Celeste 64: Fragments of the Mountain é um jogo de plataforma 3D de 2024, desenvolvido e publicado pelo estúdio indie canadense Extremely OK Games para Linux, macOS e Microsoft Windows. O jogo foi desenvolvido durante uma game jam de uma semana, sendo lançado em comemoração ao sexto aniversário do jogo Celeste de 2018. O jogo foi lançado em 29 de janeiro de 2024, dando continuidade à narrativa do jogo original.
O jogador controla Madeline, a protagonista do primeiro jogo, que retorna à Montanha Celeste para se reencontrar com Badeline e refletir sobre superar uma grande fase de sua vida. Muitos dos que trabalharam em Celeste retornaram para este jogo, incluindo a compositora Lena Raine, que lançou uma nova trilha sonora. A decisão de transformar a fórmula de Celeste em um jogo 3D surgiu da exploração de um editor de níveis de Quake. Fragments of the Mountain recebeu críticas positivas, com elogios à dificuldade e à trilha sonora, entretanto, seus controles no teclado foram criticados por serem pouco precisos.
Jogabilidade
Celeste 64 é um jogo de plataforma e aventura tridimensional (3D) curto, ambientado na Montanha Celeste, do jogo original. O jogador controla Madeline, a protagonista do primeiro jogo; ela pode correr, escalar e pular nas paredes e no chão, permitindo ao jogador evitar perigos como buracos e espinhos. Além disso, ela pode utilizar a habilidade de dash tanto no chão quanto no ar, embora apenas um dash possa ser realizado antes de precisar recarregar tocando o chão. Ao usar o dash no chão e saltar, Madeline é capaz de realizar um dash jump, que é usado para alcançar distâncias maiores.
Gemas podem ser encontradas ao redor da fase e aprimoram a habilidade de dash no ar; gemas verdes podem recarregar a corrida sem precisar tocar o chão, enquanto gemas roxas podem dar a Madeline um segundo dash no ar. Um power-up de pena pode conceder a habilidade de flutuar por um curto período de tempo, para atravessar grandes brechas. O jogo incorpora um cronômetro, que incentiva o jogador a fazer speedruns em jogatinas sequentes.
Fragments of the Mountain apresenta um estilo artístico Low-poly, que lembra a era de 64 bits dos videogames, como Super Mario 64. Ao contrário das fases lineares de Celeste, Fragments of the Mountain se passa inteiramente em uma cidade abandonada que funciona como um ambiente de mundo aberto, permitindo ao jogador mover a câmera em 360 graus. Marcadores de checkpoint, nos quais o jogador ressurge após morrer, estão espalhados pelo mundo. O jogo contém trinta morangos para o jogador coletar, a mesma quantidade do primeiro capítulo do jogo original, que estão localizados ao redor do mundo e em fases secretas acessíveis por meio de fitas cassete escondidas; essas fases secretas funcionam como desafios de plataforma que ajudam o jogador a se adaptar aos controles. O jogo dura aproximadamente 30 minutos.
Enredo A protagonista do jogo, Madeline, retorna à Montanha Celeste depois dos eventos do primeiro jogo. Ao chegar à Cidade Abandonada, ela é recebida pela Vovó, que comenta sobre o livro que Madeline está escrevendo e questiona o motivo de seu retorno. Inicialmente, Madeline afirma que só quer relembrar o passado, mas depois revela à Vovó que está planejando dar um "grande passo" em sua vida, e a Vovó a encoraja e recomenda que Madeline converse com a "outra parte de você".
Mais tarde, Madeline encontra seu amigo, Theo, no topo de um prédio alto; ele menciona que voltou à montanha para fazer fotografias para uma galeria de arte. Ele revela que apresentou Madeline à sua irmã, Alex, e que as duas estão namorando. Ao interrogá-la, Theo descobre que Alex é mencionada no livro que Madeline está escrevendo.
Em cima de uma ilha flutuante, Madeline reencontra Badeline, a representação física de sua própria ansiedade. Badeline questiona por que Madeline as submete a tantas dificuldades e mudanças em vez de simplesmente permanecer feliz como está. Madeline responde dizendo que não precisa justificar suas ações, acrescentando que "no fim das contas, parece certo". Ela pede ainda que Badeline volte com ela, reafirmando que ela tem o direito de sentir medo, ao que Badeline aceita.
Desenvolvimento e lançamento miniaturadaimagem|A equipe de Celeste na GDC 2018 Celeste 64 foi desenvolvido pelo estúdio canadense Extremely OK Games, composto principalmente por Madeline Thorson (Maddy Makes Games), Heidy Motta, Noel Berry, Amora Bettany e Pedro Medeiros de Almeida (saint11), desenvolvedores do Celeste original. O jogo foi concebido para celebrar o sexto aniversário do jogo original, sendo desenvolvido em uma semana durante uma game jam; anteriormente, Maddy Makes Games lançou o jogo Celeste Classic 2 para PICO-8 em seu terceiro aniversário. Celeste 64 não era o nome inicial do projeto; Berry afirmou que ele e a equipe inicialmente o viam como um "meme", mas no final os desenvolvedores "trabalharam muito duro nele" ao ponto que não pode ser mais considerado um meme.
