupos minoritários. Os apalaches são frequentemente vítimas de preconceito locacional, no qual as pessoas discriminam com base no local de origem e no lugar que identificam como lar. O povo é estereotipado como a minoria branca pobre, havendo uma tendência de fundi-los em uma única comunidade, um único estado, o que faria da região o terceiro estado mais populoso do país, devido à sua população.

A linguagem pejorativa contra os apalaches inclui os termos "Redneck" e "Hillbilly". Esses termos aparecem com frequência em usos cômicos, estereotipados no papel do "tolo caipira". O termo "Hillbilly" foi cunhado pela primeira vez em 1899, por volta da época em que as indústrias de carvão começaram a surgir nas comunidades apalachianas.) Em referência à eles, o uso da palavra "Hillbilly" tornou-se tão comum que o termo é frequentemente utilizado para caracterizar acontecimentos sociológicos e geográficos da região. Um exemplo importante dessa ocorrência é a caracterização da emigração de residentes das Montanhas Apalaches para cidades industriais dos estados do norte, meio-oeste e oeste, principalmente nos anos posteriores à Segunda guerra, como a "Hillbilly Highway". O termo Redneck é frequentemente recebido com orgulho entre os povos das montanhas.

Durante muitos anos, o termo "Mountain Whites" existiu como um cabeçalho de assunto da Biblioteca do Congresso. Criticado por sua falsa representação dos appalaches como uma região racialmente homogênea e por ser um termo aplicado por pessoas de fora a um grupo que não necessariamente se identifica como um grupo étnico específico, foi substituído pelo cabeçalho de assunto "Appalachians (people)".

Dentro da região, a discriminação contra as mulheres também é uma questão muito significativa. Devido ao fato dos Apalaches serem conhecidos por sua indústria de mineração de carvão, torna-se difícil para as mulheres encontrarem empregos bem remunerados. Muitas mulheres acabam se limitando a trabalhos considerados "não qualificados".

Apalaches na cultura popular O filme de 1972 Deliverance se passa e foi filmado nas montanhas Apalaches, no estado da Geórgia. Ele apresenta estereótipos negativos sobre o povo apalachiano, retratando-os como endogâmicos, atrasados e perigosos. O longa-metragem retrata a pobreza da região e explora estereótipos associados à eles. O documentário de 2012 The Deliverance of Rabun County analisa como o filme afetou as pessoas da região e como elas se sentiram em relação à forma como foram retratadas. Muitos dos entrevistados para o documentário expressaram ressentimento em relação à maneira como foram representados. A série de terror Wrong Turn consiste em sete filmes individuais lançados entre 2003 e 2021. Cada produto da série se passa em diferentes localidades da zona rural da Virgínia Ocidental e acompanha a história de um grupo de viajantes que se perde nas matas das montanhas Apalaches. Os apalaches são retratados como monstros endogâmicos e canibais que caçam e matam o grupo de viajantes ao longo de cada longa-metragem. Os irmãos Duke, na versão cinematográfica de The Dukes of Hazzard, afirmam que “na verdade, preferimos ser chamados de americanos apalachianos” quando um grupo de afro-americanos urbanos (de Atlanta) os chama de “hillbillies”, em resposta à exibição de sua bandeira dos confederados e ao uso de blackface.