General James Barry Munnik Hertzog KC (3 de abril de 1866 – 21 de novembro de 1942), mais conhecido como Barry Hertzog ou J. B. M. Hertzog foi um político e militar sul-africano. Ele foi um general bôer durante a Segunda Guerra dos Bôeres e serviu como o terceiro primeiro-ministro da União Sul-Africana de 1924 a 1939. Hertzog defendeu o desenvolvimento da cultura africâner e estava determinado a impedir que os africâneres fossem excessivamente influenciados pela cultura britânica. Ele fundou o Partido Nacional em 1914.

Em 1941, Hertzog, que se demitiu depois de a África do Sul - contra os seus esforços - ter entrado na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados, emitiu uma declaração na qual elogiou abertamente o nazismo e disse que este precisava de ser adaptado às necessidades sul-africanas sob uma ditadura fascista.

Biografia Hertzog estudou direito pela primeira vez no Victoria College em Stellenbosch, Colônia do Cabo. Em 1889, foi para a Holanda estudar direito na Universidade de Amsterdã, onde preparou uma dissertação, com base na qual recebeu seu doutorado em direito em 12 de novembro de 1892.

Hertzog exerceu advocacia em Pretória de 1892 até 1895, quando foi nomeado para o Tribunal Superior do Estado Livre de Orange. Durante a Guerra dos Bôeres (1899-1902), ascendeu ao posto de general, tornando-se o comandante-chefe adjunto das forças militares (unidades de comando) do Estado Livre de Orange. Apesar de algumas derrotas militares, ganhou renome como um líder engenhoso dos comandos bôeres que optaram por continuar lutando, os chamados "resistentes". Finalmente, convencido da futilidade de mais derramamento de sangue, assinou o Tratado de Vereeniging em maio de 1902.

Constitucionalmente, Hertzog era republicano e acreditava firmemente na promoção da independência da União Sul-Africana do Império Britânico. Seu governo aprovou o Estatuto de Westminster em 1931 e substituiu o neerlandês como segunda língua oficial pelo africâner em 1925, além de instituir uma nova bandeira nacional em 1928. Seu governo aprovou o sufrágio feminino para mulheres brancas em 1930, fortalecendo assim o domínio da minoria branca. Os requisitos de propriedade e educação para brancos foram abandonados no mesmo ano, enquanto os para não brancos foram severamente reforçados e, em 1936, os negros foram completamente excluídos do cadastro eleitoral. Representantes nativos eleitos separadamente foram instituídos, uma política repetida nas tentativas do regime do Apartheid de privar todos os não brancos do direito ao voto durante a década de 1950. Por meio de um sistema de privação gradual do direito de voto que se estendeu por meio século, o eleitorado sul-africano não era composto inteiramente por brancos até as eleições gerais de 1970.

Início da carreira política esquerda|miniaturadaimagem|Governo Botha, 1910 Com a África do Sul em paz, Hertzog entrou para a política como o principal organizador do Partido Orangia Unie. Em 1907, a Colônia do Rio Orange conquistou a autogovernança e Hertzog juntou-se ao gabinete como Procurador-Geral e Diretor de Educação. Sua insistência em que o holandês, além do inglês, fosse ensinado nas escolas provocou forte oposição. Ele foi nomeado Ministro da Justiça nacional na recém-formada União Sul-Africana, cargo que ocupou até 1912. Seu notório antagonismo às autoridades britânicas e ao primeiro-ministro Botha levou a uma crise ministerial. Em 1913, Hertzog liderou a secessão da ala dos antigos bôeres e antibritânica do Partido Sul-Africano.

Com a eclosão da Rebelião de Maritz em 1914, Hertzog adotou uma postura neutra em relação ao conflito. Nos anos que se seguiram à guerra, liderou a oposição ao governo do General Smuts.