Em entrevista à Game Developer, o diretor de arte de Celeste 64, Pedro Medeiros de Almeida, falou sobre como estava pesquisando o editor de níveis TrenchBroom da Quake engine, ao pensar em ideias para o projeto de aniversário; após apresentá-lo à equipe de Celeste, eles decidiram usá-lo em combinação com uma engine desenvolvida por Berry. Um desafio surgiu durante o desenvolvimento, sendo esta a percepção de profundidade, que dificultou a localização de Madeline em um espaço 3D. Para contornar o problema, a equipe experimentou com diversos sombreadores, névoas e contornos até ficarem satisfeitos com o resultado final.
Durante o desenvolvimento, o prazo apertado da game jam e as limitações do TrenchBroom forçaram Medeiros a escolher uma contagem de polígonos e densidade de pixels menores; ele afirmou que o estilo artístico não foi projetado para "emular estritamente o N64 ", mas sim seguir uma estética retrô mais genérica. A escolha da pixel art para as texturas do jogo teve como objetivo facilitar a repetição na geometria de baixa poligonagem, além de proporcionar "uma boa nostalgia". A trilha sonora oficial do jogo foi composta pela compositora Lena Raine, que retornou ao projeto e afirmou: "toda vez que escrevo mais músicas para Celeste, penso 'com certeza esta é a última, certo'"; ela descreveu a trilha sonora como inspirada tanto em Super Mario 64 quanto em Super Mario Sunshine, além de usar reinterpretações dos motivos presentes no Celeste original.
O jogo foi lançado em 29 de janeiro de 2024, gratuitamente na página Maddy Makes Games do Itch.io, com versões disponíveis para Linux e Microsoft Windows. Foi lançado com suporte para controle e teclado; embora os desenvolvedores recomendassem que os jogadores usassem um controle devido ao esquema de comandos. Simultaneamente, o código-fonte do jogo foi disponibilizado gratuitamente no GitHub. Após o lançamento, os desenvolvedores lançaram uma versão para macOS em 5 de fevereiro.
Recepção Celeste 64 recebeu críticas positivas, sendo comparado a Super Mario 64, Banjo-Kazooie e Spyro the Dragon. Andrew King, do TheGamer, proclamou Celeste 64 como um forte candidato a Jogo do Ano. King elogiou o jogo por "[traduzir] a jogabilidade de plataforma impecável de Celeste " para um desafio maior, mudando a perspectiva de 2D para 3D. Harvey Randall, do PC Gamer, descreveu Fragments of the Mountain como uma "prova de conceito sólida", observando que os controles foram bem adaptados de Celeste para um jogo de coleta em 3D. Escrevendo para Kotaku, John Walker elogiou o jogo por adaptar a jogabilidade e os personagens originais de Celeste para o 3D, chamando-o de "uma versão secreta e desconhecida de Celeste criada em 1997".
Algumas publicações destacaram a dificuldade do jogo. De acordo com Ali Jones, do GamesRadar+, o design tridimensional de Fragments of the Mountain aumenta a dificuldade em comparação com o Celeste original, permitindo que o jogo tivesse objetivos secundários envolvendo locais mais perigosos, o que, segundo ele, "[tornou] a experiência muito mais tensa". Ele também comparou os controles de câmera do jogo à dinâmica "escorregadia" dos primeiros jogos 3D, afirmando que poderia levar um tempo para se acostumar. Saúl Gonzalez, do Vandal, chamou o jogo de "desafiante e divertidíssimo", porém falou para os jogadores terem em mente que devido à sua criação em uma semana, o jogo pode possuir alguns pequenos bugs, mas os criadores estavam implementando melhorias e patches após a recepção positiva por fãs de Celeste. Andrew King, do TheGamer, elogiou as desafiadoras fases em fita cassete do jogo, descrevendo-as como "gloriosamente difíceis" e uma homenagem às fases secretas de Super Mario Sunshine. Ecoando o conselho do desenvolvedor, outros veículos incentivaram os jogadores a jogar Fragments of the Mountain usando um controle em vez de um teclado, com escritores descrevendo os controles no teclado como "desajeitados" e "complicados" ao tentar realizar movimentos precisos.
A trilha sonora do jogo foi bem recebida. Escritores do Polygon, Gigazine e Rock Paper Shotgun compararam positivamente o tema principal do jogo à faixa musical Dire Dire Docks de Super Mario 64, com Katherine Castle descrevendo a escolha dos instrumentos usados na trilha sonora como "no ponto".
Notas
Referências
Ligações externas
Celeste 64: Fragments of the Mountain no Itch.io
Categoria:Jogos eletrônicos de 2024 Categoria:Jogos para Windows Categoria:Jogos para macOS Categoria:Jogos para Linux Categoria:Jogos de plataforma 3D Categoria:Jogos eletrônicos de aventura Categoria:Jogos eletrônicos de escalada e alpinismo Categoria:Jogos eletrônicos independentes Categoria:Jogos eletrônicos relacionados a LGBT Categoria:Obras sobre depressão Categoria:Jogos eletrônicos compostos por Lena Raine Categoria:Jogos eletrônicos ambientados no Canadá Categoria:Jogos eletrônicos com protagonistas femininas Categoria:Jogos eletrônicos desenvolvidos no Canadá Categoria:Jogos eletrônicos para um jogador Categoria:Jogos eletrônicos de código aberto Categoria:Obras sobre saúde mental Categoria:Jogos eletrônicos gratuitos Categoria:Transgeneridade na mídia Categoria:Estilo retrô