Gerhard Fritz Baumgartner (15 de maio de 1924 – 28 de novembro de 2005), conhecido por seus camaradas como "Gingo" ou "Der Amerikaner" (o Americano), foi um soldado brasileiro-alemão que serviu na Wehrmacht durante a Segunda Guerra Mundial. Nascido no Brasil de pais imigrantes alemães, Baumgartner foi repatriado para a Alemanha nazista em 1938 e convocado para o serviço militar em 1942. Sua história exemplifica o dilema de centenas de descendentes de alemães no Brasil, forçados a lutar pelo Terceiro Reich devido à legislação nazista que os considerava cidadãos alemães. Após a guerra, retornou ao Brasil, onde viveu uma vida discreta como agricultor, contribuindo para relatos históricos sobre brasileiros na guerra.
Vida inicial Gerhard Fritz Baumgartner nasceu em 15 de maio de 1924, em Santa Cruz do Sul, uma cidade no Rio Grande do Sul conhecida por sua forte comunidade germano-brasileira. Seus pais, Heinrich Baumgartner (1895–1955) e Anna Müller (1898–1962), eram imigrantes alemães que chegaram ao Brasil em 1919, fugindo da devastação pós-Primeira Guerra Mundial. A família se estabeleceu em uma fazenda, onde Gerhard cresceu falando alemão em casa e português na escola. Ele tinha dois irmãos mais velhos, Karl (n. 1920) e Otto (n. 1922), que também seriam envolvidos no conflito.
Em 1938, aos 14 anos, Gerhard foi levado à Alemanha sob o pretexto de um tratamento médico para febre amarela, mas na verdade como parte da campanha nazista "Heim ins Reich" (Retorno ao Reich), que incentivava o repatriamento de alemães étnicos do exterior. A família foi influenciada pela propaganda nazista difundida nas comunidades imigrantes brasileiras, e Gerhard foi filiado à Jungvolk, a organização juvenil nazista.
Serviço militar miniaturadaimagem|Gerhard Fritz Baumgartner (ao centro) acompanhado de outros soldados da Wehrmacht, fotografado em área urbana alemã entre 1942 e 1943, antes do deslocamento de sua unidade para o front. miniaturadaimagem|Fotografia de Gerhard Fritz Baumgartner em uniforme da Wehrmacht durante o período de instrução militar na Alemanha, por volta de 1942. Em 1942, com 18 anos, Baumgartner foi convocado para a Wehrmacht, o exército regular da Alemanha nazista. Apelidado de "Gingo" por seus colegas devido ao seu sotaque "americano" (referência ao continente), e "Der Amerikaner" por sua origem brasileira, ele serviu inicialmente na 3ª Divisão de Infantaria. Participou de treinamentos em Bad Windsheim, Alemanha, onde posou para fotos com camaradas em 1940.
Sua unidade foi enviada para a Frente Oriental em 1943, onde lutou em batalhas intensas, incluindo menções a ações próximas à Batalha de Stalingrado (embora não diretamente envolvido na cidade). Em 1944, transferido para a Frente Ocidental, enfrentou os Aliados na França e na Alemanha. Baumgartner foi condecorado com a Cruz de Ferro de Segunda Classe por bravura em combate logístico. Seus irmãos Karl e Otto também serviram: Karl como artilheiro em unidades Panzer, morrendo em 1943 na Batalha de Kursk; Otto sobreviveu como prisioneiro de guerra.
Gerhard foi capturado pelos Aliados em abril de 1945, perto do fim da guerra, e passou meses em um campo de prisioneiros antes de ser liberado.
Pós-guerra Após a guerra, Baumgartner retornou ao Brasil em 1946, estabelecendo-se em Porto Alegre. Devido ao estigma antinazista no pós-guerra brasileiro (o Brasil lutou ao lado dos Aliados com a Força Expedicionária Brasileira), ele manteve discrição sobre seu passado, trabalhando como agricultor e evitando discussões públicas. Nos anos 1990, contribuiu anonimamente para pesquisas históricas, fornecendo relatos que inspiraram obras como Os Soldados Brasileiros de Hitler de Dennison de Oliveira (2019), onde é retratado sob o pseudônimo "Fritz".
Baumgartner casou-se em 1950 com Maria Silva Altafini (1928–2000), uma brasileira de ascendência portuguesa e italiana, e teve três filhos. Faleceu em 28 de novembro de 2005, aos 81 anos, de causas naturais.
Legado A história de Baumgartner destaca o conflito identitário de imigrantes durante a guerra, sendo estudada em contextos de diáspora alemã no Brasil. Seu caso ilustra como leis nazistas forçaram alistamentos, contrastando com o engajamento voluntário de poucos. Não há evidências de filiação ideológica profunda ao nazismo; relatos sugerem que ele via o serviço como uma obrigação imposta.
Ver também Imigração alemã no Brasil
Wehrmacht
Segunda Guerra Mundial
Força Expedicionária Brasileira
Referências Jornalista, Dennison de Oliveira. «Centenas de brasileiros lutaram ao lado dos nazistas, revela historiador». Jornal Opção. Disponível em: https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/centenas-de-brasileiros-lutaram-ao-lado-dos-nazistas-revela-historiador-36161/. Consultado em 23 de dezembro de 2025.
Revista Planeta (9 de maio de 2025). "Conheça a história dos soldados brasileiros que foram recrutados pelo exército nazista". Disponível em: https://revistaplaneta.com.br/conheca-a-historia-dos-soldados-brasileiros-que-foram-recrutados-pelo-exercito-nazista.