Governo miniaturadaimagem|Capa da revista Time, 27 de abril de 1925

Primeiro governo (1924–1929) Nas eleições gerais de 1924, o Partido Nacional de Hertzog derrotou o Partido Sul-Africano de Jan Smuts e formou um governo de coligação com o Partido Trabalhista Sul-Africano, que ficou conhecido como Governo do Pacto. Em 1934, o Partido Nacional e o Partido Sul-Africano fundiram-se para formar o Partido Unido, com Hertzog como Primeiro-Ministro e líder do novo partido.

Segundo governo (1929–1933)

centro|miniaturadaimagem|O segundo gabinete Hertzog, de 1929 O segundo mandato de Hertzog como primeiro-ministro viu o estabelecimento (em 1930) da South African Iron and Steel Industrial Corp, que ajudou a estimular o progresso econômico,

Terceiro governo (1933–1938)

miniaturadaimagem|Smuts (à extrema esquerda) e Hertzog (à extrema direita) com suas esposas, por volta de 1934 Em política externa, Hertzog favoreceu uma política de distanciamento do Império Britânico e, como germanófilo de longa data, simpatizou com a revisão do sistema internacional estabelecido pelo Tratado de Versalhes, visando a redução dos encargos impostos à Alemanha. O gabinete de Hertzog na década de 1930 estava dividido entre um grupo pró-britânico liderado pelo anglófilo Smuts e um grupo pró-alemão liderado por Oswald Pirow, o ministro da defesa abertamente pró-nazista e antissemita, com Hertzog ocupando uma posição intermediária. Hertzog tinha um estilo de liderança autocrático, esperando que o gabinete aprovasse suas decisões em vez de discuti-las e, como consequência, o gabinete se reunia apenas intermitentemente.

A partir de 1934, a África do Sul foi dominada por um "gabinete interno" informal composto por Hertzog, Smuts, Pirow, o ministro das Finanças N.C. Havenga e o ministro dos Assuntos Indígenas P.G.W. Grobler. Geralmente, o "gabinete interno" se reunia em particular e qualquer decisão tomada nessas reuniões era apresentada ao gabinete para aprovação, sem discussão. Embora Hertzog não fosse tão pró-alemão quanto a facção liderada por Pirow, ele tendia a ver a Alemanha Nazista como um "estado normal" e como um aliado potencial, ao contrário da União Soviética, que Hertzog via como uma ameaça ao Ocidente. esquerda|miniaturadaimagem|395x395px|Hertzog em 1934 Além disso, Hertzog considerava a França a principal ameaça à paz na Europa, encarando o Tratado de Versalhes como um tratado de paz injusto e vingativo, e argumentava que os franceses eram os principais causadores de problemas na Europa por procurarem defender o Tratado de Versalhes. Hertzog argumentou que, se Adolf Hitler teve uma política externa beligerante, foi apenas porque o Tratado de Versalhes era intoleravelmente severo para com a Alemanha e, se o sistema internacional fosse revisto para levar em conta as queixas "legítimas" da Alemanha contra Versalhes, então Hitler se tornaria um estadista moderado e razoável. Quando a Alemanha remilitarizou a Renânia em março de 1936, Hertzog informou o governo britânico de que não havia possibilidade de a África do Sul participar se a Grã-Bretanha decidisse entrar em guerra por causa da questão e, na crise que se seguiu, os diplomatas sul-africanos assumiram uma posição muito pró-alemã, argumentando que a Alemanha estava justificada em violar o Tratado de Versalhes ao remilitarizar a Renânia.

O principal conselheiro de Hertzog em assuntos externos era seu secretário de Estado para Assuntos Externos, HDJ Bodenstein, um nacionalista afrikaner antibritânico e republicano, considerado a eminência parda da política sul-africana. Nenhum outro homem teve o mesmo grau de influência sobre Hertzog que Bodenstein. Sir William Henry Clark, o Alto Comissário Britânico na África do Sul, tinha uma rixa antiga com Bodenstein, a quem acusava de ser anglofóbico, escrevendo em seus relatórios para Londres que Bodenstein sempre apresentava a posição britânica da pior maneira possível a Hertzog, e observando com preocupação que o melhor amigo de Bodenstein era Emile Wiehle, o cônsul alemão na Cidade do Cabo. O ministro sul-africano germanófilo em Berlim, Stefanus Gie, adotou em grande parte os valores nazistas como seus e, em relatórios para Pretória, retratou a Alemanha como vítima de conspirações judaicas, argumentando que as políticas discriminatórias dos nazistas em relação aos judeus alemães eram apenas medidas defensivas. Embora Hertzog não compartilhasse do antissemitismo de Gie, os despachos deste último, que retratavam o Terceiro Reich de forma favorável, foram usados para apoiar as preferências de política externa do primeiro-ministro.

