John Clifton "Jack" Bogle (8 de maio de 1929 - 16 de janeiro de 2019) foi um investidor, magnata dos negócios e filantropo americano. Fundou o The Vanguard Group e ajudou a popularizar o fundo de índice. Investidor dedicado e gestor de recursos, defendia o investimento em vez da especulação, a paciência de longo prazo em vez de operações de curto prazo e a redução das taxas de corretagem ao mínimo possível.

Para Bogle, um veículo de investimento ideal era um fundo de índice de baixo custo que representasse todo o mercado dos Estados Unidos, mantido por toda a vida, com reinvestimento dos dividendos.

Seu livro de 1999, Common Sense on Mutual Funds: New Imperatives for the Intelligent Investor, tornou-se um best-seller e um clássico entre investidores.

Primeiros anos e formação John Bogle nasceu em 8 de maio de 1929, em Montclair, Nova Jérsia, filho de William Yates Bogle Jr. e Josephine Lorraine Hipkins. Era bisneto de Philander Banister Armstrong, a quem chamava de seu "progenitor espiritual". Armstrong fundou e presidiu a Phoenix Mutual Fire Insurance Company e tentou reformar os setores de seguros contra incêndio e de seguros de vida.

Sua família, de ascendência escocesa, foi atingida pela Grande Depressão. Eles viviam com conforto, mas perderam tudo. O pai de Bogle tornou-se alcoólatra, e seus pais se divorciaram.

Bogle e seu irmão gêmeo, David, viveram com os pais em Spring Lake e, por algum tempo, estudaram na Manasquan High School, perto do litoral de Nova Jérsia. O desempenho escolar dos dois permitiu que se transferissem para a Blair Academy com bolsas em troca de trabalho. Bogle atribuía à determinação da mãe a possibilidade de os filhos estudarem nesse internato apesar das dificuldades financeiras da família. Os gêmeos continuaram próximos na vida adulta.

Na Blair, Bogle mostrou especial facilidade com matemática, e números e cálculos o fascinavam. Em 1947, formou-se na Blair Academy cum laude e foi aceito na Universidade de Princeton, onde estudou economia e investimentos. Na universidade, dedicou-se ao setor de fundos de investimento. Passou os dois últimos anos da graduação trabalhando na tese "The Economic Role of the Investment Company".

Depois de se formar magna cum laude em Princeton, em 1951, Bogle foi contratado pouco depois por Walter L. Morgan, fundador do Wellington Fund. A contratação teria ocorrido depois que Morgan leu sua tese de 130 páginas.

Carreira em investimentos Depois de Princeton, Bogle procurou emprego em bancos ou investimentos. Contratado por Morgan no Wellington Fund, foi promovido a assistente dele em 1955. Nessa função, pôde conhecer diferentes áreas da Wellington e analisar a empresa e seu departamento de investimentos. Bogle convenceu a Wellington a abandonar a estratégia de concentrar-se em um único fundo e criar outro. A criação mudou o rumo de sua carreira. Até aquele momento, era sua maior realização profissional. Depois de avançar na empresa, substituiu Morgan em 1970 na presidência dos fundos de investimento da Wellington, mas acabou demitido por uma fusão "extremamente imprudente" que havia aprovado. Chamou a decisão de seu maior erro profissional: "A grande coisa sobre aquele erro, que foi vergonhoso e indesculpável e refletiu imaturidade e uma confiança maior do que os fatos justificavam, foi que aprendi muito." As consequências da fusão, cujos termos o impediam de administrar dinheiro diretamente em nome de clientes, deram a Bogle parte do impulso para criar um fundo de índice. Seguir um índice criado pela Standard & Poor's permitia formar um fundo que não fosse administrado diretamente por ele.

Em 1974, Bogle fundou o The Vanguard Group, que se tornou uma das empresas de investimento mais bem-sucedidas do setor. Em 1999, a revista Fortune incluiu Bogle entre os "quatro gigantes dos investimentos do século XX".

Em 1975, Bogle lançou o primeiro fundo mútuo de índice. Críticos o apelidaram de Bogle's Folly e chegaram a chamar de antiamericana a nova abordagem passiva.

Em 1976, influenciado pela obra de Paul Samuelson, Bogle criou o First Index Investment Trust, precursor do Vanguard 500 Index Fund, como um dos primeiros fundos mútuos de índice disponíveis ao público em geral. O fundo foi concebido para acompanhar o desempenho do S&P 500. A recepção inicial entre investidores e no setor foi fria, mas o fundo passou a receber elogios de nomes como Warren Buffett. Em um discurso de 2005, Samuelson colocou "esta invenção de Bogle junto com a invenção da roda, do alfabeto e da impressão de Gutenberg".

Em 1984, Bogle reuniu-se com a equipe de gestão da Primecap para lançar um fundo em conjunto. O Vanguard Primecap Fund começou a operar em novembro daquele ano.

Bogle teve problemas cardíacos na década de 1990 e deixou o cargo de diretor executivo da Vanguard em 1996. Seu sucessor foi John J. Brennan, escolhido por Bogle como herdeiro e braço direito e contratado por ele em 1982. Aos 66 anos, Bogle já era "considerado velho demais para um transplante de coração", mas recebeu um transplante bem-sucedido em 1996.

Bogle voltou depois à Vanguard com o título de presidente sênior, o que gerou conflitos com Brennan. Saiu da empresa em 1999 e passou a trabalhar no Bogle Financial Markets Research Center, um pequeno instituto de pesquisa sem vínculo direto com a Vanguard, embora instalado no campus da companhia.

