Marguerite Lwoff (nascida Bourdaleix; 7 de julho de 1905 – 31 de outubro de 1979) foi uma microbióloga e virologista francesa, reconhecida por suas pesquisas sobre metabolismo microbiano e citologia.
Ao longo da carreira, trabalhou em estreita colaboração com seu marido, o também cientista André Lwoff, principalmente no Instituto Pasteur, embora não tenha sido premiada com o Nobel quando ele recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, em 1965.
Formação e primeiros trabalhos Marguerite Bourdaleix nasceu na França, em 1905 e se formou em ciências pela Universidade de Paris, onde posteriormente obteve o título de doutora. Durante seus estudos, especializou-se em fisiologia de protozoários e citologia, com foco na alimentação e crescimento de organismos unicelulares.
Em 5 de dezembro de 1925, casou-se com o biólogo André Lwoff, com quem compartilharia grande parte de sua carreira científica. Em 1927, ambos receberam um laboratório no Instituto Pasteur de Paris, onde iniciaram pesquisas em protozoários ciliados e continuaram a desenvolver seu trabalho sobre fatores de crescimento e metabolismo celular.
Contribuições científicas Na sua fase inicial de pesquisa, Marguerite Lwoff trabalhou na morfologia, organização, ciclo de vida e taxonomia de protozoários ciliados, tanto livres quanto parasitas, contribuindo para a compreensão da nutrição de flagelados como parte de estudos mais amplos sobre metabolismo microbiano. Foi ela quem demonstrou que substâncias químicas como a hematina podiam substituir o sangue como fonte nutricional para organismos como Crithidia fasciculata, um achado que teve papel importante no desenvolvimento de conceitos sobre fatores de crescimento.
Em 1940, Lwoff publicou trabalhos sobre o metabolismo de tripanossomos, descrevendo o papel da hematina, e em 1944 foi nomeada chefe de laboratório no Instituto Pasteur, cargo no qual continuou suas pesquisas, incluindo estudos sobre a alimentação de reduvídeos hematófagos em colaboração com outros pesquisadores.
Pesquisa em virologia A partir de meados da década de 1950, Marguerite e André Lwoff mudaram o enfoque de seus estudos para investigar vírus animais. Marguerite tornou-se responsável por cultivos celulares nos quais destacou o efeito da temperatura nas diferentes etapas do ciclo de desenvolvimento do vírus da poliomielite, além de realizar isolamentos de mutantes sensíveis ao calor e ao frio e refletir sobre o papel da febre na infecção viral e na natureza de cepas virais atenuadas.
Durante esse período, realizou várias estadias de pesquisa no exterior, incluindo colaborações com laboratórios renomados na Alemanha e no Reino Unido, o que contribuiu para o enriquecimento de sua formação científica.
Reconhecimento e desafios Embora tenha sido uma colaboradora constante de André Lwoff, que recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1965 por suas descobertas sobre o mecanismo de infecção viral em bactérias, Marguerite Lwoff não foi incluída no prêmio, mesmo tendo desempenhado papel significativo em muitas das pesquisas conjuntas. Ao longo de sua carreira, enfrentou desafios no reconhecimento de suas contribuições em um ambiente científico que, na época, tendia a subestimar o trabalho de mulheres pesquisadoras.
Aposentadoria e legado Marguerite Lwoff aposentou-se em 1970, deixando um legado de pesquisa em microbiologia e virologia que influenciou diversos campos da biologia celular e molecular. Sua carreira exemplifica a importância da colaboração científica e o papel das mulheres na ciência do século XX, mesmo em contextos em que o reconhecimento nem sempre acompanhou suas contribuições.
Marguerite morreu em 31 de outubro de 1979, aos 74 anos.
Publicações selecionadas Lwoff, M. (1929). Cultivation Medium for T. cruzi. Bulletin de la Société de Pathologie Exotique. Lwoff, M., & Nicolle, P. (1944). Recherches sur la nutrition des réduvidés hémophages. Bulletin de la Société de Pathologie Exotique. Lwoff, M. (1951). The nutrition of parasitic flagellates (Trypanosomidae, Trichomonadinae). In Biochemistry and physiology of protozoa.
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