Crypsidromus nondescriptus é uma espécie de aracnídeo da família Theraphosidae, pertencente à subfamília Theraphosinae. A espécie é endêmica do Brasil e foi descrita originalmente por Cândido Firmino de Mello-Leitão em 1926.
Taxonomia
A espécie possui uma história taxonômica complexa, tendo sido transferida entre diversos gêneros ao longo de quase um século de estudos. Foi descrita inicialmente como Hapalopus nondescriptus por Mello-Leitão em 1926, baseando-se em um holótipo macho coletado em Ouro Preto, Minas Gerais.
Em 1971, Wolfgang Bücherl, Timotheo e Lucas descreveram Cyclosternum melloleitaoi baseando-se em um espécime que não reconheceram como sendo o tipo de Mello-Leitão. Posteriormente, descobriu-se que ambas as descrições se referiam ao mesmo exemplar, tornando Cyclosternum melloleitaoi um sinônimo júnior de Hapalopus nondescriptus.
Em 2012, Bertani, Nagahama e Fukushima reanalisaram o holótipo e espécimes recém-coletados da localidade-tipo, transferindo a espécie para o gênero Vitalius, estabelecendo a combinação Vitalius nondescriptus.
Em 2023, Galleti-Lima e colaboradores, em uma análise filogenômica dos lasiodorifomes, transferiram a espécie para o gênero Proshapalopus. No mesmo ano, Bertani reanalisou o holótipo de Crypsidromus isabellinus Ausserer, 1871 (espécie-tipo do gênero) e o considerou sinônimo sênior de Proshapalopus anomalus Mello-Leitão, 1923 (espécie-tipo de Proshapalopus). Com isso, o gênero Crypsidromus foi revalidado e Proshapalopus passou a ser considerado seu sinônimo júnior, resultando na atual combinação Crypsidromus nondescriptus.
Descrição
Os machos de C. nondescriptus apresentam características diagnósticas que incluem um bulbo copulador com quilha apical curta e esporão tibial bífido com ramo prolateral estreito e ramo retrolateral quase reto. As fêmeas se distinguem de outras espécies de terafosíneos pelos pelos urticantes do tipo I, nos quais a região "a" é mais curta que a região "b".
O holótipo macho apresenta as seguintes medidas: carapaça com 12,47 mm de comprimento e 11,42 mm de largura, quelíceras com 4,72 mm, abdômen com 12,70 mm de comprimento e 7,97 mm de largura.
Distribuição e habitat
A espécie é conhecida da localidade-tipo em Ouro Preto, estado de Minas Gerais, Brasil. A região se caracteriza por áreas de Mata Atlântica em altitudes elevadas, com vegetação de floresta estacional semidecidual.
História natural
Em janeiro de 2005, uma fêmea foi encontrada com saco de ovos sob um tronco caído. Mantida em cativeiro, o saco produziu 52 filhotes em 28 de janeiro de 2005. Destes, dois machos atingiram a maturidade sexual em janeiro de 2011 e fevereiro de 2012.
Conservação
O holótipo da espécie estava depositado no Museu Nacional do Rio de Janeiro (MNRJ 43) e foi destruído no incêndio de 2018 que atingiu a instituição.
Ligações externas
Categoria:Crypsidromus Categoria:Aranhas endêmicas do Brasil Categoria:Aranhas de Minas Gerais