Filosofia de investimento A ideia do investimento passivo por meio de um fundo que reproduzisse todo o mercado de ações ganhou forma na década de 1960, principalmente entre pesquisadores da Universidade de Chicago. Eles concluíram que era difícil ou impossível escolher de maneira consistente ações vencedoras capazes de render acima da média. Também sustentavam que os custos de transação e administração consumiam parte relevante dos retornos de investimentos de longo prazo.

O primeiro fundo de índice disponível ao público em geral foi criado em 1973 por Rex Sinquefield, que depois trabalhou na Dimensional Fund Advisors. Poucos anos depois, o fundo administrava bilhões de dólares. O novo conceito de investimento havia encontrado público.

No início da carreira, Bogle dedicou-se à gestão ativa, embora já desse atenção às taxas baixas, e seus fundos cobravam custos bem menores que os concorrentes. Com mais pesquisas favoráveis à indexação, Bogle ajudou a difundir essas ideias e criou em 1975 um fundo ligado ao S&P 500. Defendia que um fundo de índice acompanharia o desempenho do índice no longo prazo e obteria retornos maiores com custos menores que os de fundos administrados ativamente.

Para Bogle, o investimento em índices deixava clara uma diferença entre investimento e especulação. A distinção principal estava no horizonte de tempo e no risco para o capital. Investir significava buscar retornos no longo prazo com menor risco de perda do capital. Especular significava tentar obter retornos em pouco tempo, com risco potencialmente destrutivo para o capital. O especulador, em geral, se concentrava no preço de um título e não no negócio por trás dele, enquanto o investidor olhava para o negócio e não para o preço do título. Mesmo quando o fluxo de caixa de uma empresa era estável, as cotações de mercado não tinham a mesma estabilidade, pois especuladores elevavam ou derrubavam preços movidos por esperança, medo e ganância. Para Bogle, essa distinção merecia atenção diante da presença crescente de investimentos arriscados e de curto prazo nos mercados financeiros.

Em entrevistas e livros, Bogle insistia na superioridade dos fundos de índice sobre os fundos de investimento tradicionais administrados ativamente. Para ele, não fazia sentido escolher fundos de gestão ativa esperando que superassem, no longo prazo, um fundo de índice de baixo custo depois de descontadas as taxas cobradas pelos gestores. Bogle também acompanhava a avaliação geral do mercado e elaborou um método simples que considerava confiável para projetar retornos de longo prazo em períodos de dez anos. Somava o rendimento de dividendos ao crescimento esperado dos lucros, ajustava o resultado pela avaliação do mercado medida pelo índice preço/lucro e corrigia pela inflação. Defendia que a maioria dos investidores mantivesse pelo menos 20% da carteira em títulos de renda fixa para reduzir as oscilações de curto prazo das ações negociadas em bolsa. A parcela em renda fixa deveria aumentar quando as ações estivessem sobrevalorizadas e à medida que o investidor envelhecesse, mas a carteira deveria conservar ao menos 20% em ações.

No fim da década de 1990, durante a bolha das empresas ponto com, Bogle vendeu a maior parte de suas ações e antecipou corretamente retornos fracos para ações e resultados melhores para títulos de renda fixa nos dez anos seguintes.Parte 6 da entrevista de Bogle em 2014 com o professor Mark Witte

Sua filosofia de investimento deu origem ao fórum "Bogleheads". O grupo passou a receber apoio do John C. Bogle Center for Financial Literacy e promove conferências nacionais, além de manter o fórum on-line. Integrantes do grupo escreveram em conjunto três livros que aprofundam a filosofia de investimento de Bogle.

No fim da vida, Bogle manifestou preocupação com a crescente popularidade da indexação passiva, que poderia concentrar o poder de voto corporativo nas mãos dos dirigentes das três maiores gestoras de investimentos, Vanguard, BlackRock e State Street. Ele acrescentou: "Não acredito que tamanha concentração sirva ao interesse nacional."

Filantropia Em 1968, Bogle criou o Bogle Brothers Scholars Program na Blair Academy. Desde então, o programa financiou os estudos de quase 200 alunos na instituição.

Em 1991, criou a Armstrong Foundation, pela qual "retribuiu às escolas que lhe haviam dado bolsas no início da vida, aos hospitais que cuidaram de seu coração, à sua igreja e à United Way".

Em uma entrevista de 2012, Bogle disse: "Meu único arrependimento em relação ao dinheiro é não ter mais para doar."

Em 2016, John C. Bogle Jr., filho de Bogle, criou a Bogle Fellowship na Universidade de Princeton. A bolsa atende 20 estudantes do primeiro ano em cada turma.

Pouco antes da morte de Bogle, em 2019, seu patrimônio líquido foi estimado em US$ 80 milhões.

Prêmios e honrarias A revista Fortune o incluiu, em 1999, entre os quatro "Gigantes do século XX" do setor de investimentos. A revista Time o incluiu, em 2004, entre as "100 pessoas mais poderosas e influentes do mundo". Recebeu o Lifetime Achievement Award da Institutional Investor em 2004. Foi eleito membro da Sociedade Filosófica Americana em 2004.

Vida pessoal Bogle frequentava a igreja presbiteriana de sua esposa, mas manteve a fé na Igreja Episcopal dos Estados Unidos.

Aos 31 anos, sofreu a primeira de várias paradas cardíacas. Aos 38, recebeu o diagnóstico da rara displasia arritmogênica do ventrículo direito. Em 1996, aos 66 anos, recebeu um transplante de coração.

Bogle recebeu doutorados honorários da Universidade de Princeton em 2005 e da Universidade Villanova em 2011. Também integrou o conselho de curadores do National Constitution Center, na Filadélfia, um museu dedicado à Constituição dos Estados Unidos. Entre 1999 e 2007, presidiu o conselho.