Talha ibne Ubaide Alá Ataimi (; - ) foi um companheiro do profeta islâmico Maomé. No Islã sunita, é sobretudo conhecido por figurar entre os al-ʿashara al-mubashshara (“os dez a quem foi prometido o Paraíso”). Desempenhou um papel importante na Batalha de Uude e na Batalha do Camelo, onde faleceu.

Vida

Talha nasceu em 594 e era filho e Assaba, filha de Abedalá ibne Imade Alhadrami, o aliado de Harbe ibne Omaia. Em data incerta após 625, se casou com , a viúva de Muçabe ibne Omeir. Pertencia ao clã taimita dos coraixitas e era aparentado de Abu Becre. Ele e Abu Becre eram próximos e foram conhecidos como "os dois companheiros" (karīnān). Segundo a explicação mais difundida, receberam esse nome porque, durante as primeiras perseguições aos muçulmanos, certa vez foram amarrados juntos por uma única corda. De acordo com outra explicação, o pai de Talha o aproximou de Abu Becre. Segundo o relato de Talha, um monge de Bostra, na atual Jordânia, lhe falou da vinda do "último dos profetas". Após retornar apressadamente a Meca, foi apresentado por Abu Becre a Maomé e aceitou o Islã. Continuou a exercer o comércio de caravanas na Síria e não se juntou à migração para a Abissínia (615). No momento da Hégira de Maomé e Abu Becre (622), encontrou-os no caminho em Alcarrar, quando regressava da Síria. Forneceu-lhes roupas vindas da Síria e informações sobre os muçulmanos em Medina. Em seguida, seguiu para Meca e, mais tarde, escoltou a família de Abu Becre, incluindo Aixa, até Medina. Pouco antes da Batalha de Badre (624), Maomé enviou Talha, juntamente com Saíde ibne Zaíde, para espionar a caravana mequense. Assim, os dois não estiveram presentes na batalha, mas receberam sua parte do butim.

Em Uude, Talha distinguiu-se ao proteger pessoalmente o profeta. Matou dois mequenses e recebeu numerosos ferimentos, um dos quais deixou um ou dois de seus dedos paralisados. Foi por sua bravura nessa ocasião que Maomé lhe prometeu o Paraíso. Participou de todas as campanhas e batalhas posteriores do profeta. Após a morte de Maomé, Talha apoiou seu parente Abu Becre. Relatos isolados de Ibne Isaque e de outros, segundo os quais ele inicialmente teria permanecido com Ali e se recusado a prestar juramento de fidelidade a Abu Becre, não são confiáveis. Desempenhou papel destacado na , que deu início às Guerras da Apostasia. Antes da morte de Abu Becre, diz-se que Talha protestou em vão contra a escolha de Omar como sucessor do califa, queixando-se do tratamento rude dispensado por este aos muçulmanos mesmo durante o reinado de Abu Becre. Não é impossível que já então aspirasse ele próprio ao califado. Omar o nomeou um dos seis eleitores e candidatos à sucessão. No momento da morte de Omar, porém, Talha não se encontrava em Medina e, assim, não participou da eleição de Otomão. Ao retornar a Medina, manifestou sua insatisfação com a exclusão da eleição, observando que não era alguém cujas opiniões pudessem ser ignoradas. Diz-se que Otomão lhe ofereceu renunciar para permitir uma nova eleição, mas Talha, tendo afirmado sua posição, prestou-lhe juramento de fidelidade.

No início, Otomão fez esforços especiais para conquistar seu apoio por meio de generosos presentes. Segundo Muça, filho de Talha, os dons do califa a Talha somaram 200 mil dinares. Otomão também lhe permitiu trocar sua parte no oásis de Caibar pela altamente lucrativa propriedade de Anastastaje, perto de Cufa. Talha, contudo, logo se voltou contra ele e acabou tornando-se seu crítico mais severo entre os grandes Companheiros. Escreveu cartas às cidades-guarnição provinciais conclamando-as a se revoltarem contra o califa. Durante o cerco ao palácio de Otomão em Medina, tomou posse das chaves do tesouro e manteve estreito contato com os rebeldes egípcios sitiantes. Como isso, compartilhava do objetivo deles de forçar Otomão a deixar o cargo e esperava, com forte apoio de Aixa, ser escolhido como seu sucessor. Após o assassinato de Otomão, Talha inicialmente contou com algum apoio entre os rebeldes egípcios e os coraixitas presentes em Medina. Os rebeldes de Cufa favoráveis a Ali, contudo, logo ganharam a vantagem, apoiados pela grande maioria dos ançares. Talha foi arrastado pelo líder cufano Maleque Alastar até a mesquita para prestar juramento de fidelidade a Ali contra sua vontade, embora nenhuma força física ou ameaças tenham sido usadas na presença de Ali. Ele e Azobair, que também prestara juramento contra a própria vontade, fugiram poucos dias depois para Meca, onde se uniram a Aixa na reivindicação de vingança pelo sangue de Otomão e na declaração de Ali como responsável pelo assassinato. Juntos, lideraram um exército mequense até Baçorá em busca de apoio, prometendo uma nova eleição após a destituição de Ali.

Havia intensa rivalidade entre Talha e Azobair, pois este último, tendo apoiado lealmente Otomão até o fim, considerava-se mais legitimado à sucessão. Talha foi traiçoeiramente morto por Maruane ibne Aláqueme, primo de Otomão, na Batalha do Camelo (15 de Jumada I de 36 / 8 de dezembro de 656), quando Ali e os cufanos ganhavam vantagem. Maruane, combatendo no exército mequense, atingiu o joelho de Talha com uma flecha, causando sangramento profuso do qual ele morreu. Os relatos de que Talha foi morto por Maruane foram rejeitados por L. Caetani e outros estudiosos modernos como ficção antiomíada. São corroborados, porém, pelo fato de que a propaganda maruânida na Síria durante a Segunda Guerra Civil Muçulmana proclamou orgulhosamente Maruane como o primeiro vingador do califa Otomão em razão desse feito. O filho mais velho de Talha, Maomé, também foi morto na Batalha do Camelo. Muça, que sobreviveu à batalha, foi perdoado por Ali e autorizado a tomar posse da vasta fortuna de Talha — incluindo propriedades fundiárias no Iraque e no Sarate, na Arábia — para sua família. A riqueza de Talha parece ter sido superada apenas pela de Otomão entre os primeiros companheiros. Assim como Otomão, ele é descrito como um generoso benfeitor da primeira comunidade muçulmana.

Bibliografia

Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Muajiritas Categoria:Militares mortos por fogo amigo Categoria:Pessoas envolvidas na Primeira Guerra Civil Islâmica Categoria:Taimitas