Denis Yevgenyevich Kapustin (; Moscou, Rússia, 6 de março de 1984), também conhecido como Denis Nikitin (Дени́с Ники́тин) ou por seu nome de guerra White Rex (Уайт Рекс), é um ativista e militante neonazista russo. Kapustin tornou-se alvo de uma proibição de entrada em todo o Espaço Schengen desde a primavera de 2019. Após se mudar para a Ucrânia, fundou o Corpo Voluntário Russo (RVC) em 2022 e foi o líder do grupo.
Em 27 de dezembro de 2025, o canal do Corpo Voluntário Russo no Telegram relatou que Kapustin foi morto em ação no Oblast de Zaporíjia por um drone FPV.
Infância e juventude Kapustin nasceu em 6 de março de 1984 e foi criado em Moscou. Era neto de Efim Aronovich Karpmanskiy, que foi diretor-geral do Circo de Sochi por 20 anos.
Em 2001, quando tinha 17 anos, sua família mudou-se para Colônia, na Alemanha. De acordo com a revista Der Spiegel, a família Kapustin recebeu uma autorização de residência permanente como judeus russos. No entanto, questionada sobre sua origem étnica e suas supostas raízes judaicas pelos jornalistas da Spiegel, a mãe de Kapustin descreveu-se simplesmente como "uma mulher russa".
Envolvimento na política de extrema-direita europeia Durante seu tempo em Colônia, Kapustin foi radicalizado e tornou-se uma figura conhecida da extrema-direita, associada à cena hooligan de ultradireita e envolvida em tumultos relacionados ao futebol. Ele estava profundamente enraizado na cena do hooliganismo de extrema-direita e liderou um pequeno grupo durante os distúrbios no Campeonato Europeu de Futebol de 2016 no porto de Marselha.
O ministro do interior Herbert Reul (CDU) da Renânia do Norte-Vestfália, Alemanha, considerou-o "um dos ativistas neonazistas mais influentes" do país, observando que ele profissionalizou a subcultura de combate no país. Ele também liderou uma marca de estilo de vida chamada White Rex, que exibia o logotipo do Sol Negro, favorecido por grupos neonazistas. Através da marca, ele distribuía camisetas frequentemente com imagens e textos violentos, de cunho nacionalista branco e xenófobo, como o símbolo nazista 88 (que representa a oitava letra do alfabeto, "H", e significa "Heil Hitler"), ou os "88 Preceitos de David Lane". Ele via a marca como uma espécie de fornecedor completo do estilo de vida neonazista.
Em 2017, Kapustin teve sua autorização de residência revogada pela Alemanha devido às suas atividades relacionadas ao hooliganismo.
Kapustin organizou e facilitou encontros de grupos de extrema-direita radicais em toda a Europa e nos Estados Unidos por meio de eventos de artes marciais mistas (MMA). A Agência Federal Alemã para Educação Cívica creditou a ele a expansão, maior corroborção e militância dentro da extrema-direita radical por meio desses eventos. Em 2018, Kapustin estava fazendo networking por toda a Europa: não apenas ajudou a organizar os eventos de artes marciais, como também ofereceu seminários de artes marciais e treinamento com armas, do País de Gales à Suíça, e mantinha bons contatos nas torcidas organizadas do Sparta Praga e do Legia Varsóvia. Ele também apareceu como lutador e palestrante no evento "Kampf der Nibelungen" (Batalha dos Nibelungos).
Sua atuação foi limitada em 2019, quando a Alemanha emitiu contra ele uma proibição de entrada no Espaço Schengen por "atuação contra a constituição liberal democrática" e por organizar eventos neonazistas de artes marciais.
Na Suíça, ele forneceu treinamento de combate a membros do Partido Nacionalista Suíço (PNOS), de extrema-direita. De acordo com a Reuters, ele "frequentemente se descreveu como um nacionalista que luta por uma Rússia que pertença aos russos étnicos", mas "rejeitou as caracterizações de neonazista e supremacista branco". Kapustin também treinou membros do National Action, um grupo neonazista britânico banido pelo governo do Reino Unido.
Em maio de 2023, ele se descreveu como um "patriota", um "tradicionalista", um "direitista", mas rejeitou o rótulo de "neonazista", dizendo: "você nunca me verá agitando uma bandeira com uma suástica, você nunca me verá erguendo minha mão em uma saudação hitlerista. Então, por que você me chamaria disso?".
Na Ucrânia Kapustin foi um apoiador do Euromaidan e, desde 2018, vivia na Ucrânia. Ele trabalhou com o Batalhão Azov, um grupo paramilitar ucraniano de direita, até que sua academia de luta, o Reconquista Club, foi fechada em 2019.
Desde janeiro de 2021, ele foi coapresentador do podcast Active Club com Robert Rundo, líder do movimento americano Rise Above Movement. Em agosto de 2022, Kapustin fundou o Corpo Voluntário Russo, um grupo de voluntários russos que lutam pela Ucrânia na Guerra Russo-Ucraniana. De acordo com Denis Sokolov, do Conselho Cívico, esses combatentes recebiam salários regulares do ministério da defesa ucraniano em Kiev.
Em 2023, ele atacou o Oblast de Bryansk, na Rússia, com vários membros do RVC. Em 22 de maio de 2023, Kapustin, como chefe do Corpo Voluntário Russo, esteve envolvido no ataque ao Oblast de Belgorod, uma incursão transfronteiriça no território russo.
Na Rússia Em março de 2023, Denis Kapustin foi incluído na lista de terroristas e extremistas do Rosfinmonitoring (Serviço Federal de Monitoramento Financeiro da Rússia).
Em 16 de novembro de 2023, o 2º Tribunal Militar de Distrito Ocidental da Rússia sentenciou Kapustin, à revelia, à prisão perpétua e também o condenou por traição e atividades terroristas.
Falsa morte Kapustin foi morto em um ataque com drone no Oblast de Zaporíjia em 27 de dezembro de 2025, aos 41 anos de idade. O RVC confirmou sua morte no Telegram e prometeu vingá-la.
Em 1 de janeiro de 2026, a Direção Principal de Inteligência da Ucrânia (HUR) publicou um vídeo de Kapustin e afirmou que ele ainda estava vivo. A DIU disse que os serviços especiais russos haviam ordenado a morte de Kapustin, mas a HUR frustrou o assassinato por meio de uma operação especial que durou mais de um mês. Os falsos relatos de morte faziam parte da operação especial. Eles relataram ter identificado os indivíduos por trás da tentativa de assassinato e obtido meio milhão de dólares pagos pela tarefa.
Bibliografia
Robert Claus (2017): Hooligans. Eine Welt zwischen Fußball, Gewalt und Politik. Göttingen. Robert Claus (2020): Kampfsport für weiße Europäer — Der ‘Kampf der Nibelungen und sein Netzwerk’. In: Robert Claus: Ihr Kampf: Wie Europas extreme Rechte für den Umsturz trainiert, Bielefeld: Verlag Die Werkstatt, 2020. 55–75. Cynthia Miller-Idriss (2020): Hate in the Homeland: The New Global Far Right. Princeton. Pavel Brunssen, Peter Römer, and Robert Claus (2021): ‘Defenders of European Culture’: ‘Refugee Crisis,’ Football Hooliganism, and the Right-Wing Shift in Europe, in Football, Politics and Identity, ed. James Carr, Martin J. Power, Stephen Millar, Daniel Parnell (Abingdon, Oxon; New York, NY: Routledge, 108–125; Football, Politics and Identity.
Ver também
Corpo de Proteção Russo
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