A Academia de Pumbedita () foi uma academia talmúdica em Pumbedita, um local não identificado no atual Iraque, durante as eras amoraíta e gueônica. Foi fundada por Judá bar Ezequiel por volta de 260 e, juntamente com a Academia de Sura, fundada em 225 por Abá Aricá, manteve influência dominante por cerca de 800 anos.
História
Quando Odenato destruiu Neardeia em 259, Pumbedita foi escolhida para abrigar uma nova academia de estudos talmúdicos; outros preferem datar a destruição de Neardeia em 262/3. Seu fundador foi Judá bar Ezequiel. Rabá bar Nacmani (m. ca. 330), foi vítima de perseguição, sob acusação de que 12 mil discípulos se reuniam duas vezes por ano para o habitual estudo público (calá) para evitar o pagamento de impostos. Rabá fugiu e se perdeu num lugar chamado Agma. Seus sucessores, José (m. 333), Abaié (m. 337) e Rabá (m. 352), gozaram do favor da rainha-mãe Ifra Hormisda, mãe do xainxá , mas eventualmente Rabá foi preso sob uma acusação infundada. A Abaié e Rabá se credita a criação da dialética talmúdica praticada em Pumbedita. No tempo da gestão de Rabá, essa academia era a única remanescente na Babilônia, pois a Academia de Sura havia deixado de existir; algum tempo depois, entretanto, , discípulo de Rabá, fundou uma nova escola em Narexe, perto de Sura, que floresceu sob comando de Axi. Além disso, sob a gestão de Nacmã bar Isaque (m. 356), tentou-se editar a enorme massa de material que, em última análise, formou o Talmude babilônico.
No reinado de , a administração estava sob Mar Zutra (m. 417) e sabe-se que ele teve uma audiência com o xainxá. No reinado de , os judeus foram perseguidos e o rabino (m. 456) foi uma das vítimas. , ativo sob , foi o último rabino a utilizar o título de sabora em Pumbedita e o primeiro a utilizar gaom. No reinado de , as academias foram fechadas e os rabinos de Pumbedita migraram para Perisapora (ca. 581). Sob domínio muçulmano, as academias voltaram a florescer sob comando dos gaonitas e com apoio dos exilarcas; no entanto, com o tempo, rixas surgiram entre eles. Por volta de 730, certo Mar Ianca, intimamente relacionado ao exilarca, perseguiu os rabinos de Pumbedita, com vários deles sendo obrigados a fugir para Sura. O califa omíada perseguiu as minorias religiosas do califado e ordenou que nenhuma nova igreja, sinagoga ou templo de fogo fosse erigido. Um pseudo-messias, chamado Severo, apareceu na Síria (c. 720); seus adeptos foram readmitidos ao judaísmo por decisão do gaom de Pumbedita.
Árabes e judeus foram zelosos promotores do saber e, por meio de traduções de autores gregos e latinos, contribuíram de modo essencial para a preservação dessas obras. Eles se dedicaram a estudos religioso-filosóficos (o calâm), alinhando-se em geral com os mutazilitas e defendendo a liberdade da vontade humana (qadr). No entanto, em oposição ao iluminismo mutazilita, surgiu nesse período um sistema de misticismo. , que ensinava em Pumbedita, era um místico e afirmava manter contato com Elias. Além das diferenças religiosas entre os rabinitas, havia conflito contínuo com os caraítas, que desejavam que um certo caraíta chamado Daniel fosse nomeado exilarca, ao passo que os rabinitas insistiam em Davi bar Judá (825).
Desde ao menos o tempo do califa abássida Almutadide , o exilarcado perdeu consideravelmente sua relevância entre os judeus da diáspora. Em 917, o exilarca foi deposto por influência do gaom de Pumbedita. Por outro lado, os gaonitas de Pumbedita, por sua jurisdição abranger a capital Baguedade, logo alcançaram posição igual à de seus colegas de Sura. Um período de grande atividade literária dos gaonitas foi inaugurado por , de Pumbedita, de cujo dicionário talmúdico ainda subsistem fragmentos. Após um intervalo de alguns anos, um sobrinho do deposto Uqueba, , foi nomeado exilarca, e Coem Zedeque II foi forçado a reconhecê-lo. Coem Zedeque também precisou aceitar o florescimento da Academia de Sura, à qual se opunha firmemente, sob a gestão de Saadia ben José (m. 942). A Academia de Pumbedita floresceu por mais um século. , um rico comerciante de Baguedade e opositor de Saadia, fez uma administração eficiente em Pumbedita como gaom .
Neemias, filho de Coem Zedeque, fez uma gestão menos exitosa , ao contrário de seu sucessor Xerirá ben Haniná e seu filho . Eles eventualmente foram vítimas de calúnias dirigidas ao califa Alcadir , provavelmente por intermédio de estudiosos que se sentiram desprezados. Isso causou sua prisão por um tempo, mas acabaram sendo libertados, e Xerirá, já idoso, renunciou ao cargo em favor de Hai, que exerceu as funções do gaonato de 1000 até 1038. Após sua morte, governou por mais dois anos, e com seu assassinato o gaonato de Pumbedita chegou ao fim.
Bibliografia
Categoria:Academia de Pumbedita