Iacir ibne Amir (; m. ) foi um dos companheiros do profeta islâmico Maomé.

Vida

Iacir ibne Amir nasceu em data incerta ao longo do , no Iêmem. Pertencia ao ramo iamita da tribo . Passou sua infância em sua terra natal e em algum momento antes do advento do islamismo foi a Meca com seus irmãos Harite e Maleque à procura de um quarto irmão desaparecido. Harite e Maleque retornaram ao Iêmem, mas Iacir decidiu se fixar na cidade. Segundo os costumes da época, era necessário entrar sob a proteção de uma família mecana; assim, ele firmou um pacto de proteção (ḥilf) com , dos maquezumitas. Algum tempo depois, Abu Hudaifa deu-lhe em casamento sua escrava Sumaia binte Hubate. Dessa união nasceu Amar ibne Iacir. Conforme as normas vigentes, por estar ligado à condição materna, Amar tinha o estatuto de escravo, mas Abu Hudaifa o manumitiu. Iacir e sua família não se afastaram de Abu Hudaifa até a morte deste. Iacir tivera, no período da Jailia (Período Pré-Islâmico), um filho chamado Hurais, morto antes do Islã; após Amar, teve ainda um filho chamado Abedalá.

O primeiro da família de Iacir a tornar-se muçulmano foi Amar, que se dirigiu à Casa de Alarcame com , ouviu Maomé e abraçou o Islã. Iacir, Sumaia e Abedalá converteram-se por sua iniciativa. Incluída entre os primeiros quarenta muçulmanos, a família de Iacir, por ser pobre e desprotegida, foi alvo de advertências e agressões verbais por parte dos idólatras de Meca. A essas pressões, destinadas a intimidar e dissuadir, seguiram-se intervenções físicas; como também não surtiram efeito, os idólatras — sobretudo alguns membros dos maquezumitas — recorreram à tortura. Alguns maquezumitas, entre eles Abu Jal, levavam Iacir e sua família a um lugar fora de Meca chamado Abta ou Bata, onde os deitavam sobre areia e pedras incandescentes para torturá-los. Para isso, eram vestidos com armaduras de ferro e deixados durante horas sob o sol escaldante (Musnade, I, 404).

Certa vez, quando Maomé foi a Abta com Otomão, Iacir, estendido sobre a areia ardente, perguntou: "Ó Mensageiro de Deus, isso continuará assim?". Maomé o consolou, dizendo: "Sê paciente!", e fez a súplica: "Ó Deus, perdoa a família de Iacir! Tu já os perdoaste" (Musnade, I.62). Em outra ocasião, disse-lhes: "Sede pacientes, ó família de Iacir; em verdade, vosso lugar de encontro é o Paraíso!" (Ibne Sade, IV.137). Segundo alguns eruditos, entre aqueles a quem se refere o versículo "Há pessoas que se sacrificam para obter o agrado de Deus; e Deus é, em verdade, misericordiosíssimo para com tais servos" (Albacara 2/207) estariam Iacir e sua família (Açuiuti, II.487). Iacir foi brutalmente assassinado por Abu Jal, provavelmente em 615, logo após sua esposa Sumaia — a primeira mártir da história islâmica —, o que o fez o primeiro mártir masculino do Islã. Há também relatos segundo os quais Iacir teria sido martirizado antes de Sumaia (Albaladuri, I.160).

Bibliografia

Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Mártires muçulmanos Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII