Em 26 de dezembro de 2025, Israel tornou-se o primeiro Estado-membro das Nações Unidas a reconhecer oficialmente a República da Somalilândia como um Estado soberano e independente. A Somalilândia é considerada a sucessora legal do Estado da Somalilândia, cuja independência de cinco dias, em 1960, também foi reconhecida por Israel e por outros 35 países. A totalidade do território da Somalilândia moderna é reivindicada, mas não controlada, pela República Federal da Somália, que não reconhece Israel como um Estado soberano independente.

História

Antecedentes Israel foi um dos 35 países que reconheceram a breve independência, de cinco dias, do Estado da Somalilândia em 1960.

Após a Guerra da Independência Em 1995, o então presidente da Somalilândia, Ibrahim Egal, escreveu uma carta ao primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin com o objetivo de estabelecer relações diplomáticas entre os dois países. Egal mencionou a necessidade de combater conjuntamente o islamismo na região. De acordo com Abdirahman Tuur, primeiro presidente da Somalilândia, Egal buscava formar uma relação com Israel na esperança de obter reconhecimento dos Estados Unidos.

Em fevereiro de 2010, Yigal Palmor, ex-porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel e então chefe de Assuntos Internacionais da Agência Judaica, fez referência aos alertas de Egal sobre o crescimento do fundamentalismo islâmico e à importância estratégica do estreito de Bab al-Mandab para o mar Vermelho e o oceano Índico, observando que tanto a Somalilândia quanto Israel se encontravam politicamente isolados. No mesmo mês, Palmor foi citado pelo jornal Haaretz afirmando que seu governo estava pronto para reconhecer novamente a Somalilândia. No entanto, ele declarou que o governo da Somalilândia não havia entrado em contato com o governo israelense para buscar relações diplomáticas.

Em fevereiro de 2001, também foi noticiado que a Somalilândia passou a considerar uma aproximação com Israel após a Arábia Saudita proibir a importação de gado do país em razão da febre do vale Rift. Naquele período, vários empresários israelenses encontravam-se na capital do país, Hargeisa. Contudo, o presidente Dahir Riyale Kahin, que sucedeu Egal, teria evitado uma aproximação com Israel para não comprometer as frágeis relações com os países árabes e com o mundo muçulmano, dos quais a Somalilândia depende fortemente para seu comércio de gado.

Em agosto de 2020, a Somalilândia expressou apoio ao tratado de paz entre Israel e os Emirados Árabes Unidos. A Africa Intelligence observou que, em fevereiro de 2022, Israel enviou várias equipes para inspecionar pistas de pouso construídas pela União Soviética na Somalilândia.

Relações durante a Guerra de Gaza Em março de 2025, foi noticiado que Israel e os Estados Unidos abordaram a Somalilândia — juntamente com a Somália e o Sudão —, propondo que os países acolhessem refugiados da Faixa de Gaza, em meio à guerra em Gaza. Analistas de diversos grupos na Somalilândia afirmaram que a aceitação da transferência de palestinos pelo governo local provavelmente causaria grave descontentamento popular e violência política. Tanto a Somália quanto a Somalilândia negaram ter recebido qualquer proposta de Israel ou dos Estados Unidos para reassentar habitantes da Faixa de Gaza. Jethro Norman, do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais, declarou à Al Jazeera que tal aceitação provavelmente concederia uma significativa vitória retórica ao Al-Shabaab e ao Estado Islâmico na Somália, uma vez que esses grupos enquadram suas insurgências como uma rebelião legítima contra supostos planos ocidentais "cruzados-sionistas".

Em meio aos relatos de que a Somalilândia teria sido abordada pelos governos de Israel e dos Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores da Somalilândia afirmou, em declaração escrita à emissora pública israelense KAN: "Estamos abertos à discussão sobre qualquer assunto, mas não queremos especular sobre assuntos que ainda não foram discutidos. Todos os países que estiverem interessados em discutir certos assuntos conosco devem primeiro estabelecer relações de trabalho e abrir missões diplomáticas na Somalilândia."

O reconhecimento da Somalilândia recebeu o apoio de políticos proeminentes do Partido Republicano dos Estados Unidos devido ao potencial em razão do potencial envolvimento com Israel, tendo o governo israelense indicado, em setembro, que as negociações com a Somalilândia estavam em andamento.

Reconhecimento Em outubro de 2025, o Daily News Egypt noticiou que os Estados Unidos, o Reino Unido, Israel, os Emirados Árabes Unidos e uma lista não divulgada de outros 17 países estavam considerando reconhecer a Somalilândia nos meses seguintes. Em 26 de dezembro de 2025, Israel tornou-se o primeiro Estado-membro da ONU a reconhecer formalmente a República da Somalilândia como um Estado independente e soberano, após os dois países assinarem uma declaração mútua "no espírito dos Acordos de Abraão". A Somalilândia agradeceu a Israel e expressou apreço pelos seus esforços no combate ao terrorismo e na promoção da paz regional. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, convidou o presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdullahi, para uma visita de Estado a Israel e expressou sua disposição em expandir imediatamente os laços econômicos. O reconhecimento foi condenado pelos ministros das Relações Exteriores do Somália, Djibuti, Egito e Turquia. O presidente da Comissão da União Africana, Mahamoud Ali Youssouf, emitiu uma declaração rejeitando o reconhecimento de Israel da Somalilândia e reafirmou o compromisso inabalável da União Africana com a unidade e a soberania da Somália.

Ver também Relações exteriores da Somalilândia Relações exteriores de Israel

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