Numa declaração de princípios de política externa para a África do Sul elaborada por Pirow para o gabinete em março de 1938, o primeiro princípio era o combate ao comunismo e o segundo era ter a Alemanha como o "baluarte contra o bolchevismo". Em uma mensagem para Charles Te Water, o Alto Comissário da África do Sul em Londres no início de 1938, Hertzog disse-lhe para dizer aos britânicos que a África do Sul esperava "imediatismo, imparcialidade e sinceridade" na resolução das disputas da Europa. O que exatamente isso significava foi explicado por Hertzog em uma carta ao primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain, em março de 1938, na qual afirmava que a África do Sul não lutaria em nenhuma guerra "injusta" e que, se a Grã-Bretanha optasse por entrar em guerra por causa dos eventos na Checoslováquia, a África do Sul permaneceria neutra. Em 22 de março de 1938, Hertzog enviou um telegrama a Te Water afirmando que a África do Sul não entraria em guerra com a Alemanha em nenhuma circunstância em defesa da Checoslováquia, e declarando que considerava a Europa Oriental como estando legitimamente na esfera de influência da Alemanha.

Quarto governo (1938–1939) Em outra carta na primavera de 1938, Hertzog observou que estava "exaurido" pela França e queria que Chamberlain dissesse aos franceses que a Commonwealth, e a África do Sul em particular, seriam neutras se a França entrasse em guerra com a Alemanha por causa de um ataque alemão à Checoslováquia. Quando te Water informou a Hertzog em 25 de maio de 1938 que o secretário de relações exteriores britânico, Lord Halifax, lhe havia prometido que o governo britânico estava exercendo pressão diplomática sobre a Checoslováquia para resolver a disputa sobre os Sudetos a favor da Alemanha, e pressionando a França a abandonar sua aliança com a Checoslováquia, Hertzog manifestou sua aprovação. Em 14 de setembro de 1938, te Water queixou-se a Lord Halifax sobre o "episódio espantoso" da Grã-Bretanha a caminhar para a guerra com a Alemanha devido à questão dos Sudetos, afirmando que, no que dizia respeito à África do Sul, a Alemanha tinha razão ao exigir que os Sudetos, de maioria germanófona, fossem autorizados a juntar-se à Alemanha, e a Checoslováquia e a França estavam erradas, a primeira por recusar as exigências alemãs e a segunda por ter uma aliança com a Checoslováquia que encorajou Praga a resistir a Berlim.

Em meados de setembro de 1938, quando a Grã-Bretanha estava à beira da guerra com a Alemanha por causa da questão dos Sudetos, Hertzog entrou em conflito no gabinete com Smuts sobre o curso de ação que a África do Sul deveria seguir. O primeiro era a favor da neutralidade e o segundo era a favor da intervenção ao lado da Grã-Bretanha. Em 15 de setembro de 1938, Hertzog apresentou ao gabinete um plano de compromisso segundo o qual a África do Sul declararia neutralidade em caso de guerra, mas seria neutra da forma mais pró-britânica possível. O gabinete estava dividido. Pirow era a favor de a África do Sul se aliar à Alemanha para lutar contra a Grã-Bretanha. Por outro lado, Smuts era a favor de a África do Sul se aliar à Grã-Bretanha e entrar em guerra com a Alemanha, e ameaçou usar sua influência junto aos parlamentares leais a ele para derrubar o governo caso Hertzog declarasse neutralidade.